FERRARI F456 M GTA (2001): A ELEGÂNCIA DE MARANELLO COM A FORÇA DE UM V12
No início do século XXI, a Ferrari oferecia uma interpretação bastante particular de um automóvel esportivo de luxo: o F456 M GTA. Longe da imagem dos modelos de motor central e vocação mais radical, esse elegante coupé de Maranello representava a tradição dos grandes Gran Turismo italianos, com motor V12 dianteiro, espaço para quatro ocupantes e uma combinação de desempenho e conforto destinada a percorrer longas distâncias em alta velocidade. Era a evolução do F456, apresentado em 1992, e incorporava as atualizações introduzidas em 1998 na versão denominada F456 M, de Modificata.
Desenhado pela Pininfarina, o F456 M preservava uma das silhuetas mais elegantes da Ferrari dos anos 1990. O longo capô, a cabine recuada, a linha de cintura fluida e a traseira curta formavam proporções clássicas, sem recorrer a elementos visuais exagerados. Os faróis escamoteáveis, uma das características mais marcantes do modelo, permaneciam ocultos quando não estavam em uso. Na atualização M, a dianteira foi redesenhada para melhorar a refrigeração, com entradas de ar revistas e grade mais pronunciada. O capô passou a ser construído em fibra de carbono, enquanto a traseira recebeu alterações discretas, mantendo a identidade original do projeto.
O interior também recebeu uma revisão abrangente, com novo painel, console central, bancos redesenhados e volante de três raios revestido em couro. O acabamento utilizava materiais nobres, especialmente couro Connolly, e oferecia espaço para quatro ocupantes, embora os dois lugares traseiros fossem mais adequados a passageiros de menor estatura ou trajetos curtos. O porta-malas relativamente generoso para um Ferrari esportivo e o conforto da cabine reforçavam sua vocação de grande viajante.
Sob o capô estava o magnífico V12 de 5.474 cm³, com abertura de 65 graus, construído inteiramente em ligas leves, com duplo comando de válvulas por cabeçote, quatro válvulas por cilindro e lubrificação por cárter seco. Alimentado por injeção eletrônica Bosch Motronic, desenvolvia 442 cv a 6.250 rpm e 550 Nm de torque a 4.500 rpm. A transmissão automática de 4 velocidades, desenvolvida em colaboração com a britânica Ricardo, era montada na traseira, junto ao diferencial, formando um conjunto transaxle que contribuía para uma distribuição de peso equilibrada. A tração era traseira, naturalmente, e o diferencial autoblocante ZF ajudava a administrar a força do motor.
O chassi tubular de aço recebia carroceria com ampla utilização de alumínio e componentes em materiais compostos. A suspensão independente nas quatro rodas empregava braços duplos triangulares, molas helicoidais e amortecedores eletronicamente controlados, com ajustes Normal e Sport. Na traseira, um sistema de nivelamento automático contribuía para manter a altura da carroceria. Os freios a disco ventilados, com 330 mm na dianteira e 310 mm na traseira, trabalhavam com ABS e controle de tração ASR. Com aproximadamente 1.690 kg, o F456 M GTA alcançava 298 km/h e acelerava de zero a 100 km/h em cerca de 5.4 segundos.
Em 2001, o modelo também passou a oferecer possibilidades mais amplas de personalização por meio do programa Carrozzeria Scaglietti, que permitia escolher combinações especiais de cores, acabamentos e detalhes internos. A produção de toda a série F456 M terminou em 2004, totalizando 1.338 exemplares: 688 com transmissão manual e apenas 650 unidades da versão GTA automática. O modelo foi substituído pelo F612 Scaglietti, encerrando uma linhagem de grandes Ferrari V12 com quatro lugares e motor dianteiro.
O Ferrari F456 M GTA de 2001 representa uma interpretação particularmente refinada da tradição de Maranello. Seu V12 naturalmente aspirado, o desenho elegante da Pininfarina e a transmissão automática demonstravam que uma Ferrari podia oferecer desempenho extraordinário sem abrir mão do conforto e da facilidade de utilização. Um verdadeiro Gran Turismo italiano, concebido para transformar longas viagens em experiências memoráveis.

















