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1925 - ROLLS-ROYCE PHANTOM I WINDOVERS DUAL COWL TOURER

Na Inglaterra de 1925, a Rolls-Royce inaugurava um novo capítulo de sua história com a apresentação do New Phantom, automóvel desenvolvido para suceder o lendário Silver Ghost e preservar a reputação da marca em um período de rápida evolução da indústria. Conhecido retrospectivamente como Phantom I, o modelo representava um importante avanço mecânico, mantendo a tradição de chassis robustos e funcionamento refinado, mas incorporando um motor de válvulas no cabeçote, mais potente e adequado às exigências de uma clientela que esperava não apenas conforto, mas também maior reserva de desempenho.

É nesse contexto que encontramos o Rolls-Royce Phantom I Windovers Dual Cowl Tourer de 1925, uma interpretação aberta e particularmente elegante do novo modelo. A carroceria Dual Cowl Tourer combinava o estilo de um grande automóvel de turismo com uma solução funcional: dois para-brisas, um para os ocupantes dianteiros e outro para os passageiros da seção traseira. Essa disposição permitia viajar ao ar livre com maior proteção contra o vento, preservando a atmosfera de exclusividade que caracterizava os automóveis de alto luxo da década de 1920.

A carroceria era obra da Windovers, uma tradicional empresa inglesa especializada na construção de carrocerias sob encomenda. Como era habitual nos Rolls-Royce da época, a fábrica fornecia o conjunto mecânico e o chassi rolante, enquanto o cliente escolhia o encarroçador responsável pela configuração final. O resultado era um automóvel cuja personalidade dependia tanto da engenharia de Derby quanto da habilidade artesanal aplicada à carroceria, aos revestimentos e aos detalhes de acabamento.

A principal inovação do Phantom estava sob o longo capô. O motor de 6 cilindros em linha, com 7.668 cm³, substituía a unidade de válvulas laterais do Silver Ghost por uma arquitetura com válvulas no cabeçote, acionadas por varetas e balancins. A potência máxima ficava em torno de 95 cv a 2.750 rpm, embora os valores publicados variassem conforme a especificação e a fonte. A grande cilindrada proporcionava abundante torque em baixas rotações, permitindo que o automóvel acelerasse progressivamente e mantivesse velocidades elevadas sem exigir que o motor trabalhasse constantemente em regimes altos.

O propulsor utilizava três conjuntos de dois cilindros, com cabeçotes removíveis, e foi concebido para combinar força, suavidade e durabilidade. A transmissão manual de 4 velocidades aparece em determinadas especificações, embora a configuração britânica inicial também seja documentada com 3 marchas. A tração era traseira, e o conjunto mecânico mantinha a disposição tradicional da Rolls-Royce, com motor dianteiro longitudinal e transmissão ligada ao eixo traseiro.

O chassi derivava diretamente da arquitetura do Silver Ghost, com estrutura robusta, eixos rígidos e molas semielípticas. Essa continuidade ajudava a preservar o comportamento previsível e a resistência que haviam consolidado a reputação da marca. A diferença estava na maior disponibilidade de potência, particularmente importante quando o cliente escolhia uma carroceria aberta de grandes dimensões, com quatro ou mais lugares, para viagens prolongadas.

O sistema de frenagem e os demais componentes também refletiam a tecnologia de sua época. Embora muito avançado para um automóvel de luxo de 1925, o Phantom exigia manutenção periódica e atenção aos mecanismos de lubrificação, direção e transmissão. Não havia assistência eletrônica ou sistemas automáticos de controle: o refinamento resultava da precisão da engenharia, da qualidade dos materiais e do cuidado com a construção.

A configuração Dual Cowl Tourer dava ao Phantom uma presença diferente daquela das limusines fechadas que normalmente associamos à Rolls-Royce. O longo capô, o radiador vertical, os grandes para-lamas e a linha baixa dos bancos criavam uma silhueta elegante, enquanto o segundo para-brisa reforçava a divisão visual entre os compartimentos dianteiro e traseiro. A capota de lona, quando recolhida, deixava à mostra a estrutura da carroceria e transformava o automóvel em um veículo de turismo apropriado para passeios e viagens em dias favoráveis.

A Windovers fazia parte de uma tradição britânica na qual a carroceria era concebida como uma peça artesanal independente. Os clientes podiam escolher combinações de cores, materiais, estofamentos, disposição dos bancos e acessórios, produzindo automóveis com identidades próprias. No caso de um Phantom, essa liberdade permitia combinar o prestígio de um dos chassis mais sofisticados do mercado com uma configuração de condução mais envolvente e informal do que a oferecida por uma limusine convencional.

É importante observar que a designação Windovers Dual Cowl Tourer identifica uma configuração de carroceria, mas não determina, por si só, o histórico de um exemplar específico. Os registros de produção e de propriedade são fundamentais para estabelecer se uma carroceria permanece original ou se foi substituída posteriormente. Essa distinção é especialmente relevante no universo dos automóveis de coleção, nos quais alguns chassis históricos receberam novas carrocerias ao longo de suas vidas.

O lançamento do Phantom em maio de 1925 demonstrou que a Rolls-Royce não pretendia apenas substituir o Silver Ghost, mas aperfeiçoar a fórmula que havia definido sua reputação. O modelo continuou em produção até 1929, quando foi sucedido pelo Phantom II, dotado de um chassi inteiramente novo. A designação Phantom I consolidou-se posteriormente, para distinguir a primeira geração das seguintes.

Mais de um século depois, o Rolls-Royce Phantom I Windovers Dual Cowl Tourer de 1925 permanece como uma expressão notável do luxo automobilístico entre guerras. Reúne a força de um motor de grande cilindrada, a solidez de uma engenharia concebida para durar e a elegância de uma carroceria artesanal aberta. É um automóvel que mostra como a Rolls-Royce conseguiu preservar sua tradição de excelência enquanto ampliava as possibilidades de uso e de personalização de seus modelos.

Acervo de imagens

1925 - ROLLS-ROYCE PHANTOM I WINDOVERS DUAL COWL TOURER 48 fotos