1957 - BENTLEY S1 CONTINENTAL PARK WARD DROPHEAD COUPE BROWN
Na segunda metade dos anos 1950, a Bentley começava a transformar a tradição esportiva da marca em uma nova interpretação de luxo e desempenho. O resultado foi o S1 Continental, apresentado em 1955 como sucessor do célebre R-Type Continental e produzido exclusivamente como chassi para receber carrocerias especiais. Enquanto o S1 convencional compartilhava sua arquitetura com o Rolls-Royce Silver Cloud, o Continental recebia motor mais potente, relações de transmissão mais longas e carrocerias mais leves e esportivas, criadas por renomados encarroçadores como H.J. Mulliner, Park Ward, James Young e Freestone & Webb. Ao todo, foram construídos aproximadamente 431 exemplares do S1 Continental entre 1955 e 1959, tornando-o desde o nascimento uma peça muito mais exclusiva que o S1 convencional.
Entre todas as interpretações, o Drophead Coupé da Park Ward talvez seja a mais fascinante. A história de seu desenho começou ainda com o R-Type Continental, quando o designer John Polwhele Blatchley - uma das figuras mais importantes do design britânico do pós-guerra - desenvolveu para a Park Ward uma elegante carroceria aberta. A solução foi posteriormente adaptada ao chassi ligeiramente mais longo do S1 Continental, dando origem ao Design Nº 700. O resultado combinava o longo capô, a cabine recuada, os para-brisas elegantemente inclinados e uma traseira de linhas extremamente limpas com uma capota de lona que podia transformar o luxuoso Grand Tourer em um sofisticado conversível. A carroceria utilizava painéis de alumínio, contribuindo para manter sob controle o peso de um automóvel que ainda carregava uma estrutura robusta e todos os equipamentos esperados de um Bentley.
Mecanicamente, o S1 Continental representava uma evolução significativa em relação aos Bentleys anteriores. Sob o enorme capô estava o tradicional seis-cilindros em linha de 4.887 cm³, com configuração inlet-over-exhaust (IOE), evolução do motor utilizado pela Rolls-Royce e Bentley desde décadas anteriores. Nos modelos Continental, a unidade recebia uma preparação mais adequada ao caráter esportivo, enquanto o conjunto utilizava relação de diferencial mais longa e um radiador de dimensões reduzidas. A partir de 1957, os exemplares mais tardios também receberam carburadores maiores e maior taxa de compressão, aumentando a disposição do motor. A transmissão automática de 4 velocidades tornou-se a escolha predominante, embora alguns Continental iniciais ainda pudessem ser encontrados com câmbio manual.
O desempenho era particularmente respeitável para um automóvel tão grande e luxuoso. O motor produzia cerca de 180 cv, enquanto o torque chegava a aproximadamente 370 Nm, suficiente para levar o elegante conversível a cerca de 166 km/h. Mais importante que números absolutos, porém, era a maneira como o Bentley entregava esse desempenho: silencioso, progressivo e extremamente refinado, características que permitiam ao S1 Continental atravessar longas distâncias em velocidades elevadas sem abandonar o conforto. Um exemplar testado pela revista britânica The Motor em 1957 alcançou 165 km/h e acelerou de 0 a 96 km/h em 13.1 segundos.
A exclusividade da versão Park Ward fica ainda mais evidente quando se observa sua produção. Há registros de 58 exemplares com volante à direita construídos com a carroceria Drophead Coupé Design 700, enquanto a produção com volante à esquerda foi de apenas 31 unidades, segundo registros de especialistas e historiadores da marca. Um dos exemplares mais conhecidos, por exemplo, foi entregue novo em 1957 ao magnata grego da navegação George Embiricos, em configuração originalmente pintada em dois tons.
Mais do que simplesmente retirar o teto de um grande coupé, a Park Ward conseguiu preservar a proporção elegante do Continental. O resultado é um automóvel de presença monumental, mas surpreendentemente equilibrado, no qual a enorme grade vertical da Bentley, os para-lamas longos e a cabine compacta formam uma silhueta que se tornou uma das expressões mais sofisticadas do automobilismo britânico dos anos 1950. O S1 Continental Park Ward Drophead Coupé representa justamente o momento em que a Bentley conseguiu conciliar o espírito dos antigos carros esportivos de Crewe com o novo conceito de Grand Tourer de luxo, antecipando uma filosofia que continuaria evoluindo nas décadas seguintes. Não por acaso, atualmente é considerado por muitos colecionadores um dos mais desejáveis Bentleys britânicos do pós-guerra.