1953 - COOPER-BRISTOL T23 MKII
Na Inglaterra de 1953, a Cooper já começava a demonstrar uma filosofia que mais tarde mudaria a própria Fórmula 1: construir carros extremamente leves, compactos e simples, capazes de compensar com agilidade aquilo que lhes faltava em potência absoluta. O Cooper T23, oficialmente denominado Cooper MkII e amplamente conhecido como Cooper-Bristol MkII, nasceu justamente dessa busca. Projetado por Owen Maddock para a temporada de Fórmula 2 de 1953, era uma evolução do T20 MkI e mantinha uma característica que naquele momento ainda dominava os monopostos britânicos: motor dianteiro e tração traseira. A grande diferença estava na evolução da estrutura tubular, no trabalho aerodinâmico da carroceria de alumínio e, principalmente, na redução de peso.
O coração do T23 era o conhecido Bristol BS1, um seis-cilindros em linha de 1.971 cm³, naturalmente aspirado, derivado tecnicamente da arquitetura do BMW 328 e desenvolvido pela Bristol Aeroplane Company no pós-guerra. Na especificação de competição do T23, o motor empregava cabeçote e bloco de ferro fundido, comando OHV e três carburadores Solex 32 BI, produzindo cerca de 150 cv a 5.800 rpm. Em um automóvel que pesava apenas 471 kg, essa potência representava uma relação peso/potência de aproximadamente 319 cv por tonelada, valor bastante expressivo para a época. A transmissão era uma caixa manual Bristol de 4 velocidades, enquanto a suspensão combinava braços inferiores na dianteira com molas transversais semielípticas na traseira, auxiliadas por amortecedores telescópicos Armstrong.
Visualmente, o T23 era muito diferente dos monopostos mais volumosos que ainda dominavam as pistas europeias. Seu corpo baixo e estreito envolvia uma estrutura espacial de tubos de aço, com o seis-em-linha instalado longitudinalmente à frente do piloto. A preocupação de Maddock com a redução de massa era acompanhada por um desenho limpo, de superfícies curvas e entradas de ar cuidadosamente integradas à dianteira. O sistema de freios também recebeu atenção especial, com tambores hidráulicos Lockheed em todas as rodas, incluindo os grandes tambores Alfin de liga leve associados aos exemplares mais preparados. O resultado era um carro concebido para frear tarde, mudar de direção rapidamente e explorar sua leveza em circuitos sinuosos.
A temporada de 1953 mostrou que o Cooper-Bristol estava longe de ser apenas um projeto promissor. Bob Gerard, Ken Wharton, Horace Gould, Alan Brown e outros pilotos levaram o T23 para praticamente toda a cena britânica de Fórmula 2, enquanto o carro também apareceu em nove Grandes Prêmios do Campeonato Mundial entre 1953 e 1956, já que naquela temporada os monopostos de Fórmula 2 de 2.0 litros formavam a base das corridas do campeonato. No Grande Prêmio da Suíça de 1953, Ken Wharton terminou em sétimo, então o melhor resultado do T23 em uma prova válida pelo Mundial. No GP da Grã-Bretanha, Wharton chegou em oitavo, mostrando que o pequeno Cooper podia permanecer entre máquinas muito mais renomadas.
Nos eventos nacionais, entretanto, o T23 encontrava um terreno ainda mais favorável. Em 3 de outubro de 1953, no Joe Fry Memorial Trophy, em Castle Combe, Bob Gerard venceu com um Cooper T23-Bristol, enquanto Horace Gould e Ken Wharton completaram o pódio - todos em T23. Poucos dias depois, em Snetterton, Gerard também venceu o Curtis Trophy com outro T23-Bristol, estabelecendo ainda a volta mais rápida da prova. Antes disso, o modelo já havia terminado em segundo em Snetterton e em outras competições britânicas, construindo uma reputação sólida entre os pilotos privados.
Existe ainda uma interessante característica histórica no T23: embora seja hoje lembrado principalmente por sua associação com os Bristol de 6 cilindros, cada exemplar sofreu adaptações e modificações ao longo de sua vida esportiva, e alguns chassis receberam motores diferentes em períodos posteriores. O próprio CB/4/53, pilotado originalmente por Bob Gerard, passou por uma longa carreira, chegou a receber um motor ampliado para 2.170 cm³ e mais tarde foi convertido para outras configurações antes de ser restaurado novamente de acordo com a especificação Cooper-Bristol MkII.
O Cooper-Bristol T23 MkII ocupa, assim, uma posição particularmente interessante na história da Cooper. Ainda era um monoposto de motor dianteiro, pesado apenas o necessário e construído com uma simplicidade quase artesanal, mas já incorporava a filosofia de engenharia que logo levaria a marca de Surbiton para uma nova era. Em vez de buscar somente mais cavalos, a Cooper procurava retirar quilos, melhorar a distribuição de massa e permitir que o piloto explorasse cada curva com precisão. O T23 foi um dos últimos capítulos importantes dessa primeira geração antes que a solução de motor traseiro, inicialmente vista como ousada, começasse a transformar completamente o automobilismo de alto nível.