CITROËN

O nome CITROËN com seu incomparável logotipo tem sido sinônimo de inovação, design, aventura e prazer por quase um século. Sua história está recheada de inúmeros fatos que deixaram sua marca registrada na indústria automobilística europeia e mundial.

Quando o engenheiro André Citroën começou a vender carros com o seu sobrenome em 1919, ele já era um especialista em métodos de produção em massa e em tecnologia automotiva. Fundou sua primeira empresa em 1902 depois de completar o serviço militar. Registrou a patente de uma técnica de corte de engrenagens que havia descoberto na Polônia, cuja principal característica era o formato dos dentes em ‘V’.

Em 1907, ele descobriu a indústria automobilística quando concordou em ajudar a Mors, uma problemática fábrica de carros sediada em Paris, mas famosa por bater recordes de velocidade no início do século. Aceitou o desafio de recuperar a empresa e começou a trabalhar duro, reorganizando as oficinas e definindo novos modelos. Em poucos anos, os carros da Mors atraíam cada vez mais consumidores, a situação financeira melhorou e a empresa voltou a ter lucros.

Em 1912, a Citroën-Hinstin se transformou em uma sociedade anônima das engrenagens CITROËN. No mesmo ano, em uma viagem aos Estados Unidos, ele visitou as fábricas de Henry Ford e se familiarizou com os princípios de organização do trabalho nas oficinas. Como Henry Ford, ele decidiu produzir um modelo simples de automóvel com forte apelo popular. Ele revolucionou o mercado ao apresentar o Type A 10CV no ano de 1919.

Fabricado já com técnicas de produção em série, o Type A foi lançado com carroceria completa incluindo quatro rodas de metal estampada com pneus, estepe, dois faróis e um motor elétrico de partida. O 5CV, por exemplo, apresentado no Salão de Paris de 1921 e logo apelidado de ‘Trèfle’ (trevo), foi o primeiro carro realmente popular produzido em série na Europa. Foi neste mesmo ano que a empresa começou a conquistar outros mercados, exportando 3 mil carros, em grande parte para países europeus. Em 1923 sua primeira subsidiária foi aberta na Inglaterra. Convencida que o mundo cada vez mais necessitaria de automóveis, a empresa inaugurou em 1924 uma rede de subsidiárias em Bruxelas, Amsterdan, Colônia, Milão, Genebra e Copenhagen para escoar aproximadamente 17 mil carros exportados. No ano seguinte, a rede de concessionárias dentro do território francês atingia o número de 5 mil unidades.

André Citroën estava à frente de seu tempo no uso da comunicação moderna e da propaganda. Em 1928, a CITROËN introduziu o primeiro veículo totalmente em metal na Europa. Entre 1919 e 1934, usou diversas formas de comunicação à disposição para divulgar a marca e seus produtos. Alguns exemplos incluem sinais de estrada, táxis, garantia e seguro, peças de reposição, brinquedos, a iluminação da Torre Eiffel com a palavra CITROËN, a maior loja da Europa - em Paris, além de patrocinar expedições à Ásia e África, com a intenção de demonstrar o potencial de seus carros equipados com sistemas de tração Kegresse para regiões de climas hostis. As expedições eram um sucesso de publicidade.

A invenção do motor flutuante, que ao ser colocado sobre lâminas de borracha evitava que vibrações fossem transmitidas ao carro, desenvolvido em 1932, conquistou a imaginação de André Citroën, que comprou a licença exclusiva de sua utilização na Europa. No início os carros tornaram-se um sucesso. Mas logo os competidores, que ainda usavam madeira na estrutura de seus veículos, passaram a adotar o novo design. André não teve oportunidade para redesenhar a estrutura de seus veículos e estes passaram a ser vistos como retrógrados.

A CITROËN vendeu grandes quantidades apesar do visual retro de seus automóveis, pois o baixo custo e a leveza dos modelos eram seus pontos mais fortes. Isto encorajou André a desenvolver o Traction Avant, um carro tão inovador que não haveria concorrentes à altura em competições automobilísticas. O modelo tinha três características revolucionárias: a estrutura monobloco, suspensão independente nos pneus dianteiros e a direção frontal. O modelo foi lançado em 1934, e revolucionou a indústria automobilística.

