1960 - BMW 700 COUPE
Os anos 50 não foram os melhores para a BMW, de fato, a empresa se encontrava em uma situação realmente triste nos anos seguintes à guerra. O mercado mundial havia mudado completamente e o fabricante bávaro não achava uma forma de ajustar-se aos padrões de design da época, de modo que suas finanças não estavam bem, foi aí quando chegou o BMW 700.
Após o fracassado lançamento do BMW Isetta em 1955, a marca alemã começou a trabalhar em um novo modelo de maior tamanho que permitisse acomodar uma família inteira e que ao mesmo tempo fosse eficiente, confortável e pequeno, foi assim como nasceram os planos para desenvolver o BMW Isetta 600.
O BMW Isetta 600 era um veículo compacto que baseava suas linhas no BMW Isetta 300 e compartilhava com este a maior parte de suas peças, mas com uma distância entre-eixos estendida para dar maior capacidade ao habitáculo, e embora as expectativas da marca fossem altas com este modelo, o resultado em vendas foi desastroso, pois as pessoas o consideravam incômodo demais, sobretudo nos lugares traseiros.
Foi então o momento de voltar ao trabalho na Divisão de P&D da BMW. A ideia era clara: desenvolver um novo modelo, mas reutilizando a maior quantidade possível de peças do fracassado modelo 600, para conseguir uma economia nos custos e em tempos de produção para ressarcir os prejuízos.
Logo, a marca se deu conta que este não seria um trabalho simples, e as mudanças necessárias para tornar o seu novo modelo um vencedor seriam enormes, por isso optaram por trabalhar com um novo chassi monocasco que permitia baratear e acelerar a produção. Entre as múltiplas novidades daquele modelo estava um eixo dianteiro completamente novo.
Assim, após vários meses de trabalho árduo, Wolfgang Denzel, engenheiro automobilístico e importador da BMW para a Suíça apresentou em Viena, na Áustria, o novo BMW 700 por volta do ano de 1958, um sedan que estendeu sua distância entre-eixos até os 2.120 mm, ao mesmo tempo que alargou o eixo dianteiro para 1.270 mm e o traseiro para 1.200 mm, para entregar um habitáculo muito mais cômodo que, graças às portas de grande tamanho permitia um fácil acesso aos lugares traseiros, que eram muito confortáveis.
As mudanças não pararam por aí, pois o BMW 700, graças ao seu chassi monocasco, era bem leve e marcou na balança um peso de apenas 600 quilos, ao mesmo tempo que reduziu a distância do solo em até 70 mm para o eixo traseiro, o que ajudava a torná-lo muito mais estável e sobretudo divertido de dirigir, algo que as pessoas da época agradeceram.
Seu nome fazia referência à mudança de motor, substituindo o antigo bloco de 600 cc e 2 cilindros, utilizado no Isetta, por uma nova versão de 700 cc, que permitia um rendimento de até 16.67 km/l no consumo combinado e uma potência máxima de 30 cv, suficientes para impulsionar a sua leve carroceria até os 125 km/h.
As pessoas e a mídia começaram rapidamente a elogiar o modelo, pois as mudanças realizadas permitiram que o seu desempenho se equiparasse ao do BMW 327, o modelo mais esportivo da marca naquela época, o que rapidamente o levou a participar dos campeonatos mais importantes da época, como o Rally Sahara-Lappland, o campeonato alemão Hill-Climb, e os campeonatos de turismo com suas versões GT e S.
Pouco depois, em 1959, foi lançada à venda uma versão de quatro portas que era ligeiramente mais barata que a versão coupe, embora o modelo já marcasse padrões de preço muito baixos para sua categoria, com apenas 4,760 marcos para a versão famiiar e 5.300 marcos para o modelo de duas portas.
Em 1965, a BMW já havia vendido 190.000 unidades em todo o mundo e sua produção saiu da Alemanha para transferir-se para a Bélgica, Argentina e Itália, com a finalidade de atender a demanda.