1934 - AUSTIN TEN-FOUR COLWYN CABRIOLET
Na Inglaterra de 1934, em um período marcado por transformações econômicas e pela crescente popularização do automóvel, a Austin Motor Company consolidava sua posição como um dos fabricantes mais importantes do país. Sua estratégia consistia em oferecer veículos robustos, relativamente acessíveis e capazes de atender às necessidades de diferentes perfis de consumidores. Entre os modelos que melhor representavam essa filosofia estava o Austin Ten-Four Colwyn Cabriolet, uma elegante interpretação conversível do popular automóvel familiar Ten-Four, que combinava a praticidade de um veículo de quatro lugares com o charme de uma carroceria aberta.
A história do Austin Ten começou em abril de 1932, quando a empresa apresentou um novo modelo intermediário, posicionado entre o pequeno Seven e os automóveis maiores da linha Austin. Conhecido também como Ten-Four, em referência à classificação fiscal britânica de potência, o modelo rapidamente conquistou espaço no mercado graças à combinação de dimensões compactas, construção convencional, mecânica simples e custos de utilização relativamente baixos. Inicialmente oferecido como sedan de quatro portas, o Ten teve sua gama ampliada em 1933, quando passaram a ser disponibilizadas carrocerias alternativas, incluindo versões abertas e o Cabriolet Colwyn.
O Colwyn destacava-se pela proposta de reunir as características de um automóvel fechado e de um conversível tradicional. Sua carroceria de duas portas acomodava quatro ocupantes e apresentava uma capota retrátil de três posições, permitindo diferentes níveis de abertura conforme as condições climáticas. Diferentemente de um simples tourer, o modelo preservava os contornos superiores das portas e os elementos estruturais de um automóvel fechado, proporcionando maior proteção contra o vento e a chuva quando a capota estava levantada. As portas largas facilitavam o acesso ao banco traseiro, enquanto a traseira acomodava um compartimento destinado à bagagem.
Em 1934, o Ten-Four recebeu importantes aprimoramentos mecânicos e estruturais. O chassi foi reforçado, o sistema elétrico passou a operar em 12 volts e a transmissão manual de 4 velocidades recebeu sincronização nas marchas superiores. Na configuração daquele ano, os exemplares ainda podiam apresentar a característica moldura cromada ao redor do radiador, antes da adoção posterior de uma grade inclinada e pintada na cor da carroceria. Esses detalhes ajudam a distinguir os primeiros Colwyn dos exemplares produzidos nas temporadas seguintes.
O interior seguia uma concepção bastante tradicional para a época, com bancos amplos revestidos em materiais resistentes, painel de instrumentos de desenho simples e comandos de fácil acesso. A instrumentação incluía velocímetro e indicadores básicos de funcionamento, enquanto o volante de grandes dimensões e a posição de condução elevada refletiam a arquitetura dos automóveis britânicos daquele período. Embora não fosse um esportivo propriamente dito, o Colwyn oferecia uma experiência de condução agradável, especialmente em passeios pelo campo e viagens pelas estradas rurais inglesas.
A motorização utilizava um quatro-cilindros em linha de 1.125 cm³, com válvulas laterais (side-valve) e três mancais principais no virabrequim. Alimentado por carburador, o propulsor desenvolvia aproximadamente 23 cv, potência modesta, mas adequada à proposta de um automóvel familiar compacto. A transmissão manual de 4 velocidades enviava a força às rodas traseiras por meio de um eixo cardan, enquanto o conjunto mecânico privilegiava durabilidade, simplicidade de manutenção e economia de utilização.
O chassi utilizava longarinas de aço e suspensão por molas semielípticas nos dois eixos, uma solução convencional e robusta. A direção era mecânica e os freios utilizavam acionamento por cabos, conforme a arquitetura original da família Ten. Com entre-eixos de aproximadamente 2.362 mm e dimensões relativamente compactas, o modelo apresentava comportamento previsível e era particularmente adequado às condições das estradas britânicas da década de 1930.
Um aspecto interessante da trajetória do Ten-Four foi sua importância comercial para a Austin. O modelo tornou-se o automóvel mais vendido do fabricante durante boa parte dos anos 1930 e permaneceu em produção, com sucessivas atualizações e diferentes carrocerias, até 1947. A família inteira alcançou aproximadamente 290 mil unidades, embora esse número inclua sedans, conversíveis, tourers e veículos comerciais. O Colwyn, naturalmente, representava uma parcela muito menor desse total.
O Austin Ten-Four Colwyn Cabriolet de 1934 representa uma interessante faceta da indústria automobilística britânica anterior à Segunda Guerra Mundial. Não era um automóvel de luxo nem pretendia competir com os esportivos mais sofisticados da época. Sua proposta era oferecer a liberdade de um conversível, a acomodação de um automóvel familiar e a confiabilidade de uma mecânica simples. Um pequeno clássico que traduz muito bem o espírito de uma época em que o automóvel começava a se tornar cada vez mais presente na vida cotidiana das famílias britânicas.



















