2013 - CATERHAM-LOLA SP/300.R
No início da década de 2010, a Caterham decidiu fazer algo que parecia quase improvável para um fabricante cuja identidade estava profundamente ligada ao Seven: desenvolver um automóvel completamente novo, concebido desde o princípio para as pistas. O resultado foi o Caterham-Lola SP/300.R, apresentado em 2011 no Autosport International Show, em Birmingham, e que chegou à produção nos anos seguintes, incluindo a especificação de 2013. O projeto nasceu de uma parceria com a lendária Lola Cars, responsável pelo desenvolvimento do chassi e pelo trabalho aerodinâmico, e representou a primeira incursão da Caterham no território dos modernos protótipos esportivos de motor central.
A aparência deixava clara a mudança de filosofia. Em vez da carroceria aberta e minimalista do Seven, o SP/300.R recebeu uma carroceria baixa e envolvente, inspirada nos protótipos de resistência, com nariz elevado, grande divisor dianteiro, difusor traseiro e uma enorme asa posterior. Os painéis externos foram concebidos para serem removidos rapidamente nos boxes, enquanto a aerodinâmica foi desenvolvida com ferramentas de dinâmica computacional de fluidos - uma área em que a experiência da Lola, especialmente no universo dos protótipos de Le Mans, era fundamental. O resultado era um pequeno carro de competição com apenas 1.015 mm de altura, 4.200 mm de comprimento e 1.700 mm de largura.
Sob a carroceria estava um monocoque de alumínio, solução que contribuía decisivamente para manter o peso em apenas 545 kg. A suspensão utilizava braços duplos sobrepostos nas quatro rodas, amortecedores acionados por push-rods e ajustes próprios de um verdadeiro carro de corrida. Na traseira, a geometria era derivada da experiência da Lola em monopostos de Fórmula 3 e outros protótipos. O conjunto permitia que a Caterham explorasse uma das suas características históricas - a leveza - em um ambiente muito mais sofisticado do que aquele do Seven.
Para mover a pequena máquina, a Caterham escolheu um conhecido Ford Duratec de 4 cilindros e 2.0 litros, mas acrescentou um compressor mecânico Rotrex e uma preparação específica. Na configuração de 2013, o motor entregava aproximadamente 300 cv a 7.500 rpm e 289 Nm de torque, associado a uma transmissão sequencial de 6 velocidades fornecida pela Hewland. Havia ainda um sistema push-to-pass, capaz de elevar temporariamente a potência para aproximadamente 335 cv em determinadas especificações.
A relação entre potência e peso era, naturalmente, o grande segredo. Com cerca de 500 cv por tonelada, o SP/300.R podia acelerar de 0 a 100 km/h em aproximadamente 3 segundos e atingir cerca de 290 km/h. Mais impressionante, porém, era a capacidade aerodinâmica: a Caterham estimava aproximadamente 450 kg de downforce a 250 km/h, cifra que transformava o pequeno protótipo em uma máquina capaz de gerar níveis de aderência muito superiores aos encontrados nos esportivos convencionais.
A proposta comercial também era bastante particular. O SP/300.R não foi concebido como um automóvel de rua, mas como um carro para track days e competição, com produção limitada a aproximadamente 25 unidades por ano. A Caterham pretendia ainda utilizar o modelo em uma categoria monomarca, criando uma nova etapa na trajetória de pilotos que já haviam competido com seus modelos de menor desempenho. A ideia era oferecer uma máquina mais sofisticada sem abandonar a filosofia de relativa simplicidade e custos controlados que sempre acompanhou a marca.
E havia uma razão importante para essa preocupação com a simplicidade. Apesar de sua aparência de protótipo de Le Mans, o SP/300.R foi pensado para ser operado por equipes pequenas e proprietários particulares, sem exigir a estrutura gigantesca normalmente associada a carros de competição de alto nível. A própria Lola destacava que seu envolvimento deveria resultar em um automóvel tecnicamente competente, mas ainda acessível e relativamente fácil de manter. A primeira unidade de produção destinada aos Estados Unidos foi entregue em 2012 à Dyson Racing, que também atuava como distribuidora oficial do modelo naquele mercado.
O Caterham-Lola SP/300.R de 2013 acabou se tornando, assim, uma das criações mais incomuns da história da Caterham. Não era uma evolução do Seven, nem pretendia substituí-lo. Era uma máquina completamente diferente, construída em torno da leveza, da aerodinâmica e da eficiência dinâmica, mas preservando a filosofia essencial da marca: oferecer o máximo de diversão possível com o mínimo de massa. A parceria com a Lola acrescentou ao projeto uma experiência de engenharia que dificilmente poderia ser encontrada dentro da própria Caterham, enquanto o conhecimento do fabricante britânico sobre carros leves ajudou a manter o protótipo relativamente simples e acessível.
Hoje, o SP/300.R é lembrado como um curioso capítulo da história da Caterham - um momento em que o tradicional fabricante do Seven olhou para além de sua própria tradição e tentou ocupar um espaço entre os track cars e os protótipos de competição. Com 545 kg, cerca de 300 cv, motor central, câmbio sequencial e uma carroceria capaz de gerar centenas de quilos de pressão aerodinâmica, o pequeno Caterham-Lola não precisava de um grande motor para ser assustadoramente rápido. Bastava combinar engenharia de competição, uma carroceria de protótipo e a velha receita britânica de tirar peso de tudo o que fosse possível.