1960 - ARMSTRONG SIDDELEY STAR SAPPHIRE
Na Inglaterra do início dos anos 1960, quando a indústria automobilística britânica ainda preservava uma forte tradição de elegância, refinamento mecânico e construção artesanal, o Armstrong Siddeley Star Sapphire representava o capítulo final de uma história marcada pela engenharia de precisão e pelo luxo discreto. Produzido entre 1958 e 1960, o modelo foi a evolução mais sofisticada da família Sapphire e uma das últimas expressões da vocação automobilística de uma empresa cuja experiência também estava profundamente ligada à indústria aeronáutica.
A Armstrong Siddeley, estabelecida em Coventry, desenvolveu o Star Sapphire como uma evolução do Sapphire 346, procurando oferecer mais potência, maior conforto e um comportamento dinâmico aprimorado para enfrentar concorrentes como Jaguar, Daimler e Bentley. Apresentado em outubro de 1958, o novo sedan conservava as proporções clássicas de um grande automóvel britânico, mas incorporava modificações importantes na carroceria e na mecânica. A linha dianteira ficou mais baixa, o capô ganhou um perfil mais elegante e a grade do radiador passou a apresentar um desenho próprio, sem avançar até o topo do capô como no antecessor. As portas dianteiras com dobradiças na extremidade dianteira também contribuíam para atualizar o conjunto, enquanto os novos elementos de acabamento reforçavam a identidade visual do modelo.
O conjunto mecânico era um dos principais destaques do automóvel. Sob o longo capô estava instalado um motor de 6 cilindros em linha, com 3.990 cm³, válvulas no cabeçote acionadas por varetas e balancins e alimentação por dois carburadores Zenith na versão sedan. A potência anunciada era de 170 cv a 4.250 rpm, acompanhada por um aumento expressivo de torque em relação ao Sapphire 346. A transmissão automática Borg-Warner DG, de 3 velocidades, era equipamento de série no sedan e oferecia funcionamento suave, com um comando que permitia manter marchas intermediárias em determinadas condições. A direção hidráulica Burman e os freios a disco dianteiros Girling com assistência completavam um conjunto técnico avançado para um automóvel de luxo daquele período.
O interior seguia a tradição britânica de acabamento cuidadoso, com amplo emprego de materiais nobres, painel revestido em madeira e instrumentos de desenho clássico. Os bancos dianteiros individuais, os revestimentos elaborados das portas e o sistema de aquecimento independente para os passageiros traseiros demonstravam a preocupação com o conforto. A cabine acomodava até seis ocupantes, enquanto a posição de dirigir elevada e a direção assistida contribuíam para tornar o grande sedan mais fácil de conduzir no trânsito e nas estradas. A proposta não era a de um automóvel ostensivo, mas a de um companheiro refinado para longas viagens, capaz de combinar serenidade e desempenho.
Em 1960, o fabricante ampliou a gama com uma versão limusine de entre-eixos alongado, concebida para transportar até sete passageiros. Mais comprida e voltada especialmente ao transporte com motorista, ela utilizava o mesmo seis-cilindros de 4.0 litros, mas em configuração de carburador único, com potência declarada de 145 cv. A transmissão manual de 4 marchas era a opção habitual, embora a automática estivesse disponível. A produção total do Star Sapphire ficou em 903 sedans e 77 limusines, números que ajudam a explicar a raridade do modelo entre os automóveis britânicos de coleção.
O desempenho também estava à altura de suas ambições. Em um teste publicado pela revista britânica The Motor em 1959, o sedan automático alcançou 160 km/h de velocidade máxima e acelerou de 0 a 96 km/h em aproximadamente 14.8 segundos. Para um veículo de luxo com construção tradicional e dimensões generosas, eram números respeitáveis, acompanhados por comportamento rodoviário equilibrado e boa capacidade de frenagem. O Star Sapphire demonstrava que conforto e condução refinada não precisavam excluir um desempenho convincente.
Entretanto, o cenário empresarial já não favorecia a continuidade da divisão automobilística. Em 1960, a Armstrong Siddeley Motors foi incorporada à recém-formada Bristol Siddeley, cuja prioridade estava concentrada nos motores aeronáuticos. O desenvolvimento de um sucessor exigiria investimentos elevados, difíceis de justificar diante do volume reduzido de vendas e da rentabilidade limitada. Assim, a produção de automóveis foi encerrada, e o último veículo deixou a fábrica de Parkside, em Coventry, em 31 de julho de 1960. O Star Sapphire permaneceu como a expressão final de uma tradição industrial que havia procurado conciliar engenharia rigorosa, conforto e distinção.
Mais do que um sedan de luxo, o Armstrong Siddeley Star Sapphire de 1960 foi o canto do cisne de uma marca que soube imprimir personalidade própria ao automóvel britânico. Sua combinação de motor de 6 cilindros, transmissão automática, freios a disco e interior refinado representava o melhor da evolução técnica da empresa, enquanto sua produção limitada lhe garantiu um lugar especial na história dos clássicos ingleses.
















































