1987 - CATERHAM SEVEN 1700 SUPER SPRINT
Na Inglaterra dos anos 1980, quando a indústria automobilística avançava em direção a carros cada vez mais sofisticados, eletrônicos e confortáveis, a Caterham Cars permanecia fiel a uma filosofia radicalmente diferente: reduzir o automóvel ao essencial para proporcionar a mais intensa experiência de condução possível. O Caterham Seven 1700 Super Sprint, produzido em 1987, representava uma das interpretações mais emblemáticas dessa ideia, combinando dimensões diminutas, peso extremamente baixo, motor Ford de 4 cilindros e tração traseira. Sem recorrer a equipamentos supérfluos ou tecnologias complexas, esse pequeno roadster britânico oferecia uma relação peso-potência capaz de desafiar esportivos muito maiores e mais caros.
A história do Seven remonta a 1957, quando Colin Chapman apresentou o Lotus Seven, um esportivo concebido segundo o princípio de que simplificar e aliviar eram caminhos fundamentais para melhorar o desempenho. Em 1973, a Caterham, até então concessionária da Lotus, adquiriu os direitos de fabricação do modelo e deu continuidade à sua produção, preservando o conceito original mesmo após a Lotus abandonar essa configuração. Ao longo dos anos seguintes, a Caterham aperfeiçoou a estrutura, a suspensão e a mecânica, criando diferentes versões para estrada e competição. O 1700 Super Sprint, lançado em 1984, tornou-se uma das variantes mais desejadas dessa linhagem, graças à combinação de um motor de maior cilindrada com a tradicional construção leve do Seven.
Visualmente, o modelo de 1987 preservava a silhueta praticamente inalterada que havia transformado o Seven em um ícone. A dianteira curta, os para-lamas dianteiros destacados, os faróis circulares expostos e o pequeno para-brisa compunham uma aparência funcional, na qual cada elemento parecia existir por uma razão específica. A carroceria combinava painéis de alumínio com componentes de fibra de vidro, enquanto o chassi tubular de aço oferecia a rigidez necessária sem acrescentar massa excessiva. A ausência de portas convencionais, o habitáculo aberto e as proporções compactas reforçavam a conexão direta entre condutor, máquina e estrada. Dependendo da configuração, o veículo podia receber capota de lona, proteções laterais removíveis, arco de segurança e diferentes opções de rodas e acabamentos. No Caterham, a leveza não era apenas uma característica técnica: constituía o princípio fundamental de todo o projeto.
O coração mecânico era o conhecido Ford Kent Crossflow de 1.699 cm³, um quatro-cilindros em linha com bloco de ferro fundido, cabeçote de alumínio e comando de válvulas no bloco. Na configuração do 1700 Super Sprint, o motor recebia preparação específica, incluindo dois carburadores Weber de corpo duplo, que favoreciam a alimentação em altas rotações. A potência chegava a aproximadamente 135 cv a 6.000 rpm, enquanto o torque alcançava cerca de 165 Nm a 4.500 rpm. A transmissão manual de 4 velocidades, derivada da utilizada no Ford Escort Sport, trabalhava em conjunto com o eixo traseiro rígido reforçado, proporcionando uma ligação mecânica direta e resistente. Uma caixa manual de 5 relações também podia ser encontrada em determinadas configurações.
Com peso em torno de 540 a 550 kg, o Caterham apresentava uma relação peso-potência extraordinária para um automóvel de rua dos anos 1980. A aceleração de 0 a 96 km/h ocorria em cerca de 5.6 segundos, enquanto a velocidade máxima ficava na faixa dos 180 a 190 km/h, dependendo da configuração e das condições de medição. Esses números eram especialmente expressivos para um veículo sem carroceria aerodinâmica fechada, cujo desempenho dependia muito mais da leveza e da resposta mecânica do que de recursos eletrônicos. A ausência de direção assistida e a utilização de freios sem assistência exigiam maior esforço físico do condutor, mas proporcionavam uma comunicação direta com os componentes do veículo.
A suspensão dianteira independente utilizava braços triangulares, molas helicoidais e amortecedores telescópicos, enquanto a traseira recorria ao tradicional eixo rígido com molas helicoidais e amortecedores. Alguns exemplares recebiam o sistema traseiro De Dion, uma alternativa que reduzia parte das massas não suspensas e aprimorava o comportamento dinâmico. Os freios combinavam discos na dianteira e tambores na traseira, dimensionados para um automóvel de massa reduzida. A direção de pinhão e cremalheira, rápida e direta, contribuía para a agilidade nas mudanças de trajetória, enquanto a distância entre-eixos curta favorecia a capacidade de contornar curvas com precisão. No Seven, o prazer de dirigir vinha da interação constante entre o condutor, a estrada e uma mecânica sem filtros eletrônicos.
O habitáculo seguia a mesma filosofia minimalista. Dois bancos individuais, um pequeno volante esportivo, instrumentos analógicos e comandos físicos compunham um ambiente despojado, no qual cada elemento tinha uma função específica. A proteção contra as intempéries dependia de equipamentos removíveis, como capota de lona e cortinas laterais, enquanto o espaço para bagagem era bastante limitado. O conforto também ficava em segundo plano diante da experiência de condução: ruídos mecânicos, vibrações e a ação direta do vento faziam parte do caráter do carro. Essa simplicidade, entretanto, tornava o Seven relativamente fácil de manter e permitia que muitos proprietários participassem da montagem e da preparação de seus próprios exemplares, uma tradição importante na história da Caterham.
O ano de 1987 também marcou uma etapa significativa para o fabricante, que transferiu sua produção para instalações maiores em Kennett Road, Dartford, na Inglaterra, acompanhando a expansão da empresa. A Caterham continuava desenvolvendo o Seven por meio de diferentes motorizações e configurações, enquanto ampliava sua presença nas competições. Em 1986, a criação do campeonato monomarca Super 7 Racing havia reforçado o vínculo entre o automóvel de rua e o automobilismo, contribuindo para consolidar a reputação do modelo entre os entusiastas da condução esportiva.
O Caterham Seven 1700 Super Sprint de 1987 permanece como um dos exemplos mais puros da engenharia esportiva britânica: pequeno, leve, mecanicamente simples e capaz de oferecer desempenho impressionante sem recorrer a motores de grande cilindrada. Em uma época na qual os automóveis começavam a incorporar cada vez mais recursos eletrônicos, ele preservava uma receita concebida três décadas antes, demonstrando que a redução de peso e a conexão entre homem e máquina continuavam sendo ingredientes fundamentais para um esportivo memorável.












