Fabricado por 23 anos, de maio de 1934 a julho de 1957, seu modelo original, o 7, atingiu rapidamente a marca de 300 veículos comercializados por dia. Desde o lançamento do Type A 10CV, André teve a visão de desenvolver uma versão chamada como ‘carro de entregas’. Ele estava convencido do potencial comercial de veículos utilitários e continuou a desenvolvê-los. O modelo TUB, em 1939, e o Type H produzido entre 1948 e 1981, anteciparam os modernos veículos utilitários leves com tração nas rodas dianteiras, carroceria monobloco de aço, assoalho liso e baixo para facilitar o serviço de carga, porta lateral deslizante, fácil acesso e posição avançada para o motorista.

Com o falecimento de André Citroën, Pierre Michelin e Pierre Boulanger compraram a empresa em 1940. Durante a ocupação alemã da França na Segunda Guerra Mundial, a empresa continuou com seu trabalho, desenvolvendo conceitos que mais tarde chegaram ao mercado pelos modelos 2CV (Deux Cheveux) e DS (carinhosamente apelidado por boca-de-sapo). Estes foram largamente criticados pelos jornalistas contemporâneos como radicais e até mesmo como soluções avant-garde para o design de automóvel.

Isto iniciou um estranho período de lealdade à CITROËN, normalmente visto apenas em marcas como Porsche e Ferrari, gerando uma espécie de desejo pelos automóveis por parte dos ‘Citroënistas’, que duraria quase duas décadas. Com o término do conflito, mais precisamente em 1948, a montadora lançou o novo modelo do 5CV, um automóvel que surpreendeu a Europa e se transformou em sinônimo de carro popular na França.

Em 1955, a CITROËN estreou a suspensão hidroativa com um design revolucionário em seus carros que iria modificar a concepção mundial de veículos. A década de 60 foi marcada pelo estilo e linhas contemporâneas da montadora. A suspensão hidropneumática de carga constante, lançada inicialmente no eixo traseiro do último modelo 15 Six, criou novos padrões de conforto e eficiência. Em 1962, esse sistema salvou a vida do general Charles de Gaulle durante um atentado em Petit-Clamart. Em 1970 foi lançado pela empresa, um carro como nenhum outro, com a participação da italiana Maserati: o modelo ZM com motor V6 e 170 cv de potência.

Em meados desta década, a montadora francesa, que sofria grandes perdas financeiras, muito em virtude do fracasso do motor rotativo Comotor, estava debilitada e incapaz de lutar contra a queda do mercado automobilístico que acompanhou o embargo do petróleo em 1973. Este era um sinal ameaçador do que ainda estaria por vir, e, em menos de um ano a montadora estava à beira da falência.

O Governo Francês, receoso com demissões em massa, coordenou as negociações que resultaram, em 1976, na fusão entre a Automobiles Citroën e a Automobiles Peugeot, formando uma única empresa denominada PSA PEUGEOT CITROËN. A fusão bem sucedida foi a salvação para ambas as montadoras. Em 1981, James Bond, pilotou um 5CV no filme ‘007 somente para seus olhos’, proporcionando grande visibilidade para marca francesa no mundo inteiro.

Em 1991 a montadora inaugurou fábrica na China, ingressando assim em um enorme mercado consumidor, e pouco depois, lançou o modelo Xantia, um carro que aliava conforto e modernidade. Nos anos seguintes a empresa lançou inúmeros modelos de sucesso como o Berlingo; o Xsara, que se beneficiava de uma estética bem sucedida, tornando-se o precursor em seu segmento; o compacto C3; a perua Xsara Picasso, um sedan monovolume, que foi introduzido com um maravilhoso comercial denominado ‘Robot’; o C5, que foi lançado com muita pompa, destacando, principalmente, os recursos tecnológicos e conforto do veículo; e o moderno C8, última geração de vans de alta tecnologia posicionada no topo da linha de veículos de uso múltiplo e aplicação essencialmente familiar. 

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