1972 - DE TOMASO MANGUSTA
Na segunda metade da década de 1960, o cenário dos esportivos de alto desempenho estava em ebulição. Ferrari, Lamborghini e Maserati disputavam a atenção de milionários e entusiastas em busca do carro mais rápido, mais belo e mais exclusivo. Foi nesse ambiente competitivo que Alejandro de Tomaso, ex-piloto argentino radicado na Itália, apresentou em 1967 um automóvel que marcaria para sempre sua marca: o De Tomaso Mangusta.
O Mangusta foi concebido como sucessor do Vallelunga, primeiro modelo de produção da De Tomaso, mas desta vez com pretensões muito maiores. O carro utilizava um chassi backbone (coluna central), estrutura que Alejandro de Tomaso admirava pela leveza e simplicidade. Sobre esse esqueleto foi montada uma carroceria de linhas arrebatadoras, projetada por Giorgetto Giugiaro, na época trabalhando para a Ghia.
O design era simplesmente espetacular. Baixíssimo, largo e agressivo, o Mangusta trazia proporções perfeitas e detalhes ousados, como a traseira com capôs bipartidos que se abriam em forma de ‘asa de gaivota’ para revelar o motor. Era uma solução estética única, que se tornaria a assinatura visual do modelo.
No coração do carro, batia um motor americano. Alejandro de Tomaso acreditava na confiabilidade e na força bruta dos V8 da Ford, que além de mais baratos, facilitavam a exportação para os Estados Unidos, principal mercado-alvo do Mangusta. O carro recebia motores V8 de 4.7 ou 5.0 litros, com potência em torno de 300 cv, acoplados a uma transmissão ZF de 5 velocidades, a mesma utilizada em outros superesportivos da época. O desempenho era impressionante: velocidade máxima próxima dos 250 km/h, números respeitáveis para o período.
No entanto, o Mangusta tinha também suas falhas. O chassi backbone, embora engenhoso, mostrava-se frágil diante da potência do motor, comprometendo a rigidez estrutural. A distribuição de peso, fortemente concentrada na traseira, resultava em comportamento arisco, que exigia habilidade e coragem de seu condutor. O nome escolhido - Mangusta, animal conhecido por caçar e matar cobras - era uma provocação direta à Shelby Cobra americana, mas ironicamente o carro não era fácil de domar.
Produzido entre 1967 e 1972, o De Tomaso Mangusta teve apenas cerca de 400 exemplares construídos, tornando-se uma peça rara e desejada no mercado de colecionadores. Mais do que um superesportivo, ele foi o cartão de visitas que consolidou a De Tomaso como marca de respeito no cenário internacional, preparando o terreno para o Pantera, que viria na década seguinte em parceria com a Ford.
Hoje, o De Tomaso Mangusta é celebrado como um dos mais belos automóveis dos anos 1960, uma combinação fascinante de design arrebatador, motor americano e temperamento indomável. Um carro que encarna como poucos o espírito ousado e apaixonado de Alejandro de Tomaso.