2009 - BENTLEY AZURE
Em uma época na qual os conversíveis de luxo começavam a adotar motores menores, tecnologias eletrônicas cada vez mais complexas e desenhos de inspiração esportiva, o Bentley Azure de 2009 preservava uma concepção tradicional de grand touring: dimensões monumentais, motor V8 de grande cilindrada, acabamento artesanal e espaço para quatro ocupantes viajarem com conforto excepcional. A segunda geração do Azure havia sido apresentada em 2006, após uma pausa de três anos na linhagem, e representava a interpretação mais sofisticada da Bentley para um conversível de quatro lugares. Desenvolvido sob a administração do Grupo Volkswagen, o modelo combinava a tradição da marca de Crewe com recursos modernos de engenharia e segurança.
Suas proporções transmitiam imponência. Com aproximadamente 5.41 metros de comprimento e entre-eixos de 3.12 metros, o Azure possuía um longo capô, para-brisa inclinado e traseira volumosa, enquanto a capota de tecido, acionada eletricamente, permitia transformar o automóvel em um elegante conversível. A carroceria derivava da arquitetura do sedan Arnage, mas precisou receber reforços estruturais específicos para compensar a ausência do teto rígido. Travessas adicionais, reforços nas soleiras e nos pilares dianteiros e uma estrutura de proteção contra capotamento contribuíam para a rigidez e a segurança. O conjunto preservava linhas clássicas, com grade frontal vertical, faróis arredondados e detalhes cromados que reforçavam a identidade visual da Bentley.
Sob o capô encontrava-se um dos motores mais emblemáticos da história do fabricante: o V8 de 6.761 cm³, com bloco e cabeçotes de alumínio, comando de válvulas no bloco e duas válvulas por cilindro. Alimentado por injeção eletrônica e equipado com dois turbocompressores, o propulsor desenvolvia 456 cv a 4.100 rpm, além de expressivos 875 Nm de torque a apenas 1.800 rpm. Essa abundância de força em baixas rotações permitia acelerar com desenvoltura mesmo diante de uma massa próxima de 2.7 toneladas. A transmissão automática ZF de 6 velocidades, com modos esportivo e semiautomático, enviava a potência às rodas traseiras, privilegiando mudanças suaves e uma entrega progressiva de desempenho.
Apesar de seu porte, o Azure apresentava números dignos de um automóvel de alto desempenho. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorria em aproximadamente 5.9 segundos, enquanto a velocidade máxima alcançava cerca de 274 km/h. A suspensão independente utilizava braços duplos triangulares nas quatro rodas, molas helicoidais e amortecimento adaptativo eletro-hidráulico, com controle eletrônico destinado a equilibrar conforto e estabilidade. Os freios a disco ventilados, o ABS, o controle de estabilidade e os sistemas de distribuição da força de frenagem ajudavam a administrar a energia de um veículo tão pesado. A proposta, entretanto, não era a agilidade de um esportivo compacto: o Azure foi concebido para cruzar grandes distâncias em ritmo elevado, com serenidade e refinamento.
No interior, a tradição artesanal da Bentley alcançava seu auge. Couro selecionado, painéis revestidos em madeira nobre, superfícies cuidadosamente acabadas e comandos metálicos criavam uma atmosfera de luxo clássico. Os bancos dianteiros ofereciam ajustes elétricos, enquanto os passageiros traseiros dispunham de espaço generoso para um conversível de duas portas. A lista de equipamentos incluía climatização automática e sistema de áudio sofisticado; entre as opções disponíveis estava o Naim for Bentley, sistema de alta fidelidade com amplificador de 1.100 watts e dez alto-falantes, desenvolvido para oferecer uma experiência sonora de alto nível mesmo com a capota recolhida. O porta-malas de aproximadamente 310 litros também permitia acomodar bagagem para viagens, reforçando a vocação de grand tourer.
O ano de 2009 marcou a chegada de uma versão ainda mais potente, o Azure T, apresentada no Salão de Los Angeles no final de 2008. Com alterações no motor V8 biturbo, a versão esportiva alcançava 507 cv e 1.000 Nm de torque, acelerava de 0 a 100 km/h em cerca de 5.5 segundos e atingia 288 km/h. Visualmente, diferenciava-se por rodas de 20 polegadas, grades escurecidas, saídas de escapamento duplas e detalhes externos específicos. A versão T ampliava a dimensão esportiva do modelo sem abandonar o luxo e a suavidade que caracterizavam o Azure convencional.
A produção da segunda geração terminou em 2009, encerrando uma fase particularmente representativa da Bentley moderna. Em um mercado cada vez mais orientado para conversíveis esportivos e modelos de menor porte, o Azure permaneceu fiel à ideia de que o verdadeiro luxo poderia combinar espaço, potência abundante, materiais nobres e uma condução tranquila. O Bentley Azure de 2009 foi um dos últimos grandes conversíveis britânicos a transformar a viagem em uma experiência de cerimônia e conforto, sem abrir mão da capacidade de percorrer estradas a velocidades elevadas. Mais do que um automóvel de prestígio, era a expressão de uma tradição na qual a sofisticação não precisava ser demonstrada por excessos visuais: bastava abrir a capota, ouvir o V8 trabalhar em baixa rotação e deixar a estrada passar.






















































