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1966 - PONTIAC BONNEVILLE CONVERTIBLE

Na década de 1960, a Pontiac havia conquistado uma posição de destaque na indústria automobilística norte-americana, combinando desempenho, estilo e uma crescente preocupação com o refinamento de seus automóveis. Sob a liderança de John DeLorean, a divisão da General Motors ganhou uma identidade particularmente esportiva, sem abandonar os modelos de grande porte destinados ao segmento de luxo. Nesse contexto, o Pontiac Bonneville Convertible de 1966 representava uma interessante combinação entre imponência, conforto e força mecânica, reunindo as dimensões generosas de um conversível americano com motores V8 capazes de oferecer desempenho expressivo.

A história do Bonneville começou em 1957, quando a Pontiac apresentou o nome como identificação de uma versão especial de alto desempenho, equipada inicialmente com um sistema de injeção mecânica de combustível. O sucesso da denominação levou à criação de uma linha própria, que passou a ocupar o topo da gama do fabricante. Ao longo dos anos seguintes, o Bonneville tornou-se sinônimo de automóvel americano sofisticado, oferecendo equipamentos abundantes, motores potentes e carrocerias de grandes proporções.

Em 1965, a linha Bonneville recebeu uma reformulação importante, baseada em uma nova geração de chassis da General Motors. Para 1966, o modelo preservou essa arquitetura, mas recebeu atualizações de desenho e acabamento que reforçaram sua personalidade. A carroceria apresentava o característico estilo Coke Bottle, com laterais esculpidas, cintura marcada e para-lamas traseiros visualmente pronunciados. A dianteira exibia uma ampla grade dividida horizontalmente, ladeada por conjuntos de faróis duplos, enquanto a traseira incorporava lanternas retangulares e para-choques cromados. No conversível, a capota de tecido podia ser recolhida eletricamente, transformando o automóvel em um elegante modelo aberto de quatro ou cinco lugares, conforme a configuração dos bancos.

O Bonneville ocupava o topo da linha Pontiac e, em 1966, apresentava uma combinação particularmente interessante de luxo e desempenho. O catálogo oficial da marca destacava o entre-eixos de 3.150 mm, como um dos responsáveis pela característica experiência de rodagem Wide-Track, expressão utilizada pela Pontiac para promover sua arquitetura de bitolas largas e estabilidade.

O interior era generosamente equipado e podia receber bancos inteiriços ou os opcionais bancos individuais Strato, com console central. Os revestimentos em Morrokide, material vinílico de aparência semelhante ao couro, estavam disponíveis em diferentes cores, enquanto o painel recebia acabamento com detalhes em padrão de nogueira. Relógio elétrico, carpetes de nylon, iluminação de cortesia e diversos recursos de conforto faziam parte da proposta. Entre os opcionais estavam ar-condicionado com controle automático de temperatura, direção hidráulica, vidros elétricos, bancos com regulagem elétrica, rádio AM/FM e controle de velocidade de cruzeiro.

Sob o capô, o Bonneville Convertible trazia de série o conhecido V8 Pontiac de 6.375 cm³, equipado com carburador de quatro corpos e capaz de desenvolver 335 cv. Esse propulsor oferecia torque abundante e funcionamento suave, características apropriadas para movimentar um conversível de grandes dimensões. Para os clientes que desejavam desempenho ainda mais expressivo, a Pontiac disponibilizava diferentes configurações do V8 de 6.899 cm³, incluindo uma versão de 340 cv com carburador de quatro corpos, uma configuração Tri-Power de 355 cv, com três carburadores de dois corpos, e a versão de alto desempenho 421 HO, que alcançava 380 cv.

A transmissão padrão era manual de 3 velocidades, totalmente sincronizada, mas também estavam disponíveis uma caixa manual de 4 marchas e a automática Turbo Hydra-Matic de 3 relações. A tração era traseira, e o conjunto mecânico utilizava eixo cardan tubular e diferencial traseiro do tipo Salisbury. O sistema Safe-T-Track, com diferencial de deslizamento limitado, podia ser solicitado como opcional.

A estrutura empregava um chassi perimetral de aço, com reforços que envolviam o compartimento dos passageiros. A suspensão dianteira independente utilizava braços triangulares, juntas esféricas, molas helicoidais e amortecedores hidráulicos. Na traseira, o sistema de quatro braços de controle, também conhecido como four-link, trabalhava com molas helicoidais posicionadas sobre o eixo rígido. Os freios eram a tambor nas quatro rodas, com assistência hidráulica a vácuo disponível como opcional.

Apesar de suas dimensões e de sua vocação luxuosa, o Bonneville podia apresentar desempenho bastante expressivo, especialmente quando equipado com o V8 421. A combinação entre motores de grande cilindrada, transmissões de diferentes escalonamentos e relações de diferencial selecionáveis permitia ao proprietário configurar o automóvel de acordo com suas preferências, privilegiando tanto o conforto em viagens quanto as acelerações vigorosas.

Um dos exemplares mais interessantes da época era justamente o conversível equipado com o 421 Tri-Power, que combinava o grande V8 com três carburadores e escapamento duplo. Essa configuração demonstrava que a Pontiac não pretendia limitar o Bonneville ao segmento dos grandes automóveis de luxo: havia espaço também para uma personalidade genuinamente esportiva. Um exemplar restaurado com essa configuração ganhou destaque na imprensa especializada norte-americana, demonstrando o interesse dos colecionadores por esses raros conversíveis de alto desempenho.

O Pontiac Bonneville Convertible de 1966 representa uma das expressões mais características da indústria automobilística americana dos anos 1960. Era grande, confortável, sofisticado e oferecia uma variedade de motores capazes de transformar um passeio tranquilo em uma experiência de desempenho bastante vigorosa. Um automóvel que traduzia perfeitamente a filosofia da Pontiac naquele período: oferecer luxo sem abrir mão da força e da personalidade de seus tradicionais motores V8.