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1995 - FORD MUSTANG SVT COBRA

Na primeira metade dos anos 1990, a Ford procurava recuperar o protagonismo do Mustang no segmento dos esportivos norte-americanos, diante de uma concorrência cada vez mais sofisticada. A resposta veio, em grande parte, do trabalho da Special Vehicle Team (SVT), divisão criada pela Ford em 1991 para desenvolver automóveis de alto desempenho com preparação específica de motor, suspensão, freios e acabamento. Depois da estreia do Mustang SVT Cobra em 1993, a chegada da quarta geração do Mustang, em 1994, proporcionou uma nova oportunidade para aprimorar essa fórmula. Em 1995, o Mustang SVT Cobra já estava consolidado como uma das interpretações mais interessantes do tradicional coupé esportivo americano.

O modelo utilizava a plataforma SN95, introduzida em 1994, que representava uma evolução estrutural da arquitetura Fox utilizada desde 1979. O desenho preservava elementos tradicionais do Mustang, como o longo capô, a cabine recuada e a traseira curta, mas apresentava superfícies mais arredondadas e uma aparência mais contemporânea. A dianteira recebia faróis integrados à carroceria, grade discreta e entradas de ar inferiores, enquanto as laterais apresentavam linhas suaves e para-lamas pronunciados. Na versão Cobra, emblemas específicos, rodas de liga leve de cinco raios e detalhes aerodinâmicos identificavam a configuração de maior desempenho.

A grande estrela mecânica continuava sendo o conhecido Ford Windsor V8 de 4.949 cm³ (5.0 litros), com bloco e cabeçotes de ferro fundido, comando de válvulas central no bloco, acionamento por varetas e duas válvulas por cilindro. A unidade recebeu componentes específicos desenvolvidos pela SVT, incluindo cabeçotes GT-40, coletor de admissão aperfeiçoado e calibragem própria do sistema de injeção eletrônica sequencial. O resultado era uma potência de 240 cv a 4.800 rpm e torque de 386 Nm a 4.000 rpm.

A transmissão era manual Borg-Warner T-5 de 5 velocidades, com relações ajustadas à proposta esportiva, enviando a força às rodas traseiras por meio de um diferencial de deslizamento limitado. O conjunto permitia ao Mustang acelerar de 0 a 96 km/h em aproximadamente 6.3 segundos e percorrer o quarto de milha em cerca de 14.1 segundos, com velocidade de saída próxima de 163 km/h. A velocidade máxima ficava na região dos 225 km/h.

A preparação da SVT não se limitava ao motor. A suspensão dianteira utilizava arquitetura independente com colunas modificadas, molas helicoidais e barra estabilizadora, enquanto a traseira mantinha o tradicional eixo rígido, com braços longitudinais e molas helicoidais. Os amortecedores, as molas e as barras estabilizadoras receberam calibragens específicas para proporcionar maior controle da carroceria. O sistema de frenagem era particularmente importante: discos ventilados de 330 mm na dianteira, com pinças PBR de dois pistões, e discos traseiros de 296 mm, complementados pelo sistema ABS.

As rodas de liga leve de cinco raios, com 17 polegadas, utilizavam pneus Goodyear Eagle GS-C de alto desempenho, na medida P255/45 ZR17. Essa combinação, associada aos aprimoramentos do chassi, proporcionava uma capacidade de condução bastante superior àquela encontrada no Mustang convencional.

O habitáculo mantinha a configuração 2+2, com bancos esportivos, instrumentação completa e acabamento específico da versão Cobra. Os revestimentos podiam ser em tecido ou couro, enquanto a lista de equipamentos incluía direção hidráulica, ar-condicionado e vidros elétricos, dependendo da configuração. O modelo estava disponível tanto como coupé fechado quanto como conversível, este último com capota elétrica e acabamento interno próprio.

Um capítulo especial dessa história foi escrito pelo Mustang SVT Cobra R de 1995, uma versão ainda mais radical, concebida para utilização em competições e eventos de pista. Diferentemente do Cobra convencional, utilizava um V8 Windsor de 5.8 litros, com 300 cv e 495 Nm de torque, associado a uma transmissão manual Tremec de 5 velocidades. Para reduzir peso, eliminava o banco traseiro, o sistema de áudio, os vidros elétricos e o ar-condicionado. Recebia ainda suspensão mais rígida, reforços estruturais e um tanque de combustível de maior capacidade. Foram produzidas somente 250 unidades, todas pintadas na cor Crystal White.

A produção do Mustang SVT Cobra convencional de 1995 totalizou aproximadamente 5.008 unidades, sendo 4.005 coupés e 1.003 conversíveis. Somando-se as 250 unidades da versão Cobra R, a produção de todas as configurações Cobra daquele ano chegou a 5.258 exemplares.

O ano de 1995 também marcou o encerramento de uma importante etapa da história do Mustang SVT Cobra. Em 1996, a Ford substituiria o tradicional V8 de 5.0 litros pelo novo modular de 4.6 litros, com duplo comando de válvulas no cabeçote e 32 válvulas, inaugurando uma nova fase tecnológica para a linhagem.

O Ford Mustang SVT Cobra de 1995 representa, portanto, uma interessante combinação entre a tradição dos grandes V8 americanos e o trabalho de aperfeiçoamento realizado por uma divisão especializada em desempenho. Foi um dos últimos representantes da geração equipada com o clássico Windsor 5.0, reunindo potência, personalidade mecânica e uma dinâmica mais refinada que a dos Mustang convencionais.