1956 - AWZ P70 ZWICKAU
A história da Automobilwerke Zwickau (AWZ), fabricante do modelo P70 Zwickau, remonta ao contexto da Alemanha Oriental pós-Segunda Guerra Mundial. Situada em Zwickau, na Saxônia, a AWZ era parte da Industrievereinigung Volkseigener Betriebe (IFA), o conglomerado estatal que controlava a indústria automotiva da Alemanha Oriental (DDR). Antes da guerra, a região de Zwickau era um polo automotivo, abrigando marcas como Horch e Audi, pertencentes ao grupo Auto Union, que também incluía a DKW. Após o conflito, com Zwickau sob controle soviético, as fábricas foram nacionalizadas, e a produção foi inicialmente direcionada para veículos utilitários, como tratores e caminhões, essenciais para a reconstrução do país.
A AWZ foi criada em 1955 para retomar a produção de automóveis, aproveitando a infraestrutura e a expertise da Auto Union. O AWZ P70 Zwickau, lançado em 1955, foi o principal modelo da empresa, projetado como um carro compacto para atender à demanda por veículos acessíveis na DDR. Ele sucedeu o IFA F8, mas trouxe inovações significativas, como a carroceria feita de Duroplast, um material composto leve derivado da baquelite, montado sobre uma estrutura de madeira com chassi de aço. O P70 foi um dos primeiros carros de produção em série com carroceria de plástico, seguindo o Chevrolet Corvette, mas sendo pioneiro na fabricação automatizada desse material.
O P70 Zwickau utilizava um motor bicilíndrico de dois tempos, com 690 cm³ e 22 cv, baseado no IFA F8, mas com modificações para melhorar o desempenho. Disponível em três versões - sedan (1955), perua (Kombi, 1956) e coupé (1957) -, o modelo se destacava pela inovação, mas enfrentava limitações. Inicialmente, era espartano, sem janelas móveis nas portas ou tampa de porta-malas, o que gerava insatisfação. Melhorias como janelas deslizantes e uma tampa de porta-malas opcional foram introduzidas em 1956. A versão Kombi, com um grande porta-malas acessível por uma porta traseira, tornou-se particularmente popular, enquanto o coupé, com carroceria de aço e design esportivo, atraiu atenção até no exterior.
Apesar das inovações, o P70 era caro para os padrões da DDR, o que limitou sua adoção em massa. Produzido entre 1955 e 1959, teve 36.151 unidades fabricadas, incluindo cerca de 4.000 peruas e algumas centenas de coupés. Em 1958, a AWZ foi fundida com a antiga fábrica Horch, formando a VEB Sachsenring Automobilwerke Zwickau, e o P70 passou a ser chamado de Sachsenring P70.
O P70 serviu como um modelo de transição, testando tecnologias que seriam usadas no Trabant P50, lançado em 1957 e mais acessível, que substituiu o P70 em 1959. As experiências com o Duroplast e a construção do P70 foram cruciais para o desenvolvimento do Trabant, que se tornou o carro mais icônico da DDR. Embora a produção do P70 tenha sido curta, sua importância reside no pioneirismo do uso de materiais compósitos e na adaptação da indústria automotiva da Alemanha Oriental às demandas do período. Atualmente, a fábrica de Zwickau é operada pela Volkswagen, mas a Sachsenring ainda atua na produção de componentes e protótipos.
O AWZ P70 Zwickau permanece como um marco da engenhosidade da DDR, refletindo os desafios e as soluções criativas de uma era marcada por restrições econômicas e tecnológicas.