MG

A história da MG começa com a criação de um automóvel que seria a primeira obra de uma marca emblemática. O automóvel em questão era o ‘Old Number One’, como os fãs da marca gostam de chamá-lo com imenso carinho, mas dentro do rigor histórico.

O ‘Old Number One’, cujo traço mais marcante era ter uma traseira semelhante a popa de um navio, apareceu no início do ano de 1925. Cecil Kimber, fundador da MG, era um dos representantes da Morris e um verdadeiro entusiasta das competições, onde manteve uma longa colaboração com aquela marca, especificamente na regulagem dos motores.

Em 1924 criou o que hoje é tido como o momento do nascimento da MG. Símbolo histórico que é constituído com duas letras no interior de um emblema octogonal. As letras eram em representação das palavras ‘Morris Garage’.

Do primeiro modelo da MG, pode-se dizer que era um verdadeiro esportivo. Cheio de características marcantes, como a ausência da grade oval, que fazia sobressair ainda mais o octógono. Fiel a filosofia segundo a qual um esportivo deve parecer veloz mesmo quando está parado, o ‘One’ poderia ser confundido com um F1 da época.

As razões para essa semelhança era a ausência de portas e para-brisas tudo visando a redução de peso. O motor era um bloco simples de 1.5 litros de 40 cv. Permitia atingir uma velocidade máxima de 132 km/h. Número interessante para a época, tendo em conta o comportamento dinâmico um pouco complicado.

Nesta altura o negócio ia de vento em popa e a Morris Garage passou a denominar-se MG Car Company. Em 1929 mudou-se para Abingdon, na área de Oxford, no Reino Unido, e com isso criou um enorme entusiasmo por culpa de um mini-roadster construído sobre a plataforma de um Morris Minor, que em 1932 recebeu o nome de Midget J2. Este automóvel criou uma inveja enorme em outros fabricantes, pois todos queriam ter aquelas linhas recortadas, a grade angulosa e a roda de estepe sobre a carroceria.

Estes padrões e filosofia que se tornaram a referência até 1955, assim como a ideia de que um roadster MG tinha apenas o absolutamente necessário. Obviamente que os ocupantes destes modelos não tinham grande espaço, equipamento ou conforto. Mas este modelo possuía um motor de 850 cc e 36 cv. A velocidade máxima era de 120 km/h e permitiu conquistar o merecido respeito da concorrência da época.

As vendas iam bem, mas as finanças nem tanto. Razão disso foram as atividades esportivas que rapidamente esgotaram os recursos financeiros da empresa e Cecil Kimber foi obrigado a entregar os destinos da empresa a Sir William Morris. Foi durante o ano de 1935 que foi encerrado o departamento de competições e ordenada a construção de um sucessor do Midget. Esse modelo viria a chamar-se MG TA e era maior, mais bonito e mais potente. Contava com um motor de 1.3 litros e a potência máxima era de 50 cv. Apesar de não ser um carro muito potente, esta limitação não impediu que a série T conquistasse um sucesso destacado.

Em 1945 o TA foi substituído pelo TC, cuja evolução era basicamente a nível mecânico, com um novo motor de 1.25 litros e 54 cv de potência. Sendo um roadster, sofria dos mesmos males que os seus antecessores. Era bastante desconfortável, mas ainda assim não impediu um sucesso inesperado em um mercado de grande importância, os EUA. Embora os americanos apreciassem carros mais potentes e velozes, assim como mais confortáveis.

Na década de 50, face à fusão entre Morris e Austin, dando origem à BMC (British Motoring Corporation), tornou-se impossível a continuidade do projeto TC. O futuro passou pela criação do MGA em 1955, mais belo e evoluído. O seu caráter esportivo estava patente na forma e nas curvas do modelo. Direção, suspensão criavam um excelente comportamento dinâmico que ainda hoje marca pontos e o prazer da condução era a sua principal característica. O motor de 4 cilindros desenvolvia uma potência que cresceu ao longo dos anos de 63 cv iniciais até respeitáveis 98 cv. Mas os clientes da marca começaram a pedir outros luxos, como habitáculos mais espaçosos, capotas impermeáveis e vidros maciços.

Só em 1962 chegou a resposta a estes pedidos, sob a designação MGB, que respeitava toda a filosofia MG: era funcional dentro das limitações de um roadster, mas novamente era o mais simples e barato possível. O problema era criar um sucessor à altura, que nunca surgiu, mesmo depois do grupo Leyland ter assumido o controle da MG. A partir de 1969, o MGB começou a tornar-se um anacronismo desfigurado e em 1981 caiu penosamente no esquecimento.

Seriam necessários 14 anos até que outra criação britânica recuperasse o octógono de duas letras. Sob o comando da BMW (que em 1994 adquiriu a MG), o novo MGF, que começou a ser vendido em 1995 e tornou-se o primeiro MG a ser produzido em massa. O roadster deu lugar a um cabriolet civilizado, com ar condicionado e outros equipamentos eletrônicos de conforto e segurança, afastando-se assim dos seus antepassados.

Em 2000, mais uma vez na história da MG, a marca foi vendida. Passou-se a chamar MG Rover Group. Nessa altura a marca construiu alguns esportivos, mas nada como no passado, afastando-se um pouco da história que a precedia. Alguns modelos ‘vitaminados’ baseados em carros da Rover. Exemplos: MG ZR baseado no Rover 25, o MG ZS baseado no Rover 45 e o MG ZT/ZT-T no Rover 75 marcam essa época.

Mas 5 anos depois a marca sofreu as consequências da falência da Rover, e foi vendida a um grupo chinês (Nanjing Automobile Group) e apenas lançou um modelo em 2011 o MG6 GT.

Apesar de muitas reviravoltas na história da MG nas últimas décadas, convém relembrar que os 87 anos de existência desta marca emblemática são pautados por sinônimos como beleza e elegância. Uma carreira com altos e baixos, mas acima de tudo marcante no mundo e na história do automóvel. Tudo começou com Cecil Kimber, um preparador de modelos da Morris, seguindo pelos anos de ouro dos MGA e MGB.

Depois de a marca passar por tantas mudanças é de se lamentar que a marca tenha perdido a filosofia mais simplista dos roadsters originais, mas em nada desvirtua a ideologia de Cecil Kimber, que em tempos passados foi cotado como o mais brilhante projetista de modelos esportivos.

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