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NAG D4 PHAETON (1924/1927): A ELEGÂNCIA DE BERLIN EM UMA ALEMANHA QUE RECONSTRUIA SEU FUTURO

Na Alemanha dos anos 1920, quando o país tentava superar as consequências da Primeira Guerra Mundial e reconstruir sua economia em meio às turbulências da República de Weimar, a indústria automobilística começava a recuperar o fôlego. Entre os fabricantes que contribuíram para esse processo estava a berlinense NAG - Nationale Automobil-Gesellschaft, cuja reputação se apoiava na qualidade construtiva e na engenharia de seus modelos. Um dos representantes mais interessantes dessa fase foi o NAG D4 10/45 PS Phaeton, produzido entre 1924 e 1927, um automóvel de porte generoso que combinava mecânica modernizada, construção robusta e uma carroceria aberta apropriada às viagens da época.

A história da NAG começou em 1901, quando a companhia foi estabelecida em Berlin como braço automobilístico do conglomerado industrial AEG. Inicialmente denominada Neue Automobil-Gesellschaft, adotou em 1912 o nome Nationale Automobil-Gesellschaft. Depois da guerra, a empresa procurou consolidar sua presença no mercado com automóveis de qualidade, e o Type C4, lançado em 1920, tornou-se uma peça importante dessa estratégia. Em 1924, o D4 assumiu seu lugar, preservando a arquitetura geral do antecessor, mas incorporando uma evolução mecânica significativa. A produção dos modelos C4 e D4 contribuiu para manter a marca em evidência durante boa parte da década, embora os números permanecessem modestos diante dos fabricantes de maior escala.

O principal avanço do D4 estava sob o capô. Seu motor de 4 cilindros em linha, com 2.598 cm³ de cilindrada e válvulas no cabeçote, representava uma evolução em relação ao propulsor de válvulas laterais utilizado no C4. Com potência de 45 cv, a unidade desenvolvia seu rendimento máximo a 2.800 rpm. O ganho de potência era expressivo para a época: o antecessor C4 10/30 PS entregava 30 cv, enquanto o novo modelo oferecia 50% a mais, favorecendo as retomadas e a condução em estradas abertas. A velocidade máxima chegava a aproximadamente 90 km/h, desempenho respeitável para um automóvel de dimensões generosas e construção tradicional nos anos 1920.

A transmissão manual de 4 velocidades enviava a força às rodas traseiras, enquanto o chassi utilizava uma estrutura de aço estampado em perfil de canal e eixos rígidos suspensos por feixes de molas semielípticas. Uma inovação importante em relação ao C4 era a adoção de freios nas quatro rodas, solução que ampliava a capacidade de desaceleração e representava um avanço relevante em segurança. O conjunto mecânico privilegiava robustez e confiabilidade, características importantes para um automóvel concebido para percorrer distâncias consideráveis em uma época na qual muitas estradas ainda apresentavam pavimentação irregular.

A carroceria Phaeton era particularmente adequada à proposta do D4. Aberta, com para-brisa vertical e capota de lona retrátil, permitia desfrutar de viagens ao ar livre e acomodava até seis ocupantes na configuração Tourenwagen, equivalente ao tradicional carro de turismo europeu. Os para-lamas independentes, os estribos laterais e os grandes faróis circulares evidenciavam a linguagem visual característica do período. Na dianteira, a combinação entre a moldura oval do radiador e seu perfil superior pontiagudo formava uma identidade facilmente reconhecível. Os faróis, posicionados individualmente, e as estreitas aberturas verticais de ventilação na lateral do capô completavam uma composição que distinguia os NAG de muitos concorrentes alemães.

O D4 também era oferecido com outras configurações de carroceria, incluindo sedans e landaulettes, permitindo atender a diferentes perfis de compradores. A versão aberta de seis lugares, entretanto, traduzia particularmente bem o espírito da época, quando o automóvel começava a se consolidar não apenas como instrumento de transporte, mas também como símbolo de posição social e liberdade de deslocamento. O preço refletia essa exclusividade: segundo registros históricos, um Tourenwagen custava cerca de 11 mil marcos, enquanto determinadas versões sedan chegavam a aproximadamente 15 mil marcos. Eram valores elevados, reservados a uma parcela relativamente restrita da sociedade alemã.

A carreira do D4 terminou em 1927, depois de três anos de produção. Considerando conjuntamente os tipos C4 e D4 e suas variantes, estima-se que tenham sido fabricadas aproximadamente cinco mil unidades, embora esse total seja uma estimativa histórica, e não um número definitivo de exemplares do D4 isoladamente. A NAG continuaria a produzir automóveis de maior porte, incluindo modelos de 6 cilindros, mas enfrentaria dificuldades crescentes para competir com fabricantes de maior escala. A trajetória posterior da empresa refletiria os desafios de uma indústria em rápida transformação, na qual qualidade construtiva e tradição já não eram suficientes para garantir a sobrevivência comercial.

O NAG D4 Phaeton permanece como um retrato expressivo da engenharia automobilística alemã entre as duas guerras mundiais. Sem recorrer a soluções extravagantes, combinava um motor mais moderno, freios nas quatro rodas e uma carroceria de linhas inconfundíveis, demonstrando como os fabricantes daquele período procuravam equilibrar desempenho, conforto e segurança. Hoje, os exemplares sobreviventes representam testemunhos raros de uma fase em que a indústria automobilística europeia redefinia seus caminhos, preparando o terreno para a evolução técnica e estética que marcaria as décadas seguintes.