12/05/2020 - A HISTÓRIA DO MASERATI BARCHETTA QUE DEU ORIGEM AO DE TOMASO GUARA

No início da década de 90, a Maserati se encontrava em sérios problemas financeiros e com uma carteira de produtos um pouco desfasada. A Fiat não chegaria a assumir o controle total até 1993, de modo que era necessário uma importante injeção de capital que permitisse à marca do tridente seguir viva por mais algum tempo. Ainda sob o controle da De Tomaso, a marca italiana apostaria em um último projeto antes da chegada definitiva da Fiat. Esta é a história do Maserati Barchetta que deu origem ao De Tomaso Guara.

Na época, a Fiat tinha uma participação de 49% na Maserati, mas o controle ainda era de De Tomaso (desde 1975). Em 1991 se decide realizar um projeto que deveria culminar com um superesportivo com o qual a marca italiana pudesse seguir lutando no panorama europeu, ao mesmo tempo que contribuiria na renovação de uma linha de modelos antiquados, a maioria deles baseados no antigo Maserati Biturbo de 1982, e com um volume de ventas por volta de 1.000 unidades anuais.

Em 1990, Marcello Gandini, o famoso designer estreitamente vinculado à Lamborghini e que havia estado trabalhando com a Maserati anteriormente em dois dos restylings do Biturbo, começou a desenvolver uma carroceria sobre uma plataforma de estilo ‘coluna vertebral’, com uma suspensão inspirada no mundo da competição e equipado com uma versão mais potente do motor V8 biturbo de 3.2 litros derivado do Maserati Shamal do final dos anos 80.

Este veículo seria devidamente batizado como Maserati Chubasco e seria o precedente da tempestade perfeita que estava se formando nas instalações da empresa do tridente. Embora o projeto prometesse, a diretoria da Maserati decidiu cancelá-lo devido aos potencialmente elevados custos. No entanto, decidiram aproveitar o investimento e criar uma copa monomarca com carros derivados da plataforma do Chubasco.

Desta forma nasceria o Maserati Barchetta. Marca do tridente se uniria à Synthesis Design para a criação do Barchetta e Carlo Gaino, que havia trabalhado anteriormente no projeto do Alfa Romeo 155 GTA, seria quem capitanearia o barco. Sua carroceria foi feita sob medida combinando alumínio, fibra de vidro e capas de fibra de carbono. O teto foi dispensado para este característico estilo barchetta, o que ajudou para que o peso se mantivesse na faixa dos 775 kg.

O motor também foi modificado, criando uma versão V6 turbo de 2.0 litros que entregava 320 cv de potência. Não era o supercarro que a Maserati havia projetado, mas a relação peso/potência fazia com que o seu desempenho estivesse à altura do veículo que inicialmente queriam fabricar. A nível dinâmico foi conservada a suspensão de duplo braço e o motor foi instalado longitudinalmente no centro da carroceria, com uma transmissão ZF e um diferencial de deslizamento limitado que enviava a potência ao eixo traseiro.

O carro já estava pronto para participar do Grantrofeo Monomarca Barchetta Maserati. Este campeonato começou em 1991, com uma temporada onde foram disputadas seis corridas na Itália, e terminou em 1992 com dez provas, a maioria delas em solo italiano, embora duas corridas fossem celebradas na Holanda. O interesse do público não foi o esperado e a Maserati nunca conseguiu lançar mais de 13 carros.

Haviam sido projetados 25 carros de competição e uma série de modelos de rua denominados Barchetta Stradale. No entanto, a recessão em que se encontrava a Maserati teve um maior peso que os objetivos da empresa, de modo que foram criados tão somente 16 veículos de corridas e um protótipo de rua. Anos mais tarde, alguns dos Barchettas de competição foram convertidos em versões de rua, mas o projeto havia chegado a um ponto morto e finalmente optaram por seu cancelamento.

Apesar do cancelamento do projeto do Maserati Barchetta e da copa monomarca em que competia, a história deste modelo da marca do tridente não terminaria aqui. Em 1994, somente um ano depois de seu desaparecimento, De Tomaso decide aproveitar a plataforma do Barchetta para criar um carro próprio, o De Tomaso Guara.

Para sua criação voltaram a recorrer à Synthesis Design e à Carlo Gaino, que criariam primeiro um coupe, depois um spider e finalmente uma Barchetta. Nas primeiras versões, De Tomaso rompeu com sua tradição de usar o motor Ford V8, optando por um motor BMW M60B40, uma unidade V8 de aspiração natural e 4.0 litros com 286 cv de potência e 400 Nm de torque. Esse motor havia sido criado em 1992 para impulsionar os BMW 540i, 740i e 840Ci. Mais tarde, De Tomaso voltaria às suas raízes e mudaria o motor M60B40 da BMW por uma unidade V8 sobrealimentada de 4.6 litros de origem Ford.

O volume de vendas do Guara também não foi dos mais elevados, mas pelo menos superaram os 16 Maserati Barchetta produzidos, com um total de 50 exemplares, a maioria deles com carroceria coupe. A produção esteve na ativa entre 1994 e 2004, o ano em que foi decretada a falência da De Tomaso.

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