LINCOLN

A marca de automóveis LINCOLN sempre foi associada ao luxo e ao requinte, tornando-se um ícone da cultura americana. Seus modelos já carregaram, com muito conforto e luxo, milionários e abonados, além de gerações dos homens mais influentes e importantes dos Estados Unidos: os presidentes.

Tudo começou em agosto de 1917 quando Henry M. Leland, um dos fundadores da Cadillac, uma divisão da General Motors, deixou a empresa durante a Primeira Guerra Mundial e formou, juntamente com seu filho Wilfred, a LINCOLN MOTOR COMPANY para fabricar motores para aviões Liberty. O nome da nova empresa foi adotado em homenagem ao herói de Leland: Abraham Lincoln. Somente depois do fim do conflito as fábricas da empresa foram remodeladas para desenvolver e produzir automóveis de luxo, lançando seu primeiro modelo em setembro de 1920. A montadora encontrou severas dificuldades financeiras durante essa transição (produziu apenas 150 automóveis do modelo Lincoln L-Series), e como consequência acabou sendo adquirida pela Ford Motor Company no dia 4 de fevereiro de 1922 por cerca de US$ 8 milhões.

O impacto da compra da montadora pela Ford pode ser sentido rapidamente: entre março e dezembro foram produzidos 5.512 automóveis que ostentavam o imponente emblema da LINCOLN. Rapidamente a LINCOLN se tornou uma das marcas de automóveis de luxo mais vendidas dos Estados Unidos, juntamente com as rivais Cadillac, Pierce-Arrow, Marmon, Peerless, Duesenberg e Packard. No ano seguinte, vários veículos foram introduzidos no mercado, incluindo modelos de duas ou três janelas, um sedan de quatro portas, um roadster para duas pessoas, um sedan para sete passageiros e limusine.

O tradicional logotipo da marca, chamado ‘Greyhound’ (uma raça de cachorro), foi adotado como emblema no ano de 1927, o qual seria substituído mais tarde por um diamante, que segue em uso atualmente. Em 1936 com o modelo Zephyr, a LINCOLN introduziu um design mais esportivo e acessível em sua linha de automóveis. Esse modelo, nomeado assim em homenagem à locomotiva Burlington Zephyr, foi o primeiro automóvel produzido nos Estados Unidos com o que hoje conhecemos como monobloco, onde a carroceria do veículo era uma parte integral da sua estrutura. Seu desenho aerodinâmico, seu luxo e sua elegância, além do potente motor V12 ocultaram os muitos problemas pelos quais atravessava a marca LINCOLN na época. O carro foi um sucesso imediato atingindo produção de 20.000 veículos por ano.

O modelo Continental, modelo de maior importância já produzido pela LINCOLN, foi idealizado em 1938 como um projeto pessoal de Edsel Ford, então presidente da LINCOLN, para dirigir durante suas férias na Flórida. Ele queria um automóvel em estilo europeu e extremamente luxuoso e fez tanto sucesso que a montadora resolveu produzi-lo em grande escala. O Continental Mark II começou a ser fabricado pela LINCOLN ainda na década de 40. O preço básico do modelo era de US$ 10 mil, o mesmo de um luxuoso Rolls-Royce na época.

A indústria automobilística de um modo geral evoluiu muito até que a Segunda Guerra Mundial modificou tudo o que se conhecia sobre automóveis. A retomada viria somente após o ano de 1945, com novos modelos, design aerodinâmico, motores mais eficientes e carros mais seguros. Um divisor de águas para a LINCOLN foi o modelo Cosmopolitan, introduzido no mercado em 1949. O carro era uma solução realmente nova, depois de quase dez anos sem lançamentos expressivos, resultado da guerra. O nome era alusivo ao público alvo, executivos e a classe média alta americana moradora de grandes centros urbanos. O modelo era oferecido em três estilos diferentes: o fastback de quatro portas e janela vigia; o sedan esportivo que trazia apenas duas portas e tinha um apelo comercial de carro esporte; além do conversível, bem parecido com seus concorrentes da marca Chevrolet. As cores, que até então se resumiam ao preto, creme e algumas poucas variações, agora ganhariam tons vivos como vermelho, azul e verde. O desenho do carro era caracterizado pela modernidade através de linhas que sugeriam a velocidade, para-lamas embutidos na carroceria (o primeiro automóvel do mundo a incorporar essa solução aerodinâmica), ampla grade cromada no melhor estilo ‘forward look’ (triangular) e com faróis recuados de pequenas proporções. No entanto, o design não o diferenciava dos demais modelos LINCOLN. O Cosmopolitan era apenas maior nas proporções, com 5.590 mm, 220 mm mais longo do que os outros modelos da Ford (de quem herdaria o chassi), além de motor preparado e acabamento de alto luxo.

