AUDI

Vorsprung durch Technik’. Traduzindo: Na Vanguarda da Tecnologia. Traduzindo ainda melhor: AUDI. Ou melhor, o verdadeiro DNA de uma das marcas mais inovadoras do setor automobilístico. A montadora alemã, antes de vender automóveis, comercializa tecnologia, design, desempenho e conforto para satisfazer os mais exigentes consumidores do planeta.

Poucas empresas no mundo têm uma história tão rica e complexa como a AUDI. É quase um século de fusões, dissociações e visão de futuro. A rivalidade franco-germânica criada após a guerra entre os dois países no fim do século XIX, quando a França teve que indenizar a Alemanha em cerca de cinco bilhões de marcos, ajudou a incentivar o desenvolvimento dos veículos alemães no início do século XX. Aproveitando o boom econômico pelo qual atravessava a Alemanha, quatro empresas com origens distintas (Wanderer, Horch, DKW e Audi) direcionaram suas produções para veículos automotivos. Anos mais tarde, elas se uniram para formar a AUDI AG. Para entender essa história é preciso saber quem foram essas quatro empresas. 

WANDERER - No dia 26 de fevereiro de 1885 foi fundada a Chemnitzer-Velociped-Depot Winklhofer & Jaenicke. Em 4 de janeiro de 1887 adotou a denominação WANDERER para as bicicletas que fabricava. Em 1902 começou a produzir motocicletas e somente em 1913 teve início uma pequena produção de automóveis. 

HORCH - Em 14 de novembro de 1899 foi fundada a August HORCH & Co na cidade de Colônia pelo engenheiro August Horch, após trabalhar por vários anos na Carl Benz. Em 1901 ocorreu a viagem de estreia com o primeiro modelo de construção própria. Em 1909, em uma disputa entre os executivos, August foi obrigado a deixar a empresa que fundou. No ano de 1927 a fabricação era quase exclusivamente de modelos oito cilindros. No final dos anos de 1920 a HORCH havia se tornado conceito de qualidade. 

DKW - Em 1904 foi fundada a empresa Rasmussen & Ernst na cidade de Chemnitz para fabricar armaduras de vapor de escape. Em 1916 ocorreram as primeiras experiências com veículos a vapor. No ano seguinte iniciou a construção do motor de dois tempos e 25cc. Em 1928 a empresa já era a maior fabricante de motocicletas do mundo e começava a produção de automóveis DKW. A criação de uma rede de revendedores teve início em 1929, fato que impulsionou os negócios. 

AUDI - Foi fundada no dia 16 de julho de 1909 pelo engenheiro August Horch, após ser obrigado a deixar a Horch & Co Motorwagen Werke. Inicialmente foi registrada sob o nome August HORCH Automobilewerke Gmbh na cidade de Zwickau na Alemanha. Em 10 de abril de 1910 passou a chamar Audi Werke Gmbh, depois de ser proibido de usar seu sobrenome após ter perdido uma disputa judicial contra sua antiga empresa. E aqui entra um notável personagem: Heinrich Fikentscher, de apenas 10 anos, filho de um amigo de Horch, que sugeriu uma adaptação do sobrenome do engenheiro para o latim (‘audi’). Três meses depois saía o primeiro AUDI da fábrica. A produção de veículos começou em pequena escala. Segundo o princípio de Horch, a empresa deveria investir em automóveis bons e fortes. A marca rapidamente ganhou prestígio: por três anos seguidos, entre 1911 e 1914, um carro da AUDI ganhou o rali austríaco que cruza os Alpes. Os carros de Horch também introduziram novas tecnologias no mercado: cilindros de alumínio no motor e contador de rotações. Em 1921 apresentou pela primeira vez um veículo de passeio alemão de série com direção no lado esquerdo, fornecendo assim uma melhor visão do tráfego que se aproximava e possibilitava ultrapassagens mais seguras.

