22/05/2020 - RENAULT ESPACE E SCÉNIC SERÃO SUBSTITUÍDOS POR UM NOVO CROSSOVER ELÉTRICO

A Renault prepara sua resposta ao impacto sofrido com a pandemia do COVID-19. Entre as medidas que serão tomadas neste plano de emergência da empresa estará o ponto final na produção de alguns modelos como o Espace e o Scénic.

De acordo com fontes do fabricante, a Renault pretende abandonar os formatos que perderam popularidade no mercado europeu, como os monovolumes e os sedans, para concentrar-se na produção de mais SUVs. Esse plano também colocará um ponto final na produção do topo da linha, o Renault Talisman.

Atualmente, a linha do grupo francês, contando com Alpine, Dacia, Lada e Samsung, tem quase meia centena de automóveis, número considerado excessivo pelo fabricante. Há cerca de seis anos, o concorrente francês da Renault, o Groupe PSA, adotou expediente do mesmo tipo, anunciando uma redução significativa no número de modelos do catálogo, de 45 para 26, com o objetivo de economizar mais de 300 milhões de euros por ano.

O Renault Espace introduziu o formato monovolume no mercado europeu em 1984. A marca francesa, em cinco gerações do modelo, vendeu mais de 1.3 milhões de unidades, mas a procura diminuiu de forma significativa a partir de 2015, devido ao sucesso comercial dos SUVs. E aconteceu o mesmo com o Scénic, que democratizou a arquitetura no segmento dos compactos.

No ano passado, de acordo com a consultoria JATO Dynamics, foram vendidos tão somente 77.507 Scénic na Europa, número que representou uma redução de 16% na procura, em comparação com 2018. Os resultados do Espace e do Talisman foram ainda piores. Nos dois casos, quebras de 20% na demanda, para 9.561 e 15.826 unidades, respetivamente.

Para a sucessão do Espace e do Scénic, a Renault planeja uma nova geração do Kadjar, SUV com 5 ou 7 lugares, que será fabricado na Espanha. Atualmente, os modelos são produzidos em Douai, França, fábrica que também produz o Talisman. No futuro, nesta planta industrial, serão produzidos dois automóveis elétricos novos baseados em plataforma específica desenvolvida em colaboração com a Nissan.

Em 2019, na ressaca do escândalo originado pela saída de Carlos Ghosn da liderança da Aliança Renault-Nissan, o consórcio registrou os primeiros prejuízos em 10 anos. A pandemia do COVID-19 aumentou as fragilidades de empresa, onde o governo mantém uma participação acionária de 15%. Comenta-se em um apoio estatal de 4 a 5 bilhões de euros, necessários para enfrentar as consequências da parada da produção e das vendas.

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