O modelo recebeu o motor V8 5.5 litros com comando no bloco, que rendia 152 cv de potência. A transmissão poderia ser manual de três velocidades com overdrive, chamado de Touch-o-matic, ou a transmissão hidramática com três velocidades. A publicidade destacava o Cosmopolitan como um automóvel adequado ao cenário moderno da época: “Este é mais que um carro incomum, foi construído como fruto de um planejamento funcional como a mais bela casa ou escritório moderno”. E os catálogos também enumeravam suas qualidades: “é limpo, mas sem pretensões de exagero; espaçoso, mas sem desperdício; grande, mas fácil de conduzir como um pequeno carro esporte, além de um novo e revolucionário motor V8”. O modelo só ganhou alterações em 1951 com nova grade, a falsa tomada de ar lateral e a introdução da série Capri, que trazia teto de vinil, que se tornaria padrão nos anos seguintes. Deste ano em diante, a indústria automotiva mudaria seu conceito em termos de design e motorização produzindo automóveis mais largos e mais baixos, por isso o modelo Cosmopolitan deu lugar a novidades na marca LINCOLN, mas a intenção de produzir um carro luxuoso e referência nos segmentos superiores ficou marcada na subsidiária Ford.

Em 1958 ocorreu a fusão da divisão LINCOLN com a marca de automóveis Mercury, formando a LINCOLN MERCURY. Nos anos seguintes a marca acirrou a disputa com a rival Cadillac, tornando seus automóveis sinônimos de requinte e luxo. No início dos anos 80, com o lançamento do TOWN CAR, um luxuoso sedan de grande porte, que se tornou o carro chefe da marca por muitos anos, a LINCOLN reviveu seus momentos de glória. A marca alcançou vendas extraordinárias em 1989 (200.315 unidades) e em 1990 (231.600 unidades), graças em grande parte as novas gerações do Continental e do Town Car.

No ano de 1996 a marca atingiu os 5 milhões de Lincoln Continental produzidos, tornando este modelo de automóvel um dos mais importantes da história da indústria automobilística. Em 1998 a LINCOLN era a marca de veículos de luxo mais vendida dos Estados Unidos e nos anos seguintes, através de lançamentos como a NAVIGATOR, um luxuoso SUV (veículo utilitário esportivo), e a pick-up MARK, continuou sendo referência neste segmento.

Entretanto, apesar das novidades, a marca perdeu força nos últimos anos. Para tentar recuperar o território, a LINCOLN apresentou um novo carro conceito para restabelecer a marca entre uma das mais elegantes do mundo: o MK T. Um modelo sem precedentes: perfeito equilíbrio entre um veículo espaçoso, confortável e eficiente. Equipado com um motor V6 EcoBoost Turbocharged de 3.5 litros com injeção direta, o automóvel tinha a performance esperada de um V8, mas com o consumo de combustível de um V6. O design aerodinâmico eficiente combinado a reduções no peso e uma nova transmissão fez deste um dos mais eficientes veículos do mundo. Para reduzir o peso do carro, novos materiais foram utilizados: o Valox iQ e o Xenoy iQ. Eles substituíram metais e fibra de carbono nos painéis de absorção de impacto. Ambos são feitos com uma resina proveniente da reciclagem de garrafas PET, então esse carro era ecológico não apenas por ter boa eficiência no consumo de combustível, mas também por reduzir o volume de lixo. Além de resistentes e leves, os materiais absorvem com grande facilidade vibrações, o que deixa o carro muito mais silencioso.

Atualmente a LINCOLN oferece uma linha de veículos extremamente sofisticados, que incluem dois sedans (MK S e MK Z), dois crossover (MK T e MK X) e um luxuoso veículo utilitário esportivo (NAVIGATOR).

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