1936 - CORD LEBARON EXPERIMENTAL LIMOUSINE
A indústria automobilística americana da década de 1930 foi marcada por uma combinação singular de ousadia técnica, luxo e inovação estética. Mesmo em meio aos desafios econômicos da Grande Depressão, algumas empresas continuaram a desenvolver automóveis extraordinários, destinados a demonstrar o que havia de mais avançado em engenharia e design. Entre esses projetos especiais encontra-se um dos veículos mais fascinantes e pouco conhecidos de sua época: o Cord LeBaron Experimental Limousine, popularmente conhecido como ‘Baby Duesenberg Prototype’.
Para compreender a importância desse automóvel, é preciso conhecer a figura de Errett Lobban Cord, mais conhecido como E. L. Cord. Visionário, empreendedor e um dos grandes nomes da indústria automobilística americana dos anos 1920 e 1930, Cord construiu um império que incluía marcas lendárias como a Cord, a Auburn e a Duesenberg.
Sob sua liderança, essas empresas produziram alguns dos automóveis mais sofisticados e tecnologicamente avançados do período. Entretanto, E. L. Cord sabia que o futuro exigia constante inovação. Foi nesse contexto que surgiu o projeto experimental que mais tarde receberia o apelido de ‘Baby Duesenberg’.
O veículo foi desenvolvido em 1936 como uma proposta para um futuro automóvel de luxo que pudesse ocupar um espaço abaixo dos majestosos Duesenberg, mas acima dos modelos Cord convencionais. A ideia era criar um sedan de representação moderno, elegante e tecnologicamente avançado, mantendo o prestígio associado ao nome Duesenberg, porém em um formato mais compacto e acessível.
A carroceria foi construída pela renomada LeBaron, um dos mais prestigiados encarroçadores dos Estados Unidos. Conhecida por vestir alguns dos chassis mais exclusivos da época, a LeBaron produziu para este projeto uma elegante limousine de linhas fluidas e proporções harmoniosas.
Visualmente, o carro antecipava tendências que só se tornariam comuns vários anos depois. A dianteira possuía uma integração mais suave entre para-lamas e carroceria, enquanto o teto longo e a linha lateral contínua criavam uma aparência sofisticada e moderna. Em comparação com muitos automóveis contemporâneos, que ainda exibiam formas mais verticais e separadas, o protótipo parecia pertencer a uma geração futura.
Embora os registros técnicos completos sejam escassos, sabe-se que o automóvel utilizava componentes mecânicos derivados dos modelos Cord mais avançados da época. Seu desenvolvimento tinha como objetivo combinar desempenho refinado, conforto excepcional e uma estética capaz de representar o próximo passo na evolução dos automóveis de luxo americanos.
O aspecto mais interessante do projeto, contudo, é que ele não foi apenas um exercício de design. O protótipo tornou-se o automóvel pessoal de E. L. Cord. Isso significava que o homem que comandava algumas das marcas mais prestigiosas dos Estados Unidos escolheu justamente esse veículo experimental para seu uso particular, uma demonstração clara da confiança que depositava no conceito.
Como acontece com muitos protótipos, o ‘Baby Duesenberg’ nunca chegou à produção em série. As dificuldades financeiras que atingiram o império de Cord na segunda metade da década de 1930 acabaram interrompendo diversos projetos promissores. Pouco depois, as marcas Auburn, Cord e Duesenberg encerrariam suas atividades, colocando fim a uma das mais fascinantes histórias da indústria automobilística americana.
Entretanto, o protótipo sobreviveu como um testemunho do que poderia ter sido. Ele representa uma visão alternativa para o futuro dos automóveis de luxo americanos, um elo perdido entre a grandiosidade dos Duesenberg clássicos e as tendências estilísticas que dominariam o pós-guerra.
Hoje, o Cord LeBaron Experimental Limousine é considerado uma raridade extraordinária e uma das peças mais intrigantes da era Auburn-Cord-Duesenberg. Mais do que um simples carro experimental, ele simboliza o espírito visionário de E. L. Cord, um empresário que nunca teve receio de desafiar convenções e imaginar o futuro antes de seus concorrentes.
O apelido ‘Baby Duesenberg’ surgiu porque o automóvel foi concebido para oferecer parte do prestígio e da sofisticação dos enormes Duesenberg Model J em um pacote mais compacto e moderno. Embora nunca tenha recebido oficialmente esse nome, a denominação foi adotada por historiadores e colecionadores e permanece associada ao carro até hoje. O fato de ter servido como veículo pessoal de E. L. Cord apenas reforçou sua aura quase mítica, transformando-o em um dos protótipos mais importantes e misteriosos da história automobilística americana.