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1932 - MG D-TYPE TOURER

Nossa viagem pelo tempo nos leva à Inglaterra do início dos anos 1930, período em que a indústria automobilística britânica vivia uma fase particularmente interessante, marcada pela popularização dos pequenos automóveis esportivos. Nesse cenário, a MG (Morris Garages), fabricante de Abingdon-on-Thames, desenvolvia modelos compactos que ofereciam uma combinação atraente de desempenho, estilo e preço relativamente acessível. Entre eles estava o curioso MG D-Type Midget, apresentado em 1931 e produzido até 1932, cuja versão Tourer de quatro lugares representava uma tentativa de ampliar o conceito dos pequenos esportivos da marca.

O D-Type nasceu de uma combinação de componentes de dois modelos anteriores: aproveitava a arquitetura do chassi do esportivo de competição C-Type e utilizava o conjunto mecânico do popular M-Type Midget. A intenção era bastante clara: oferecer a agilidade e a personalidade de um MG esportivo, mas com espaço suficiente para transportar quatro ocupantes. Era uma proposta interessante para os consumidores que desejavam um automóvel de caráter esportivo sem abrir mão de alguma praticidade cotidiana.

A carroceria do D-Type Tourer apresentava proporções bastante peculiares. Embora derivasse de um pequeno esportivo de dois lugares, seu habitáculo havia sido ampliado para acomodar dois passageiros adicionais na parte traseira. O resultado era um automóvel compacto, com capô relativamente longo, para-brisa vertical dividido, para-lamas dianteiros independentes e uma traseira mais volumosa para acomodar os assentos posteriores.

As portas dianteiras, articuladas na parte frontal, apresentavam recortes que facilitavam o acesso ao habitáculo. Como não havia um porta-malas convencional, a roda sobressalente era instalada externamente na traseira da carroceria. As rodas raiadas com fixação central completavam o visual característico dos pequenos esportivos britânicos daquele período.

Um detalhe interessante estava nos para-lamas dianteiros, que possuíam uma cobertura interna destinada a reduzir a quantidade de água e sujeira projetada pelas rodas sobre os ocupantes. A capota de lona conversível permitia transformar rapidamente o automóvel em um aberto esportivo, enquanto a configuração de quatro lugares ampliava suas possibilidades de utilização.

O D-Type também foi oferecido em uma configuração fechada denominada Salonette, com carroceria compacta de duas portas. Entretanto, o Tourer aberto foi, de longe, a variante mais representativa da produção.

Sob o longo capô estava instalado um motor de 4 cilindros em linha, com 847 cm³ de cilindrada, derivado daquele utilizado no MG M-Type Midget. Tratava-se de um propulsor com comando de válvulas no cabeçote (OHC), alimentação por carburador SU e refrigeração líquida.

Na especificação mais conhecida, desenvolvia aproximadamente 27 cv a 4.500 rpm, uma potência respeitável para um pequeno automóvel esportivo daquela época. A transmissão era manual de 3 velocidades, sem sincronização, embora uma caixa de 4 marchas pudesse ser encomendada como opcional nas unidades posteriores.

A potência era enviada às rodas traseiras, enquanto o chassi utilizava uma estrutura do tipo escada, com elementos tubulares transversais e configuração derivada do C-Type. A suspensão empregava eixos rígidos dianteiro e traseiro, molas semielípticas e amortecedores de fricção Hartford. As rodas raiadas utilizavam freios a tambor de acionamento mecânico por cabos, com oito polegadas de diâmetro.

Uma característica importante foi a evolução do entre-eixos durante a produção. Os primeiros 100 exemplares utilizavam uma distância entre eixos de 2.134 mm, posteriormente ampliada para 2.184 mm, proporcionando espaço adicional para a carroceria de quatro lugares.

Apesar de sua aparência esportiva e de utilizar componentes derivados de um modelo de competição, o D-Type apresentava uma limitação importante: o peso adicional da carroceria e dos passageiros comprometia o desempenho do pequeno motor de 847 cm³. A velocidade máxima do Tourer ficava próxima de 96 km/h, e as acelerações eram relativamente modestas. A MG procurou oferecer uma solução por meio de um supercharger opcional, que melhorava sensivelmente as respostas do motor. Também era possível escolher a transmissão de 4 velocidades, tornando o conjunto mais agradável em utilização rodoviária.

Entretanto, o mercado não recebeu o modelo com o entusiasmo esperado. A combinação de uma carroceria relativamente pesada com um motor pequeno acabou limitando seu apelo comercial. A produção foi encerrada em maio de 1932, depois de aproximadamente 250 unidades fabricadas, das quais 208 eram Tourers de quatro lugares, 37 correspondiam às versões Salonette e apenas cinco receberam carrocerias especiais de encarroçadores independentes.

O MG D-Type Tourer ocupa um lugar interessante na história do fabricante britânico. Embora não tenha alcançado o sucesso comercial de outros integrantes da família Midget, representou uma experiência importante na tentativa de conciliar esportividade e praticidade em um automóvel compacto. Sua arquitetura também demonstra como a MG aproveitava inteligentemente componentes de diferentes modelos para desenvolver novas propostas com custos relativamente controlados.

Pequeno, charmoso e com uma personalidade tipicamente britânica, o D-Type Tourer é hoje uma peça rara e representativa dos primeiros anos da tradição esportiva da MG. Sua produção limitada e suas características particulares fazem dele um automóvel especialmente interessante para os apreciadores dos clássicos anteriores à Segunda Guerra Mundial.

Acervo de imagens

1932 - MG D-TYPE TOURER 19 fotos