ROLLS-ROYCE

Tudo sobre esses carros revela classe. Desde a magnífica mascote popularmente conhecida ‘Dama Voadora’, ao suntuoso interior estofado. Do silencioso som do motor, ao abafado som emitido ao fechar a porta do carro. Os automóveis ROLLS-ROYCE, preferidos de realezas e celebridades mundo afora, é a mais pura representação de indulgência, sofisticação, luxo, personalidade e conforto. É a verdadeira ‘jóia da coroa’ do universo automobilístico.

A história da tradicional marca britânica teve início quando em 1884, o engenheiro mecânico Frederick Henry Royce, fundou uma pequena oficina para prestar serviços na área eletrônica e mecânica. Ele construiu seu primeiro motor de automóvel somente em 1904 na fábrica de Manchester e em maio conheceu o aristocrata inglês Charles Stewart Rolls, um lorde apaixonado por automobilismo e cuja empresa vendia carros de luxo em Londres. Henry projetou um carro revolucionário e convenceu Charles a conhecê-lo. Em sua oficina, Charles não gostou do motor de 2 cilindros até perceber que o carro era silencioso. Depois de um passeio, ambos fecharam um acordo onde a Royce Limited produziria carros para serem vendidos com exclusividade somente nas lojas CS Rolls & Co. Era o primeiro ROLLS-ROYCE a ser construído.

O sucesso dos carros levou a fundação da empresa ROLLS-ROYCE no dia 15 de março de 1906. O primeiro modelo colocado a venda pela nova empresa foi o Silver Ghost (fantasma prateado), apelidado assim por sua cor prateada e ausência de ruídos, que entrou em linha de produção na fábrica de Derby e foi responsável pela enorme reputação que a marca viria a conquistar nos próximos anos. Como já era tradição do fabricante britânico, o veículo possuía a mais avançada tecnologia da época. Dotado de um motor de 6 cilindros em linha com 12 válvulas (2 por cilindro) e 7.0 litros, o modelo desenvolvia 48 cv, impelindo o veículo à fantástica marca de 101 km/h. Exatas 6.173 unidades foram montadas e vendidas. Entre os proprietários estavam industriais, a realeza e uma nova geração de milionários como as estrelas de cinema. Desde então a marca se transformou em sinônimo de carros luxuosos, refinados e distintos.

Charles Rolls viria a trocar a paixão dos automóveis pela dos aviões, e foi o primeiro britânico a atravessar o Canal da Mancha, além de ser também o primeiro inglês a morrer num desastre aéreo em 1910. A estatueta conhecida como ‘A Dama Voadora”’(em inglês ‘Spirit of Ecstasy’), que adorna o capo dos automóveis ROLLS-ROYCE, foi criada no ano seguinte pelo escultor inglês Charles Sykes e adotada em todos os carros no ano seguinte. Em 1914, com o começo da Primeira Guerra Mundial, a empresa lançou seu primeiro produto voltado para a aviação, um motor que foi batizado de Eagle, além de produzir rifles. Na década de 20, a ROLLS-ROYCE desenvolveu inúmeros tipos de motores, que vieram a quebrar recordes de velocidade tanto na terra como no ar. Nesta época a obsessão pela qualidade era tanta que, em 1920, um ROLLS-ROYCE teve o eixo quebrado enquanto seu proprietário fazia um safári pela África e após telegrafar para a fábrica em apenas dois dias um novo eixo já estava instalado no veículo. Se já não bastasse a rapidez incrível com que o pedido foi atendido, quando o proprietário do carro retornou à Inglaterra entrou em contato com a ROLLS-ROYCE informando que não havia recebido a fatura para o pagamento da peça, transporte e mão-de-obra. Obteve como resposta uma carta com apenas a frase:“Os Rolls-Royce nunca quebram”.

