1972 - CITROËN SM BEIGE THOLONET
Ainda no início dos anos 1970, surgia na França um dos automóveis mais ousados, sofisticados e incompreendidos de sua época. O Citroën SM não era apenas um carro - era uma afirmação tecnológica, um manifesto sobre o que o futuro poderia ser quando engenharia e criatividade se encontravam sem amarras.
Desenvolvido pela inovadora Citroën, o SM nasceu em um momento especial da marca, logo após sua aquisição da Maserati em 1968. A ideia era clara e ambiciosa: criar um grand tourer capaz de competir com os melhores do mundo, unindo o conforto e a tecnologia francesa com o desempenho italiano.
O resultado foi algo verdadeiramente único.
Visualmente, o Citroën SM parecia vindo de outro planeta. Seu perfil aerodinâmico, baixo e alongado, com traseira afilada e uma dianteira coberta por um painel de vidro que integrava faróis direcionais, desafiava completamente os padrões da época. Era um carro que não apenas chamava atenção - ele redefinia o que se esperava de um automóvel de luxo.
Sob o capô, batia um coração italiano: um motor V6 desenvolvido pela Maserati, compacto e girador, que conferia ao SM um desempenho digno de um verdadeiro gran turismo. Essa combinação inusitada criava uma experiência singular, onde suavidade e esportividade coexistiam de maneira surpreendente.
Mas o verdadeiro espetáculo estava na engenharia. O Citroën SM incorporava o avançado sistema hidropneumático da Citroën, que proporcionava um nível de conforto e estabilidade praticamente incomparável. O carro parecia flutuar sobre o asfalto, mantendo-se nivelado independentemente das condições da estrada.
Outro destaque era o inovador sistema de direção DIRAVI - uma tecnologia que ajustava automaticamente o retorno do volante e oferecia assistência variável, garantindo precisão em altas velocidades e leveza em manobras. Era uma solução tão avançada que ainda hoje impressiona engenheiros e entusiastas.
O interior seguia a mesma lógica futurista: instrumentos ovais, comandos pouco convencionais e uma ergonomia pensada de forma totalmente diferente do padrão tradicional. Tudo no SM transmitia a sensação de estar à frente de seu tempo.
No entanto, como muitos projetos visionários, o Citroën SM enfrentou dificuldades. A crise do petróleo de 1973, aliada a custos elevados e à complexidade mecânica, impactou diretamente suas vendas. Além disso, mudanças regulatórias - especialmente nos Estados Unidos - limitaram seu potencial em mercados importantes.
Como nota de curiosidade, o SM conquistou o prêmio de Carro do Ano na Europa em 1971 e chegou a ser utilizado por figuras políticas de alto escalão na França, reforçando seu status de símbolo tecnológico e cultural.
Hoje, o Citroën SM é lembrado como um dos automóveis mais inovadores já produzidos - uma obra-prima que ousou ir além das convenções e que, mesmo décadas depois, continua a parecer saída do futuro.