1993 - BUGATTI EB-110 GT BLACK
No próximo mês de janeiro começará o calendário dos grandes leilões do ano com o evento de Scottsdale, Arizona, onde todas as grandes casas de leilão já têm seu evento programado, com espetaculares lotes à venda.
Uma das peças mais chamativas da oferta da RM Sotheby’s é este raro exemplar do Bugatti EB-110 GT, a versão de 550 cv do esportivo fabricado pelo projeto Bugatti Automobili em Campogalliano, Modena. Esta unidade não só conta com um estado de conservação perfeito e original, com a numeração de chassi e mecânica que dispunha quando saiu da fábrica italiana em 1993, como dispõe de certas peculiaridades e, além disso, goza de um histórico muito chamativo, incluindo até uma curiosidade histórica.
Por sua documentação, este chassi foi encomendado em outubro de 1993 e foi terminado no final desse mesmo ano. Seu primeiro destino foi um concessionário da Alemanha, onde devido à crise econômica em meados da década de 90, o exemplar descansou durante alguns poucos anos à espera de um comprador. Seu primeiro e único proprietário até a data de hoje foi August Nüechter, que o adquiriu em 1995.
Nüechter usou o carro durante um tempo e quando já havia rodado cerca de 300 quilômetros, decidiu realizar com o carro uma viagem até a própria fábrica na Itália - a 750 quilômetros de seu domicílio - para realizar a revisão dos primeiros 1.000 quilômetros. Infelizmente, o azar quis que ele chegasse à fábrica de Campogalliano na mesma manhã que a empresa foi declarada em bancarrota, em um dos processos mais inesperados e misteriosos da história dessa empresa. Quando Nüechter chegou à planta de Campogalliano encontrou os empregados na porta da fábrica desolados e surpreendidos.
Apenas um tempo depois foram conhecidos os detalhes do encerramento da produção na Bugatti Automobili. Um dia, sem prévio aviso, chegaram as autoridades e fecharam as instalações, deixando nas rua os empregados. Isso pegou de improviso tanto os trabalhadores como os poucos clientes que estiveram naquela manhã na planta. Nunca se soube quantos clientes realmente estiveram lá nesse dia, mas Nüechter e seu Bugatti EB-110 preto foram um deles. Uma vez ali teve que improvisar com especialistas locais a revisão de seu veículo antes de regressar à Alemanha.
Apesar do pouco tempo em que a Bugatti Automobili esteve produzindo o modelo, do qual foram fabricados menos de 140 exemplares em suas duas versões possíveis, não chegou a contar com versões ou edições especiais, alguns poucos exemplares conseguiram diferenciar-se do resto por sua configuração. Este exemplar é o único conhecido nessa combinação de cores, carroceria em preto ‘Nero Metallic’ e o interior em azul escuro com bancos em couro cinza.
August Nüechter usou o carro durante um tempo e quando teve que mudar para os Estados Unidos no final dos anos 90 levou o carro com ele. Como o EB-110 nunca chegou a ser comercializado de maneira oficial nesse mercado, se viu obrigado a utilizar uma empresa para poder homologá-lo, a J.K. Technologies, portanto, desde 2005 é um dos pouquíssimos exemplares do modelo que podem rodar legalmente pelas estradas americanas. Inclusive hoje, há muito poucas unidades homologadas nos Estados Unidos.
A partir de 2005 este exemplar permaneceu armazenado, e durante todo esse tempo foi preservado e perfeitamente mantido para conservá-lo em bom estado de uso. Apenas agora que o modelo voltou a surgir, mas primeiro foi levado a uma revisão em um dos mais reputados especialistas do modelo, a B. Engineering.
Essa pequena empresa italiana foi fundada após o fechamento da Bugatti Automobili pelos responsáveis da própria fábrica de Campogalliano. Esses especialistas, que contam com os registros originais da fábrica, autenticaram o chassi, o motor e a transmissão do exemplar, além de completar uma revisão completa e atualizá-lo em outubro desse mesmo ano.
A RM Sotheby’s levará a leilão esse exemplar no próximo mês de janeiro, e suas estimativas apontam a um valor entre os 750.000 e os 950.000 dólares. O Bugatti marca no hodômetro 4.545 km.
Comparativamente, o EB-110 de 550 cv é consideravelmente mais econômico que seus sucessores fabricados pela marca do grupo Volkswagen, e apesar de não contar com números tão astronômicos como os modelos recentes, o EB-110 conseguiu vários marcos na indústria em sua época. Não só foi o esportivo mais rápido do mundo - durante um curto período de tempo - como foi o primeiro modelo de produção a contar com um chassi monocasco elaborado em fibra de carbono, além de ser o primeiro superesportivo de produção regular a contar com um motor de quatro turbos e tração total.
Ao contrário de outros muitos superesportivos de potência descomunal, o EB-110 se desenvolvia realmente muito bem em circuito e sua agilidade e qualidade de fabricação impressionaram muito a Ferdinand Piëch, que naquela época ainda era o Manda-Chuva do grupo VAG, o que o levou o alemão a comprar os direitos da marca após sua quebra e começar o projeto Veyron.