2000 - BMW ALPINA B12 6.0
No final dos anos 1990, quando a BMW preparava a atualização da geração E38 do Série 7, a ALPINA decidiu que sua interpretação do grande sedan alemão poderia ir muito além de um simples exercício de preparação. O resultado foi apresentado em 1999, no Salão de Genebra, e chegaria ao ano 2000 como um dos automóveis mais extraordinários produzidos pela empresa de Buchloe: o BMW ALPINA B12 6.0. Baseado no BMW 750i e 750iL reestilizado, o modelo combinava o refinamento de uma grande limousine alemã com um dos maiores motores naturalmente aspirados já desenvolvidos pela ALPINA.
A fórmula começava pelo motor. A ALPINA tomou o V12 BMW M73 e elevou sua cilindrada para 5.980 cm³, instalando novos pistões de alumínio Mahle de maior compressão, comandos de válvulas modificados, sistema de admissão retrabalhado e gerenciamento eletrônico Bosch Motronic M5.2.1. O sistema de escapamento também foi redesenhado e recebeu um catalisador metálico de aquecimento elétrico, solução conhecida como E-KAT, que ajudava o enorme V12 a atender às exigentes normas de emissões da época.
O resultado era impressionante para o início do novo milênio: 430 cv a 5.600 rpm e 600 Nm de torque a 4.200 rpm. Mais impressionante ainda era a disponibilidade desse torque: cerca de 500 Nm já estavam presentes a apenas 1.700 rpm, característica que transformava o B12 em uma máquina excepcional para as autobahns alemãs. Não havia turbo, compressor ou qualquer forma de sobrealimentação. Toda aquela força vinha de quase 6.0 litros de V12 naturalmente aspirado.
A transmissão escolhida também dizia muito sobre a filosofia do projeto. Em vez de uma caixa manual, a ALPINA utilizou uma automática ZF de 5 velocidades Switch-Tronic, especialmente recalibrada. O sistema permitia ao condutor assumir as trocas manualmente por meio de comandos instalados no volante, antecipando uma solução que posteriormente se tornaria bastante comum em automóveis esportivos. A potência era enviada exclusivamente às rodas traseiras.
O desempenho colocava aquele enorme sedan de luxo em território de esportivos. O B12 6.0 precisava de apenas 5.9 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h, enquanto a velocidade máxima chegava a 291 km/h. Mais revelador ainda era o tempo para percorrer o quilômetro com partida parada: 23.5 segundos, número que, segundo a própria ALPINA, permitia ao B12 6.0 superar um Ferrari F355 nesse tipo de aceleração.
E tudo isso acontecia sem que o Série 7 perdesse sua característica fundamental: o conforto. A ALPINA trabalhou também no chassi, instalando molas mais curtas e rígidas, amortecedores a gás e ajustes específicos para o comportamento de alta velocidade. Os freios receberam discos ventilados de maior capacidade, enquanto as famosas rodas ALPINA Classic de 20 polegadas passaram a utilizar pneus 245/40 ZR20 na dianteira e 275/35 ZR20 na traseira.
Visualmente, a transformação era quase minimalista. E isso fazia parte do encanto. A carroceria do E38 permanecia praticamente intacta, recebendo um spoiler dianteiro específico, as enormes rodas multirraios da ALPINA, quatro saídas de escapamento e, opcionalmente, as tradicionais faixas decorativas douradas ou prateadas. O resultado era um Série 7 que, à primeira vista, poderia parecer apenas uma versão particularmente bem equipada, mas que escondia uma mecânica capaz de levá-lo a quase 300 km/h.
No interior, a filosofia era semelhante: luxo sem ostentação excessiva. O habitáculo podia receber revestimento integral em couro, incluindo o sofisticado Lavalina, acabamento em madeira Elm, volante revestido artesanalmente em couro, tapetes específicos e instrumentos com identidade ALPINA. Um pequeno emblema de produção registrava a individualidade de cada automóvel. O cliente também podia personalizar cores, materiais e acabamentos de maneira bastante ampla, característica que ajudou a transformar cada B12 em uma peça praticamente artesanal.
Havia ainda uma distinção importante entre as versões de carroceria. O B12 6.0 podia ser encomendado tanto com a carroceria convencional quanto na Langversion, de entre-eixos alongado. A versão longa media 5.124 mm, contra 4.984 mm do modelo normal, e possuía distância entre-eixos de 3.070 mm. Mesmo nessa configuração, destinada prioritariamente ao conforto dos passageiros traseiros, a ALPINA não abriu mão do desempenho: a velocidade máxima continuava em torno de 291 km/h.
A exclusividade, entretanto, é talvez o aspecto que mais contribui para o fascínio atual do B12 6.0. A produção total ficou limitada a 94 exemplares, dos quais apenas 23 eram Langversion. Isso faz dele uma das mais raras interpretações do Série 7 E38 e explica por que exemplares bem conservados despertam enorme interesse entre colecionadores de BMW e ALPINA.
O ano 2000 encontrou, portanto, a ALPINA no auge de uma filosofia que hoje parece quase impossível de reproduzir. Enquanto a indústria caminhava progressivamente para motores menores, turboalimentação e maior eficiência, a empresa de Buchloe decidiu fazer exatamente o contrário: aumentou a cilindrada, preservou a aspiração natural, manteve o V12 e criou um sedan de luxo capaz de viajar a 291 km/h. O B12 6.0 não precisava de asas, enormes entradas de ar ou uma carroceria agressiva para anunciar suas intenções. Bastavam as rodas de 20 polegadas, quatro ponteiras de escapamento e, quando desejado, aquelas discretas faixas ALPINA.
É justamente essa combinação que faz do BMW ALPINA B12 6.0 2000 uma das grandes joias da era E38. Ele era, simultaneamente, uma limousine de luxo, um Autobahn-stormer e um dos últimos grandes representantes da escola alemã dos V12 naturalmente aspirados. Um automóvel concebido para cruzar a Alemanha em velocidades que poucos sedans contemporâneos conseguiam acompanhar - e fazê-lo com cinco ocupantes viajando em absoluto conforto. No B12 6.0, a ALPINA demonstrou que, às vezes, a maneira mais elegante de construir um supercarro é simplesmente fazê-lo parecer um Série 7.