A crise econômica que assolou o mundo no final dos anos de 1920 enfraqueceu as quatro empresas, que não tinham condições de sobreviver isoladamente. Sob o comando do Banco Estatal da Saxônia, exatamente no dia 29 de junho de 1932, as fábricas Audi, Horch, DKW e o departamento de automóveis da Wanderer fundiram-se formando a Auto Union AG, com sede na cidade de Chemnitz. Naquela época o conglomerado oferecia a maior gama de veículos do mundo, produzindo desde motocicletas à automóveis de luxo. Isto ocorreu durante o período em que a empresa ofereceu o AUDI FRONT, que se tornou o primeiro carro europeu a oferecer o motor seis cilindros e tração dianteira, que utilizava uma motorização compartilhada com a Wanderer, mas girado em 180º, fazendo com que o eixo de transmissão ficasse virado para frente.

Os anos seguintes foram marcados pelo crescimento da produção e o sucesso da marca nas pistas de competições automobilísticas. Sob o signo dos quatro anéis, logo se tornou o segundo maior grupo automobilístico da Alemanha. As ‘estrelas’ da época eram seus carros de corrida de 16 cilindros e as limusines de luxo que imortalizaram o nome de August Horch. O período de 1939 a 1945 marcou o capítulo mais difícil da empresa, que, como toda a indústria alemã, dedicou-se à produção de material bélico e veículos militares para a Segunda Guerra Mundial. A fabricação de carros foi interrompida em 1939.

Depois da guerra, a empresa foi liquidada e desapareceu atrás da cortina de ferro em consequência da divisão e reforma monetária da Alemanha. Somente no dia 3 de setembro de 1949 nascia a nova Auto Union, com sede em Ingolstadt, que primeiramente ressuscitou a marca DKW. Em 1º janeiro de 1965, a Volkswagen AG tomou posse de 50.3 % da empresa ao pagar 300 milhões de marcos. Em setembro foi lançado o primeiro automóvel com a marca AUDI, equipado com um motor de quatro cilindros e carroceria derivada do modelo DKW F102. Seguiram-se novos modelos, inicialmente com a mesma carroceria, mas com motores de 75 cv (AUDI 75), 80 cv (AUDI 80), 90 cv (AUDI SUPER 90), e a partir de 1968, também o AUDI 60 (55 cv). O sucesso desses automóveis foi tão surpreendente que, apesar da Volkswagen ser contra, a direção da fábrica de Ingolstadt passou a desenvolver modelos próprios. Em 1969, a Auto Union se fundiu com a NSU, com sede em Neckarsulm, perto da cidade de Stuttgart, que na década de 1950 tinha sido a maior fabricante mundial de motocicletas.

A exportação de carros para o enorme mercado americano começou em 1970, criando assim novas perspectivas de expansão para a montadora alemã. A marca revolucionou a indústria automobilística em 1980, ao lançar um carro de série com tração permanente nas quatro rodas batizada de QUATTRO. Derivado do coupe da série 80, o AUDI QUATTRO celebrizou-se em competições (vencendo inúmeros rallys em todo o mundo) e lançou uma tecnologia que muitas marcas viriam a adotar nos anos seguintes. Em outubro de 1983, a empresa estabeleceu a QUATTRO GmbH, que cuidaria, dali em diante, de toda a parte esportiva e do desenvolvimento de veículos especiais para a marca, além de kits de personalização, o que a tornava praticamente uma divisão de ‘tuning’ da fabricante alemã. Atualmente esta divisão, localizada em Neckarsulm, possui aproximadamente 450 empregados gerando um lucro de cerca de 280 milhões de euros. No final de 1985 foi inaugurado o centro de qualidade da fábrica de Ingolstadt. Este centro reunia todos os departamentos de controle de qualidade. Em decorrência de uma reestruturação do grupo Volkswagen, a Audi NSU Auto Union AG foi rebatizada oficialmente para AUDI AG. Em novembro de 1989, alcançou vendas recordes depois da queda do muro de Berlim e a subsequente reunificação alemã. Em 1991 se tornou cada vez mais independente da Volkswagen com a criação do departamento de marketing, anteriormente dirigido em conjunto com a popular montadora alemã.

