1984 - FERRARI F512 BBi
Passando por Maranello no início da década de 1980 vamos conhecer um dos modelos mais emblemáticos da era dos superesportivos de motor central da marca: o impressionante Ferrari F512 BBi.
Para compreender a importância desse carro, é necessário voltar alguns anos no tempo. Em 1973, durante o Salão de Turin, a Ferrari apresentou um modelo revolucionário chamado Ferrari F365 GT4 BB. O nome Berlinetta Boxer, ou simplesmente BB, identificava um novo tipo de supercarro da marca: um esportivo de motor central-traseiro com configuração de 12 cilindros opostos horizontalmente.
Esse layout representava uma mudança significativa na filosofia da Ferrari. Até então, a maioria dos seus grandes esportivos V12 utilizava motor dianteiro. O Berlinetta Boxer, por outro lado, aproximava a tecnologia da Ferrari das soluções utilizadas em carros de competição, melhorando o equilíbrio e a distribuição de peso.
Em 1976, o modelo evoluiu para o Ferrari F512 BB, que recebeu um motor maior e diversas melhorias técnicas. Finalmente, em 1981, surgiria a versão mais refinada e tecnologicamente avançada da linhagem: o F512 BBi, cuja produção se estenderia até 1984.
Visualmente, o F512 BBi preservava a silhueta dramática que havia tornado o Berlinetta Boxer famoso. O design era obra da tradicional casa de design Pininfarina, responsável por criar um dos perfis mais elegantes e agressivos da década de 1970. A carroceria baixa e larga, com frente afilada e traseira musculosa, transmitia imediatamente a sensação de potência e velocidade.
A dianteira apresentava faróis escamoteáveis e linhas horizontais limpas, enquanto as grandes entradas de ar laterais alimentavam o motor central. A traseira, larga e imponente, revelava as clássicas lanternas circulares duplas da Ferrari e quatro saídas de escapamento, reforçando o caráter brutal do carro.
No coração do F512 BBi estava um impressionante motor flat-12 de 4.9 litros, montado longitudinalmente em posição central. Apesar do apelido ‘boxer’, o propulsor utilizava na verdade uma arquitetura de 12 cilindros opostos derivada dos motores de competição da Ferrari.
A grande novidade da versão BBi era o sistema de injeção eletrônica Bosch K-Jetronic, que substituiu os carburadores presentes nas versões anteriores. Essa mudança melhorou a eficiência, a confiabilidade e o comportamento do motor, além de ajudar o carro a atender às normas de emissões cada vez mais rigorosas da época.
O resultado era uma potência de cerca de 340 cv, suficiente para levar o superesportivo a velocidades próximas de 280 km/h. Mais do que os números, porém, o F512 BBi impressionava pela forma como entregava essa potência: com aceleração vigorosa, estabilidade notável e o som inconfundível de um V12 italiano trabalhando logo atrás da cabine.
No interior, o ambiente refletia o luxo esportivo típico da Ferrari dos anos 1980. Bancos revestidos em couro, instrumentação completa voltada para o condutor e uma posição de condução baixa e envolvente criavam uma atmosfera digna de um supercarro de elite.
Dirigir um F512 BBi era uma experiência intensa. O chassi rígido, a suspensão firme e o motor potente exigiam respeito do condutor, mas recompensavam com uma sensação de controle e desempenho que poucos carros da época conseguiam igualar.
Em 1984, o modelo chegou ao fim de sua produção, abrindo caminho para um sucessor que se tornaria igualmente lendário: o Ferrari Testarossa. Esse novo modelo herdaria a filosofia de motor central e 12 cilindros do Berlinetta Boxer, levando-o a um novo nível de sofisticação e notoriedade.
Existe ainda uma curiosidade interessante sobre o F512 BBi: durante muito tempo ele foi considerado um dos Ferraris mais ‘puros’ da era moderna, justamente por ser o último grande supercarro da marca antes da explosão de popularidade e produção que viria com o Testarossa. Por isso, muitos colecionadores o veem hoje como o capítulo final da linhagem Berlinetta Boxer, uma família de automóveis que ajudou a redefinir o conceito de supercarro italiano.
Assim, o Ferrari F512 BBi de 1984 permanece como um símbolo de transição entre duas eras: o refinamento mecânico dos supercarros dos anos 1970 e a exuberância tecnológica que marcaria a Ferrari nas décadas seguintes. Um verdadeiro ícone de Maranello.