1913 - ALFA ROMEO 40/60 HP CORSA
Durante as primeiras duas décadas do século passado, os carros não eram caracterizados precisamente por seus desenhos aerodinâmicos, suas formas sinuosas e suas carrocerias arredondadas. Longe disso, os veículos que agora superam os 100 anos de idade tinham um desenho mais quadrado, sem para-brisas nem teto, e com superfícies planas que atuavam mais como um freio aerodinâmico que como um elemento que ajudava a fluir o ar. Enquanto isso, o A.L.F.A. 40/60 HP de 1914 foi criado como um estudo da ciência da aerodinâmica.
No início da década de 1910, quando a A.L.F.A. ainda não era conhecida como Alfa Romeo (seria a partir de 1920, quando foi consolidada a fusão com a empresa de Nicola Romeo), o fabricante italiano lançou um modelo denominado 40/60 HP, um pequeno carro de rua de apenas 3.2 metros de comprimento que era equipado com um motor de quatro cilindros em série e 6.082 cc com uma potência de 70 cv, com o qual conseguia atingir uma velocidade máxima de 125 km/h.
Também existia uma versão de competição, o denominado A.L.F.A. 40/60 HP Corsa, com uma potência de 73 cv e uma velocidade máxima de 137 km/h. Os dois veículos eram construídos sobre o mesmo chassi, mas este contava com uma carroceria do tipo torpedo com uma grande grade vertical dianteira, um longo capô onde se alojava o motor e do qual nascia o sistema de escape e um habitáculo na parte posterior, onde os dois passageiros viajavam totalmente desprotegidos diante da ausência do para-brisa. O único elemento aerodinâmico era a elevação do início do capô para alojar o volante e os instrumentos.
Devido ao potencial de um veículo como o A.L.F.A. 40/60 HP, o conde Mario Ricotti encarregou a A.L.F.A. e a Carrozzeria Castagna a elaboração de uma carroceria coberta e com um interior espaçoso. O resultado foi batizado como 40/60 HP Aerodinamica em 1914, um estudo que buscava experimentar formas fluidas e suaves que permitiam que o ar fluísse com a menor resistência possível.
A carroceria era desenvolvida completamente em alumínio e tinha forma de lágrima. De um lado havia duas portas e de outro uma, e três janelas redondas junto à uma quarta de forma triangular na parte traseira. Na frente, um amplo para-brisa dava ao condutor uma visão panorâmica do exterior, embora o posto de condução ainda se encontrasse longe da frente.
O exterior foi decorado com para-lamas planos individuais para cada roda, faróis redondos na frente, molduras para as portas e as janelas em alumínio, além de rodas na cor vermelho. Na parte frontal se conservava a abertura original para a grade, de onde o motor obtinha ar e se refrigerava em movimento. Enquanto isso, o interior podia acomodar até cinco passageiros e havia espaço suficiente para viajar com bagagem.
Este inovador veículo, que poderia ser considerado como um dos ancestrais das minivans atuais, lembra sem dúvidas as carruagens puxadas por cavalos que ainda conviviam pelas ruas das grandes cidades no princípio do século XX, entre pedestres e os primeiros carros a motor. No entanto, por trás do seu desenho se escondia um grande estudo da aerodinâmica que ajudaria a melhorar esta ciência dentro da indústria automobilística.
O design do A.L.F.A. 40/60 HP Aerodinamica de 1914 foi tão eficaz, que embora conservasse o mesmo motor de 4 cilindros, 8 válvulas, duplo comando de válvulas e carburador entregando 70 cv de potência, a velocidade máxima passou dos 125 km/h originais para 139 km/h. Esta melhora permitia que a versão fechada do 40/60 HP de rua fosse mais rápido que o 40/60 HP Corsa de 73 cv.
Após o final da Primeira Guerra Mundial e consolidada a fusão entre A.L.F.A. e Societá Anonima Nicola Romeo (que daria como resultado a Alfa Romeo SpA em 1920), o motor do 40-60 HP Corsa evoluiu até os 82 cv de potência e chegou aos 150 km/h de velocidade máxima, deixando para trás o registro do 40/60 HP Aerodinamica de 1914, um veículo inovador do início do século XX.