No outono desse mesmo ano, a AUDI apresentou dois estudos sensacionais para carros esportivos: o Audi Quattro Spyder no Salão de Frankfurt e o Audi Avus Quattro no Salão de Tóquio. O uso consistente da utilização do alumínio na carroceria destes modelos preparou o caminho para a utilização deste material em grande escala nos modelos da marca. Por alguns anos, a AUDI trabalhou em parceria com a ALCOA no desenvolvimento de um carro leve construído em alumínio. O resultado foi apresentado no Salão de Frankfurt em 1993: a tecnologia conhecida como Audi Space Frame, que utilizava o alumínio combinado com outros elementos para tornar o carro, ao mesmo tempo, leve e resistente. Em março de 1994, a montadora apresentou oficialmente seu novo modelo no segmento Premium, o Audi A8, no Salão de Genebra. Este foi o primeiro modelo em produção com a carroceria construída totalmente em alumínio. Ao mesmo tempo, um novo sistema de nomenclatura para os carros entrou em vigor. O Audi 80 passou a ser conhecido com A4, o Audi 100 como A6. Eles foram seguidos em 1996 pelo Audi A3, seu primeiro representante no segmento de compactos Premium. A produção do Audi A2, o primeiro monovolume construído em alumínio, começou em junho de 2000. Nos anos seguintes a AUDI continuou inovando, utilizando novas e revolucionárias tecnologias e ampliando sua gama de veículos, ingressando inclusive em novos segmentos de mercado, como por exemplo, dos veículos utilitários esportivos.

Nos últimos anos a AUDI vem investindo bilhões de euros no desenvolvimento de tecnologias em direção a mobilidade individual sustentável. Resultado de tanto investimento foi a tecnologia AUDI e-tron, que combina um motor a gasolina com um motor turbo elétrico, alimentado por baterias de lítio. O projeto e-tron quattro teve início em fevereiro de 2010 e, em apenas 18 meses, partiu das ideias conceituais para o primeiro teste. Inicialmente aplicada em seus carros de competição (o primeiro foi o Audi R18 e-tron quattro), recentemente a montadora lançou os primeiros carros de série híbridos equipados com essa tecnologia. A combinação de tecnologia de acionamento eficiente e uma fonte de energia sustentável foi uma resposta ao que o mercado procurava. O primeiro veículo foi o A3 Sportback e-tron, lançado em 2013. O veículo pode ser conduzido de três modos: apenas com o motor a combustão, só com elétrico ou em modo híbrido. A alimentação pelo motor elétrico permite velocidade máxima de até 130 km/h e garante uma autonomia de 50 km.

A marca alemã possui tamanha credibilidade que faz com que os últimos modelos lançados sejam requisitados por celebridades de todo o mundo em diferentes países. Prova disso é que a montadora alemã forneceu veículos para fazer o transporte de artistas internacionais em visita ao Brasil nos últimos anos. Entre as celebridades que tiveram o traslado patrocinado pela AUDI no Brasil, destaque para a banda Oasis e a cantora Beyoncé, que exigiram um modelo Q7, e o músico B.B. King, que utilizou o A6 para chegar ao local de suas apresentações. Essas e outras ações ajudaram a renomada marca alemã a construir uma história de sucesso e se tornar um case no mercado automobilístico mundial. Afinal, sentir o cheiro de um carro novo é uma sensação única e inesquecível para o proprietário. Ligar o motor, engatar a primeira marcha e exibir um veículo com design sofisticado e futurista é o sonho de diversos apaixonados por automóveis no mundo inteiro. Para quem tem um AUDI na garagem, isto não é um sonho e sim uma das mais privilegiadas realidade.

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