1961 - BALCHOWSKY OLD YELLER MARK VII
No coração da era dourada das corridas americanas, o Balchowsky Old Yeller Mark VII de 1961 emergiu como um símbolo de engenhosidade e ousadia. Construído pelas mãos habilidosas de Max Balchowsky e sua esposa Ina, na lendária Hollywood Motors, em Los Angeles, esse carro de corrida artesanal, apelidado de ‘Junkyard Dog’ (Cão de Ferro), desafiou as máquinas mais sofisticadas e caras do mundo, como Ferraris, Maseratis e Jaguars, com um orçamento modesto e uma abordagem despretensiosa.
O Old Yeller Mark VII, sétimo de apenas nove exemplares da série, foi projetado com um chassi tubular de aço desenhado a giz no chão da oficina, uma marca registrada do estilo prático de Balchowsky. Vendido novo em 1961 para Don Kirby, de Rochester, New York, por apenas 4.500 dólares, o carro foi equipado com um motor Chevrolet V8 de 5.4 litros com injeção de combustível, acoplado a uma transmissão Borg Warner T10 de 4 velocidades. Sua carroceria de fibra de vidro Devin conferia leveza, enquanto o potente motor americano entregava desempenho bruto, capaz de competir com adversários muito mais caros. Em 1963, o Mark VII terminou em 5º lugar geral na SCCA Virginia International Raceway, e em 1964, alcançou o 4º lugar em sua classe na Road America 500, enfrentando ícones como Shelby Cobra e Porsche 718 RS.
O que tornava o Old Yeller especial não era apenas sua performance, mas sua história. Max Balchowsky, um ex-atirador de B-24 na Segunda Guerra Mundial e gênio autodidata, usava peças de ferro-velho, como suspensões Pontiac e freios Buick, combinadas com sua expertise em modificações de motores. Essa abordagem ‘faça-você-mesmo’ resultava em carros que, apesar da aparência rústica, eram extremamente bem engenhados. O Mark VII, restaurado em 2009 pela Palhegyi Design, na Califórnia, mantém sua essência competitiva, com rodas de arames Borrani e pneus Dunlop, pronto para brilhar em corridas históricas.
O Old Yeller Mark VII não era apenas um carro; era uma declaração de que paixão, criatividade e habilidade poderiam superar o glamour e o dinheiro. Ele representa o auge dos ‘especiais’ americanos, um testemunho do espírito independente de Max e Ina Balchowsky, que transformaram sucata em lenda, conquistando corações e pistas por onde passaram.