Em 1921, inaugurou sua segunda fábrica, localizada Springfield, estado americano de Massachusetts, para atender a grande demanda daquele mercado. Essa fábrica operou durante dez anos, sendo depois fechada. A década de 30 começou com a aquisição, em 1931, da montadora rival Bentley, aumentando seu poder de fogo no mercado de automóveis de luxo. Depois da morte de Henry, em 1933, a plaqueta com as letras RR (iniciais de ROLLS-ROYCE), que identifica a marca, passou a ter fundo preto, em vez do vermelho original. Em 1940, com a criação do motor Merlin e a grande demanda em virtude da Segunda Guerra Mundial, transformaram a ROLLS-ROYCE, até então uma pequena empresa, em um gigante na área de propulsão aérea. Em paralelo, a empresa começou a desenvolver turbinas aéreas a gás, resultando no lançamento da Welland em 1944. Em 1953 a empresa ingressou no mercado da aviação civil oferecendo turbinas.

Na década de 60 a ROLLS-ROYCE se fundiu com pequenas empresas ganhando ainda mais força. Em 1971 foi dividida após vários problemas no desenvolvimento do motor de jato RB211, tendo por resultado a estatização da empresa. Dois anos mais tarde, o governo britânico vendeu a divisão de carros para que a Rolls-Royce Limited se concentrasse na produção de motores aéreos. A divisão de automóveis foi batizada oficialmente de ROLLS-ROYCE MOTORS, que veio a ser adquirida pela empresa britânica Vickers em 1980. Neste mesmo ano a empresa lançou o famoso modelo Silver Spirit. Em 1987 se tornou uma das poucas empresas a desenvolver motores terrestres, aéreos e aquáticos. No final da década de 90 a ROLLS-ROYCE esteve envolvida em uma verdadeira disputa de gigantes. Tudo começou em 1998, quando a britânica Vickers decidiu vender a divisão de carros, e para aquisição, a mais cotada era a alemã BMW, que já fornecia os motores e outros componentes para os carros da ROLLS-ROYCE. A marca alemã ofereceu 340 milhões libras esterlinas pela ROOLS-ROYCE, mas foi superada pela Volkswagen que ofereceu 430 milhões. Era o início de uma verdadeira confusão.

A Rolls-Royce PLC, detentora dos direitos da marca, decidiu que licenciaria determinadas marcas registradas essenciais (o nome e o logotipo) não para a VW, mas sim para a BMW, com quem tinha tido recentemente negócios em comum. Porém a VW havia comprado os direitos sobre a mascote ‘Espírito de Êxtase’ e a forma da grade do radiador, mas faltaram os direitos do nome ROLLS-ROYCE para produzir os automóveis. Do mesmo modo, para a BMW faltaram os direitos à grade (desenho baseado um templo da antiguidade clássica) e a mascote. Como opção para encerrar o complicado impasse, a BMW licenciou o nome e o logotipo ‘RR’ por 40 milhões libras para a VW, que logo afirmou que seu interesse era mesmo na tradicional marca Bentley (pertencente a ROLLS-ROYCE), que em termos de vendas era o modelo mais forte. BMW e VW chegaram a uma solução, de 1998 a 2002, a BMW continuaria a fornecer os motores para os carros e permitiria o uso das marcas, mas este acordo terminaria no dia 1º de janeiro de 2003. A partir dessa data somente a BMW poderia chamar seus carros de ROLLS-ROYCE, e a divisão anterior da Rolls Royce/Bentley, ficaria com a VW, que produziria os automóveis da marca Bentley.

Atualmente a ROLLS-ROYCE ainda detém o título de fabricar os melhores carros do mundo (‘The Best cars in the world’). Afinal, quem compra um ROLLS-ROYCE pode personalizar seu carro como quiser. São 44 mil opções de cores para a carroceria, seis opções de madeira para o acabamento, couro em tons variados, além dos desejos específicos de cada cliente. Pode-se escolher até a cor da linha de costura do couro no painel entre 349 opções. Não há restrições a opções excêntricas ou bregas - o objetivo é realizar o desejo do cliente, seja ele qual for. Os luxuosos automóveis foram utilizados pela aristocracia no século passado e atualmente continuam a ser usados por reis, rainhas e presidentes pelo mundo afora. Muitos atributos e qualidades vêm à mente quando pensamos na prestigiosa marca, porém, jovialidade certamente não é um deles. Ou melhor, não era. Os novos modelos da marca britânica comprovam que eles esbanjam design moderno, jovialidade e agilidade.

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