BUICK

A BUICK sempre ofereceu automóveis luxuosos e confortáveis bem ao gosto do ávido consumidor americano, mas sem a imagem elitizada e os preços salgados de um Cadillac. A fórmula deu muito certo, tanto é que a BUICK é a montadora mais antiga em atividade no mercado americano, e, embora essa divisão da GM tenha sido durante muitos anos estigmatizada como marca de ‘carros de pai’ ou ‘caretas’, mas seus modelos atuais são arrojados e modernos.

O escocês David Dumbar Buick era um próspero fabricante de chuveiros, banheiras, torneiras e apetrechos de banho da cidade de Flint, estado do Michigan, no fim do século 19. Como tinha uma paixão por automóveis, seu filho, Tom, o convenceu a usar a oficina para fazer um carro diferente, a seu gosto. O modelo ficou pronto em 1901 e recebeu elogios. Foi o que bastou para que David decidisse mudar de ramo e criar, juntamente com Thomas D. Buick e Emil D. Moessner, a BUICK MOTOR COMPANY no dia 19 de maio de 1903 na cidade de Detroit, para produzir motores estacionários e marítimos, e aumentar a produção de suas banheiras e chuveiros. O senhor Buick investiu na empresa tudo o que tinha e ainda assumiu dívidas que se somaram ao dinheiro de amigos investidores. A ideia era ingressar na indústria automobilística, viabilizando o protótipo que criara com um motor dianteiro de dois cilindros. Como não pagou as contas, e principalmente as dívidas, ele acabou perdendo o controle da empresa para James Whiting, que contratou William C. Durant para comandar seu novo negócio, transferindo-o para a cidade de Flint.

Ainda neste ano, foi anunciado o lançamento do primeiro automóvel BUICK de série. No ano seguinte foram construídos 37 carros do modelo chamado ‘Model B’. Cinco anos depois da sua fundação, como aconteceu com outros construtores norte-americanos na época, a BUICK passou a fazer parte do universo do grupo General Motors, fundado neste mesmo ano por William Durant. Nessa época, a marca já era a mais popular e a que mais vendia automóveis nos Estados Unidos, com um total de 8.820 veículos comercializados. Em 1911, a BUICK introduziu o primeiro automóvel de carroceria fechada, quatro anos à frente da rival Ford. Durante a Primeira Guerra Mundial, a montadora destinou sua produção para a fabricação de ambulâncias, aviões e tanques para o exército norte-americano.

Com o término do conflito, na década de 20, a marca começou uma forte campanha de internacionalização, montando o primeiro BUICK no Canadá, abrindo um escritório de vendas na China, entre outras ações. Na década seguinte a BUICK lançou inúmeros modelos de sucesso como o Special, o Century (um sedan de tamanho grande) e o Roadmaster (modelos de maior luxo e potência), entre outros. No ano de 1937, utilizou pela primeira vez seu tradicional logotipo na grade do radiador de seus veículos. Durante a Segunda Guerra Mundial, novamente a BUICK, converteu todas as suas fábricas para a produção de equipamentos militares. O pós-guerra foi um dos períodos mais clássicos na história da marca, com grandes inovações tecnológicas e também no quesito design.

A marca crescia rapidamente nesta época, passando de 550 mil carros fabricados em 1950 para 745 mil em 1955. Nessa época a BUICK foi pioneira em muitas inovações como transmissão Dynaflow (introduzida primeiramente em 1948 no modelo Roadmaster), entre outras novidades. A BUICK começou sua estreita relação com o golfe em 1958, patrocinando torneios profissionais, aumentando ainda mais a sofisticação, posicionamento e o conceito da marca. O final dessa década foi marcado pela introdução de três modelos de enorme sucesso da marca: LeSabre, Electra e Invicta.

No ano de 1962 a marca introduziu no mercado americano o modelo Buick Special, primeiro automóvel V6 a ser produzido em massa. Além de todo o rebuliço político, social e cultural que vivia os Estados Unidos, a década de 60 também é lembrada como o tempo dos motores superpotentes nos carros americanos. Era uma época de gasolina barata, consumidores sedentos por desempenho e seguradoras que ainda não os penalizavam por essa predileção. Essa mania contagiante acabou atingindo até a tradicionalmente pacata BUICK, que lançou o Wildcat em 1962, modelo que resgatava o nome usado em três belos carros conceitos conversíveis apresentados pela marca na década de 50. O Wildcat era um amplo coupe com linhas sóbrias, levemente esportivas, e motor V8 de 6.6 litros com potência bruta de 325 cv.

Depois de anos de grandes oscilações nas vendas, a BUICK começou a bater recordes em 1983 e 1984, com mais de 1 milhão de automóveis vendidos. A década de 90 foi marcada por altos e baixos, mas no geral a BUICK perdeu espaço para as diversas marcas concorrentes, especialmente europeias e asiáticas. A partir do novo milênio a BUICK começou a reformular toda sua linha de veículos com a substituição do Regal pelo Lacrosse (conhecido como o Buick Allure no Canadá); o LeSabre e o Park Avenue pelo Lucerna, em 2006; e seus veículos utilitários esportivos, Rendezvous e Rainier, pela moderna Enclave em 2008.

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