1994 - ALPINE A610 TURBO
A história do Alpine A610 Turbo, lançado em 1991 e produzido até 1995, é a de um carro que encapsulou o espírito audacioso e a engenhosidade da Alpine, uma marca francesa que sempre desafiou convenções. Nascido em Dieppe, sob a tutela da Renault, o A610 Turbo foi o canto do cisne de uma era gloriosa para a Alpine, antes de sua pausa até o renascimento com o novo A110 em 2017. Este coupé 2 Plus 2, apresentado no Salão de Genebra de 1991, não era apenas uma evolução do seu antecessor, o Alpine GTA, mas uma redefinição do que um superesportivo francês poderia ser, combinando desempenho, estilo e uma pitada de romantismo alpino.
Origens e Contexto
A Alpine, fundada em 1955 por Jean Rédélé, já era sinônimo de inovação e sucesso nas pistas, com vitórias históricas como o Campeonato Mundial de Rally de 1973 com o A110 ‘Berlinette’ e as 24 Horas de Le Mans de 1978 com o A442. Comprada pela Renault em 1973, a marca carregava a missão de criar carros que unissem leveza, agilidade e potência. O A610 Turbo surgiu como sucessor do Alpine A310 e do GTA, trazendo refinamentos significativos, mas enfrentando o desafio de um orçamento limitado, o que resultou em semelhanças visuais com o GTA, como os faróis escamoteáveis e a silhueta angular. Apesar disso, o A610 era um carro completamente novo, compartilhando apenas os vidros com seu antecessor.
Design e Engenharia
O A610 Turbo foi projetado para ser um Gran Turismo moderno, com um coeficiente aerodinâmico de 0.30, excepcional para a época, garantindo eficiência e estabilidade em altas velocidades. Seu chassi de aço tubular, uma assinatura da Alpine desde o A110, e o motor traseiro V6 PRV (Peugeot-Renault-Volvo) de 3.0 litros com turbocompressor Garrett T3 entregavam 250 cv a 5.750 rpm e 350 Nm de torque a 2.900 rpm na versão padrão. Uma versão preparada pela Danielson SA elevava a potência a 280 cv, permitindo aceleração de 0 a 100 km/h em 5.5 segundos e velocidade máxima de 290 km/h, números que rivalizavam com ícones como o Porsche 911 Carrera 2 e a Ferrari F348 TB.
O design do A610, embora semelhante ao GTA, foi aprimorado com uma carroceria mais fluida, faróis menores e um interior redesenhado para maior conforto e modernidade. A distribuição de peso foi otimizada, e inovações como portas com fechamento seguro e um número reduzido de juntas nos vidros destacavam a atenção aos detalhes. Edições especiais, como o A610 Albertville 92 (dois exemplares em branco Gardenia para os Jogos Olímpicos de 1992) e o A610 Magny-Cours (31 unidades em verde-garrafa, celebrando a vitória da Williams-Renault na F1), adicionaram exclusividade ao modelo.
Desempenho e Legado
O A610 Turbo era um carro de contrastes: rápido, com desempenho de superesportivo, mas também confortável para longas viagens. A imprensa especializada, incluindo o programa britânico Top Gear, elogiou sua dirigibilidade previsível e comportamento dinâmico, comparando-o favoravelmente aos rivais alemães e italianos. No entanto, o A610 não conseguiu o sucesso comercial esperado. Entre 1991 e 1995, apenas 818 unidades foram produzidas, com apenas 80 fabricadas nos últimos dois anos. Fatores como a crise econômica dos anos 90, a associação com a Renault (que alguns viam como menos prestigiosa) e a concorrência feroz de marcas como Porsche contribuíram para seu fracasso comercial.
O Fim de uma Era
Em 7 de abril de 1995, o último A610 saiu da linha de produção em Dieppe, marcando o fim da marca Alpine por mais de duas décadas. A fábrica passou a produzir modelos Renault Sport, como o Renault Spider, enquanto o nome Alpine hibernava. Apesar do insucesso comercial, o A610 deixou um legado como um superesportivo subestimado, admirado por entusiastas por sua combinação única de desempenho, design e herança. Hoje, é um clássico cult, cobiçado por colecionadores e lembrado como o último suspiro de uma Alpine que ousou sonhar alto.
Curiosidades
Exclusividade no Reino Unido: Devido a conflitos com a marca Sunbeam, que detinha o nome ‘Alpine’ no Reino Unido, o A610 foi vendido como Renault Alpine, e as versões de direção à direita são extremamente raras, com uma delas destruída em um teste para o DVD de Jeremy Clarkson, Supercar Showdown (2007).
Conexão com a F1: A edição Magny-Cours celebrava a vitória da Williams-Renault, reforçando a ligação da Alpine com o automobilismo de elite.
Um Carro de Sonho: O A610 permanece na lista de desejos de muitos entusiastas, ao lado de ícones como o Honda NSX, por seu charme único e desempenho impressionante.
O Alpine A610 Turbo de 1994 é mais do que um carro; é a materialização de uma visão que nasceu nas estradas sinuosas dos Alpes franceses. Embora tenha sido incompreendido em sua época, seu legado perdura como um testemunho da ousadia e da paixão da Alpine por criar máquinas que emocionam.