1971 - HOLDEN HG MONARO GTS 308
Na Austrália do início dos anos 1970, quando os grandes motores V8 e os coupés de duas portas ocupavam um lugar especial na cultura automobilística local, o Holden HG Monaro GTS 308 representava uma das expressões mais autênticas do esportivo de fabricação australiana. Lançada em julho de 1970, a série HG foi a última evolução da primeira geração do Monaro, modelo apresentado em 1968 que ajudou a estabelecer a identidade dos muscle cars australianos. Com carroceria de linhas musculosas, configuração de coupé sem coluna central entre as janelas laterais e um motor V8 de 5.0 litros sob o capô, o GTS combinava desempenho, presença visual e a praticidade necessária para circular nas estradas do país. Em 1971, às vésperas da chegada da nova série HQ, esse Monaro simbolizava o encerramento de uma importante etapa da história da Holden.
O desenho do HG era uma evolução cuidadosa do modelo HT, seu antecessor. A dianteira recebeu uma grade de plástico ABS com desenho mais discreto, enquanto as lanternas traseiras foram redesenhadas para se integrar visualmente à traseira. No GTS, a combinação de áreas escurecidas, painel traseiro preto e detalhes mais contidos conferia ao coupé uma aparência esportiva sem recorrer a grafismos exagerados. A eliminação de molduras decorativas nas laterais e nos arcos das rodas, junto aos painéis escuros na parte inferior da carroceria, reforçava sua postura baixa e larga. O resultado era um automóvel que transmitia força por meio das proporções e dos contrastes, mantendo a elegância característica dos coupés australianos daquele período.
O grande protagonista era o V8 Holden 308, com 5.047 cm³ de cilindrada, construção tradicional com comando de válvulas no bloco e alimentação por carburador. Desenvolvido localmente, esse motor representava uma alternativa ao V8 Chevrolet de 350 polegadas cúbicas, reservado à versão mais potente, o Monaro GTS 350. Na configuração 308, o conjunto privilegiava a entrega de força em baixas e médias rotações, característica importante para um coupé de tração traseira concebido tanto para estradas abertas quanto para uma condução esportiva. A potência e o torque exatos variavam conforme a especificação e o padrão de medição utilizado nas fontes históricas, razão pela qual é preferível não apresentar números sem uma referência técnica inequívoca.
A transmissão podia ser manual de 4 velocidades ou automática de 3 relações, esta última associada à caixa Trimatic, que ampliou as possibilidades de utilização dos modelos Holden da época. A força era enviada às rodas traseiras, enquanto a suspensão e os freios receberam aperfeiçoamentos em relação às séries anteriores. No HG GTS, a calibração da suspensão dependia da motorização e da transmissão: as versões 308 com câmbio manual mantinham uma configuração mais firme, enquanto os GTS com motores menores e câmbio automático podiam oferecer um acerto mais voltado ao conforto. Os freios a disco dianteiros também receberam rotores mais espessos, acompanhando a evolução do conjunto mecânico.
A importância histórica do HG Monaro GTS 308 está também no momento em que surgiu. O Monaro original havia conquistado reconhecimento nas competições australianas, incluindo vitórias em Bathurst nas temporadas de 1968 e 1969, e ajudado a consolidar a imagem da Holden como fabricante de automóveis capazes de combinar desempenho e utilização cotidiana. A série HG manteve essa tradição, mas teve vida relativamente curta: foi produzida de julho de 1970 a julho de 1971, quando a nova geração HQ chegou com carroceria inteiramente redesenhada. Com ela, o Monaro ganhou proporções mais amplas e uma nova identidade visual, encerrando a fase inicial do coupé que havia dado origem à sua reputação.
O Holden HG Monaro GTS 308 de 1971 permanece como um retrato expressivo da cultura automobilística australiana, quando motores V8 de grande cilindrada, carrocerias de duas portas e tração traseira definiam o caráter dos esportivos nacionais. Menos extremo que o GTS 350, mas dotado de um V8 de fabricação local e de um estilo inconfundível, ele representava um equilíbrio entre força, elegância e versatilidade. Era o fim de uma geração, mas também a consolidação de um dos nomes mais emblemáticos da indústria automotiva da Austrália.

















































































































































































