1970 - AMC AMX GREEN
Em 1970, enquanto a era dourada dos muscle cars americanos atingia seu ápice, a American Motors Corporation (AMC) lançou a última iteração de um dos carros mais audaciosos de sua história: o AMC AMX. Este compacto de dois lugares, com sua silhueta agressiva e espírito indomado, não era apenas um automóvel; era a tentativa da AMC de cravar seu nome no panteão automotivo, desafiando gigantes como Ford, Chevrolet e Chrysler com um carro que combinava potência bruta, design inovador e um preço que fazia os entusiastas de Detroit coçarem a cabeça. O AMX de 1970, em seu último ano de produção como modelo independente, fechou um capítulo curto, mas vibrante, na saga da AMC.
Lançado originalmente em 1968 como uma alternativa ao Chevrolet Corvette, o AMX era uma exceção na linha da AMC, conhecida por sedans econômicos como o Rambler. Construído sobre uma versão encurtada do chassi do Javelin, com entre-eixos de apenas 2.464 mm, o AMX era um foguete de duas portas e dois lugares, projetado para ser o carro de produção americano mais curto de sua época. Em 1970, ele recebeu atualizações sutis, mas marcantes: uma grade frontal mais pronunciada, capô com entradas de ar estilo ‘ram air’ (opcional em pacotes de alta performance) e lanternas traseiras redesenhadas. O interior, com bancos esportivos de vinil de alto encosto, volante de três raios e acabamentos em alumínio escovado, exalava um charme funcional, enquanto opcionais como rádio AM/FM e ar-condicionado atendiam aos desejos de conforto da classe média.
O coração do AMX 1970 era seu motor V8, disponível em duas versões. O padrão, um 360 polegadas cúbicas (5.9 litros), entregava 290 cv com carburador de quatro barris, enquanto o topo de linha, o lendário 390 ci (6.4 litros), gerava 325 cv e 583 Nm de torque - números que colocavam o AMX no mesmo ringue que o Pontiac GTO e o Dodge Charger. Acoplado a uma transmissão manual de 4 velocidades ou automática de 3 relações, o 390 ci permitia acelerações de 0 a 96 km/h em cerca de 6.5 segundos, com velocidade máxima próxima de 210 km/h, conforme testes da Motor Trend. A suspensão, com molas helicoidais na frente e molas semi-elípticas na traseira, priorizava agilidade, embora críticos da Car and Driver notassem que o AMX “se inclinava mais nas curvas do que um Mustang Mach 1”. Freios a tambor eram de série, mas discos dianteiros opcionais melhoravam a frenagem em alta velocidade.
O AMX 1970 chegou às concessionárias com preços a partir de 3.395 dólares, mais acessível que um Corvette (cerca de 5.500 dólares), mas ainda um investimento para os jovens entusiastas que a AMC buscava conquistar. A campanha publicitária, com slogans como ‘The Only American Sports Car’, destacava sua exclusividade, enquanto cores vibrantes como ‘Big Bad Blue’ e ‘Big Bad Orange’ - tons psicodélicos exclusivos da linha - atraíam olhares. Pacotes especiais, como o ‘Go Package’, adicionavam pneus Goodyear Polyglas, diferencial de deslizamento limitado e escapamento duplo, transformando o AMX em um monstro de arrancada. No entanto, a produção foi modesta: apenas 4.116 unidades saíram da fábrica de Kenosha em 1970, com menos de 2.000 equipadas com o motor 390 ci, segundo registros da AMC.
Apesar de seu apelo, o AMX enfrentou ventos contrários. A crise de vendas da AMC, agravada por regulamentações de emissões e aumento dos custos de seguro para carros de alta performance, limitou seu impacto. Após 1970, o AMX deixou de ser um modelo independente, tornando-se apenas uma versão de alto desempenho do Javelin até 1974. Ainda assim, sua participação em corridas, como as vitórias de Mark Donohue no SCCA Trans-Am de 1968-69, cimentou seu legado como um ícone cult.
Hoje, o AMC AMX de 1970 é uma joia para colecionadores, um símbolo de uma era em que uma pequena montadora ousou sonhar grande. Em eventos como o Woodward Dream Cruise, seu ronco grave e linhas angulosas ainda viram cabeças, lembrando a todos que, mesmo na sombra dos gigantes, o AMX foi um verdadeiro rebelde americano - compacto, audacioso e eternamente inesquecível.