1960 - ARNOLT BRISTOL BOLIDE BERTONE DELUXE ROADSTER
No início da década de 1950, quando a indústria automobilística se reinventava em meio à euforia do pós-guerra, um nome americano começava a aparecer nos bastidores do Velho Continente: Stanley H. ‘Wacky’ Arnolt. Empresário ousado e apaixonado por automóveis esportivos, Arnolt acreditava que poderia criar um carro que unisse a precisão britânica, a paixão italiana e o pragmatismo americano. Dessa visão nasceria um dos roadsters mais intrigantes e raros de sua era: o Arnolt Bristol Bolide, vestido pela Bertone.
O ponto de partida veio da Inglaterra. Arnolt comprou alguns chassis da Bristol Cars, herdeira do know-how aeronáutico britânico, equipados com o respeitado motor 2.0 de 6 cilindros em linha - descendente direto do BMW 328 da década de 1930. Compacto e robusto, esse conjunto oferecia desempenho consistente e confiável, perfeito para corridas de longa duração. Mas faltava a ele uma carroceria que traduzisse emoção. Foi aí que entrou a Itália.
Arnolt encomendou à Carrozzeria Bertone, em Turin, o projeto da carroceria. Sob a batuta do jovem estilista Franco Scaglione, a Bertone deu forma ao Bolide Roadster: linhas baixas, musculosas, com personalidade agressiva, muito distante da sobriedade britânica. O nome, de origem francesa, significava ‘bala de canhão’ - uma escolha simbólica para um carro que pretendia acelerar rumo às pistas e ao coração de entusiastas.
A produção começou em 1953 e se estendeu até 1959, mas em números extremamente limitados. Ao todo, pouco mais de 130 exemplares viram a luz do dia. Além do Bolide Roadster, que era a versão mais pura e voltada às corridas, surgiram outras variantes: o DeLuxe Roadster, que oferecia acabamento mais refinado e algum conforto adicional para uso cotidiano; o Coupe, ainda mais raro, com teto fechado projetado também por Bertone; e unidades especiais destinadas às competições de endurance, como Sebring, onde o Arnolt Bristol conquistou respeito ao enfrentar gigantes da época.
O Bolide era rápido, com cerca de 130 cv extraídos do seu bloco de 6 cilindros, podia alcançar até 180 km/h. Mais do que números, porém, era o equilíbrio entre leveza italiana, motor britânico e visão americana que lhe conferia caráter único. Cada exemplar produzido era praticamente artesanal, reforçando sua aura de exclusividade.
Quando a produção se encerrou em 1959, o carro já carregava consigo o status de cult. A Bristol se retirava de fornecimentos e a Bertone seguia em ascensão, mas Arnolt havia alcançado seu objetivo: provar que ousadia e imaginação podiam atravessar fronteiras e resultar em máquinas memoráveis.
Hoje, o Arnolt Bristol Bolide Bertone Roadster é uma joia rara, disputada em leilões internacionais e admirada como um capítulo singular da história automotiva - um encontro improvável entre continentes, lapidado em metal e velocidade.