2027 - BYD SHARK
A BYD está levando sua ofensiva no segmento das pick-ups para uma nova etapa com a Shark 2027, evolução da caminhonete que inaugurou a presença da marca chinesa nesse mercado. A novidade ganhou destaque internacional em 2026, inclusive em sua estreia europeia, onde passou a demonstrar que a proposta da BYD vai muito além de simplesmente oferecer uma alternativa eletrificada às tradicionais pick-ups a diesel. Com arquitetura plug-in híbrida DMO (Dual Mode Off-road), tração integral elétrica e uma combinação de potência, capacidade fora de estrada e tecnologia embarcada, a Shark procura criar uma nova interpretação para a pick-up moderna.
Com 5.457 mm de comprimento, 1.971 mm de largura, 1.925 mm de altura e 3.260 mm de entre-eixos, a Shark tem presença de sobra. A cabine dupla acomoda cinco ocupantes e a caçamba oferece 1.200 litros de volume, enquanto a capacidade de carga chega a aproximadamente 790 kg na configuração comercializada no Brasil. A capacidade máxima de reboque é de 2.500 kg, números que mostram que, apesar do caráter tecnológico, a BYD não abriu mão da vocação utilitária.
O desenho também procura fugir do convencional. A dianteira traz uma assinatura luminosa que atravessa toda a largura e remete visualmente à boca de um tubarão, enquanto os vincos laterais foram concebidos para transmitir a sensação de movimento do animal marinho. Na traseira, as lanternas fazem referência à nadadeira do tubarão. É uma identidade bastante mais agressiva que a encontrada nos demais modelos da BYD e combina perfeitamente com a proposta aventureira da pick-up.
Mas é sob a carroceria que está a verdadeira revolução. A Shark utiliza a plataforma DMO, concebida especificamente para aplicações híbridas com capacidade off-road. O sistema combina um motor 1.5 turbo a gasolina com dois motores elétricos, um em cada eixo, formando uma arquitetura de tração integral sem a necessidade de um eixo cardan convencional. Na configuração atualmente divulgada para o mercado europeu, o motor a combustão desenvolve 150 cv, enquanto os motores elétricos entregam 231 cv no eixo dianteiro e 204 cv no traseiro, resultando em 436 cv de potência combinada e 650 Nm de torque.
O desempenho é particularmente expressivo para uma pick-up de mais de 2.7 toneladas: 0 a 100 km/h em apenas 5.7 segundos e velocidade máxima de 180 km/h. A distribuição do torque feita eletronicamente permite que cada eixo receba exatamente a força necessária, funcionando como uma espécie de bloqueio virtual de diferencial e ajudando a Shark a enfrentar superfícies de baixa aderência. Há ainda modos específicos para areia, lama e neve, reforçando sua vocação para o fora de estrada.
A energia elétrica é armazenada em uma bateria Blade de fosfato de ferro-lítio (LFP). Na configuração europeia mais recente, sua capacidade nominal chega a 32.2 kWh, proporcionando até 90 km de autonomia exclusivamente elétrica pelo ciclo WLTP. Com a bateria carregada e o tanque de combustível abastecido, a autonomia combinada chega a 675 km. O carregamento pode ser feito em corrente alternada a até 11 kW ou em corrente contínua a até 55 kW, com a recarga de 30 a 80% levando cerca de 21 minutos em DC.
Para uma pick-up, entretanto, talvez uma das características mais interessantes seja o sistema V2L - Vehicle-to-Load. A Shark pode funcionar como uma espécie de grande fonte de energia móvel, disponibilizando até 6 kW para equipamentos externos. Na configuração europeia, há duas tomadas integradas ao sistema, algo particularmente útil para trabalho em áreas remotas, acampamentos ou atividades de lazer.
A engenharia estrutural também merece atenção. A BYD emprega a tecnologia Cell-to-Chassis (CTC), na qual a bateria deixa de ser simplesmente um componente instalado no chassi e passa a contribuir para a própria estrutura do veículo. Segundo o fabricante, isso aumenta a rigidez estrutural em até 38%. A carroceria utiliza ainda uma elevada proporção de aços de alta resistência, enquanto a suspensão independente double wishbone nas quatro rodas procura equilibrar capacidade off-road e conforto de rodagem.
No interior, a Shark abandona definitivamente a ideia de que uma pick-up precisa ser rudimentar. O painel é dominado por uma enorme tela central de 15.6 polegadas, complementada por quadro de instrumentos digital e head-up display. Dependendo da versão, os bancos dianteiros podem oferecer ajustes elétricos, aquecimento e ventilação, enquanto o sistema de câmeras proporciona uma visão panorâmica de 360 graus combinada a uma câmera inferior, permitindo ao condutor visualizar obstáculos sob a pick-up durante a condução fora de estrada.
E há ainda toda uma coleção de recursos de assistência à condução, incluindo controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego, alerta de tráfego cruzado, manutenção de faixa, assistência à mudança de faixa e reconhecimento de sinais, entre outros sistemas.
Curiosamente, a história da Shark não termina nessa configuração. Em 2026, a BYD também avançou com uma evolução equipada com motor 2.0 turbo e sistema elétrico aprimorado, elevando a potência combinada para aproximadamente 469 cv e a capacidade de reboque para 3.500 kg. Essa versão, porém, ainda não tem chegada confirmada ao Brasil.
No mercado brasileiro, a Shark já havia causado impacto justamente por combinar desempenho de esportivo com as dimensões e a funcionalidade de uma pick-up. A versão atualmente comercializada no país utiliza bateria de 29.6 kWh, oferece até 57 km de autonomia elétrica segundo a homologação brasileira e desenvolve 437 cv, com 5.7 segundos no 0-100 km/h.
Assim, a BYD Shark 2027 representa mais do que uma atualização de produto: ela é uma demonstração de como a eletrificação está mudando até mesmo o conceito de pick-up. Em vez de depender exclusivamente de um grande motor a diesel para produzir força, a Shark utiliza motores elétricos independentes nos dois eixos para entregar torque instantâneo, controle preciso da tração e desempenho surpreendente, enquanto o motor a combustão permanece como parte de um sistema muito mais complexo. É uma pick-up que não tenta imitar as tradicionais - procura convencer o condutor de que o futuro do trabalho, da aventura e do off-road também pode ser híbrido.