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1939 - FRAZER NASH-BMW 328

Na Inglaterra do final dos anos 1930, um dos esportivos mais desejados pelos entusiastas da condução não era inteiramente britânico em sua concepção: o Frazer Nash-BMW 328, um automóvel alemão comercializado no Reino Unido por meio de uma parceria que uniu duas tradições esportivas. A Frazer Nash, conhecida originalmente por seus carros leves com transmissão por correntes, encontrou na BMW uma nova direção para seus negócios ao assumir a importação dos modelos alemães. O resultado foi uma pequena série de esportivos com volante à direita e emblemas Frazer Nash-BMW, que rapidamente conquistaram reputação nas estradas e nos circuitos europeus.

A história dessa associação começou em 1934, quando Harold Aldington, da AFN Ltd., ficou impressionado com os automóveis esportivos da BMW durante uma competição alpina. O acordo de importação permitiu que os modelos fossem vendidos no mercado britânico sob a designação Frazer Nash-BMW. A chegada do BMW 328, em 1936, elevou essa parceria a outro patamar. Projetado para combinar baixo peso, chassi rígido e mecânica eficiente, o 328 tornou-se um dos esportivos de 2.0 litros mais admirados de sua geração. Entre 1937 e 1939, 48 exemplares foram importados para o Reino Unido como Frazer Nash-BMW, muitos destinados a condutores que também participavam de provas automobilísticas.

O desenho do 328 era um dos seus maiores trunfos. A dianteira longa, com a grade vertical característica da BMW, os para-lamas independentes de formas sinuosas e a traseira compacta criavam uma silhueta atlética, reforçada pelas rodas raiadas e pelo pequeno habitáculo de dois lugares. A carroceria de produção combinava estruturas tradicionais com painéis metálicos, enquanto a capota conversível permitia utilizar o automóvel em diferentes condições climáticas. Nos exemplares destinados à Grã-Bretanha, a conversão para volante à direita e os emblemas Frazer Nash-BMW distinguiam os carros preparados para aquele mercado.

A engenharia, desenvolvida sob a direção de Fritz Fiedler, era particularmente sofisticada para a época. O chassi tubular leve e rígido combinava suspensão dianteira independente por feixe de molas transversal, eixo traseiro rígido e direção por pinhão e cremalheira. O motor de 6 cilindros em linha, com 1.971 cm³, utilizava um cabeçote especial com câmaras de combustão hemisféricas e válvulas inclinadas, acionadas por varetas e balancins a partir de um único comando instalado no bloco. Essa solução permitia melhorar o fluxo dos gases sem recorrer à configuração mais complexa de dois comandos de válvulas no cabeçote. Com três carburadores em sua configuração esportiva, o propulsor desenvolvia aproximadamente 80 cv a 5.000 rpm, entregando potência expressiva para um carro tão leve. A transmissão manual de 4 velocidades e os freios hidráulicos completavam o conjunto.

Nas estradas, o BMW 328 era capaz de atingir aproximadamente 150 km/h, enquanto sua agilidade e estabilidade o tornavam especialmente competitivo em percursos sinuosos. O modelo confirmou suas qualidades nas pistas: venceu sua categoria na Mille Miglia de 1938 e conquistou resultados importantes no Tourist Trophy, em Le Mans e nas 24 Horas de Spa. Em 1938, um Frazer Nash-BMW de configuração próxima à de produção também superou a marca de 100 milhas em uma hora no circuito de Brooklands, na Inglaterra. Essas conquistas consolidaram a reputação do 328 como uma das referências entre os esportivos de 2.0 litros do período.

O ano de 1939, entretanto, marcou o encerramento de uma fase. A produção do BMW 328 terminou com o agravamento da situação política europeia e a eclosão da Segunda Guerra Mundial. A produção total ficou em torno de 426 exemplares, segundo os registros históricos consultados, dos quais apenas 48 foram importados para a Grã-Bretanha pela AFN. Seis chassis enviados no outono de 1939 foram retidos pelas autoridades alfandegárias britânicas após o início da guerra, permanecendo armazenados até o fim do conflito. Essa circunstância contribuiu para a raridade dos carros britânicos e para a diversidade de suas histórias individuais.

O Frazer Nash-BMW 328 de 1939 permanece como um símbolo da colaboração automobilística entre dois países às vésperas de um conflito que transformaria a indústria europeia. Sua combinação de baixo peso, motor eficiente, comportamento dinâmico e sucesso nas competições antecipava características que se tornariam fundamentais nos esportivos do pós-guerra. Para a Frazer Nash, a parceria também deixaria um legado técnico importante: a experiência acumulada com a BMW ajudaria a orientar os modelos britânicos que voltariam a ser produzidos depois de 1945.