1981 - ALFA ROMEO ALFETTA GTV6 2.5
No início da década de 1980, quando o mundo automobilístico ainda se recuperava das crises do petróleo e via o surgimento de rivais japoneses ágeis como o Mazda RX-7 e o Porsche 924, a Alfa Romeo decidiu reacender a paixão pelos coupés esportivos com uma jogada ousada. Em 1981, a marca milanesa apresentou o Alfetta GTV6 2.5, uma evolução natural da linha Alfetta GT/GTV que transformou um belo coupé de quatro lugares em um verdadeiro ícone de desempenho e emoção.
A história começa com a plataforma Alfetta (Tipo 116), lançada em 1972 como sedan e adaptada em 1974 para o coupé GT/GTV, desenhado pela Italdesign de Giorgetto Giugiaro. O modelo original usava motores de 4 cilindros (1.8 e 2.0 litros), com tração traseira e o inovador esquema transaxle - motor dianteiro e transmissão acoplada ao diferencial traseiro, garantindo excelente distribuição de peso (quase 50/50). No final dos anos 70, porém, o desempenho dos motores de 4 cilindros começou a parecer modesto diante da concorrência. A solução veio de um motor que já existia no catálogo, mas que ainda não havia brilhado: o V6 2.5 litros desenvolvido por Giuseppe Busso (e inicialmente aplicado no sedan Alfa 6).
Lançado no final de 1980 e disponível em 1981 como GTV6, o novo modelo recebeu o motor 2.492 cm³ em configuração V6 a 60 graus, com cabeçotes de alumínio, injeção eletrônica Bosch L-Jetronic (em vez dos carburadores problemáticos do Alfa 6) e cerca de 160 cv a 5.600 rpm, com torque de 220 Nm a 4.000 rpm. Para acomodar o motor mais largo e alto, a Alfa Romeo acrescentou um característico ‘power bulge’ no capô - uma saliência que se tornou a marca registrada do modelo. O resultado foi um coupé elegante, com linhas fluidas, faróis escamoteáveis (em algumas versões) e uma postura baixa e agressiva.
O que mais encantava - e ainda encanta - era o som. O V6 Busso entregava uma melodia suave, refinada e viciante, especialmente acima de 4.000 rpm, onde ganhava vida e empurrava o carro com vigor até 210 km/h de velocidade máxima. A aceleração de 0 a 100 km/h ficava na casa dos 8.3 segundos, números respeitáveis para a época. A dirigibilidade era outro ponto alto: o esquema transaxle proporcionava equilíbrio impressionante, direção precisa e um comportamento neutro nas curvas, tornando o GTV6 um gran turismo autêntico - confortável em viagens longas, mas feroz quando provocado.
Produzido até 1987 (com cerca de 21 mil unidades da versão GTV6), o modelo ganhou atualizações ao longo dos anos, como novas relações de câmbio e interior refinado em 1984, e até versões de 3.0 litros em mercados específicos. Nos Estados Unidos, chegou com potência ligeiramente reduzida (cerca de 154 cv) para atender às normas de emissões, mas manteve o charme italiano intacto. Críticos da época elogiaram o motor ‘mágico’, o equilíbrio dinâmico e o caráter emocional, embora apontassem o câmbio nem sempre preciso e a manutenção exigente típica dos Alfas.
O Alfetta GTV6 2.5 não foi apenas um carro: foi a afirmação da Alfa Romeo de que desempenho e prazer ao volante podiam andar juntos em um pacote acessível e bonito. Anos depois, o motor V6 Busso se tornaria lendário em modelos como o 164, 166 e até o GTV/Spider dos anos 90, mas foi no GTV6 de 1981 que ele estreou com glória, conquistando o coração de entusiastas que ainda hoje celebram seu ronco inconfundível.