1988 - DE TOMASO PANTERA GT5-S RED
No vasto e apaixonante universo da indústria automobilística italiana, poucos fabricantes representam de maneira tão clara o espírito ousado e cosmopolita do pós-guerra quanto a De Tomaso. Fundada em 1959 em Modena pelo argentino naturalizado italiano Alejandro de Tomaso, a marca nasceu com a ambição de unir o refinamento do design italiano à potência bruta da engenharia americana.
Ao longo das décadas de 1960 e 1970, a empresa construiu uma reputação singular no mundo dos esportivos exóticos, e nenhum de seus modelos simbolizou melhor essa filosofia do que o lendário De Tomaso Pantera. No final dos anos 1980, quando muitos pensavam que o modelo já havia dito tudo o que tinha a dizer, surgiu uma de suas evoluções mais dramáticas e impressionantes: o Pantera GT5-S de 1988.
À primeira vista, o GT5-S parecia mais um supercarro saído de um estúdio de design futurista do que um automóvel cuja origem remontava ao início da década de 1970. O desenho original, criado por Tom Tjaarda no estúdio da Ghia, já era uma obra de linhas baixas e proporções clássicas de motor central. No entanto, na versão GT5-S o carro ganhou uma presença ainda mais teatral. As largas caixas de roda integradas à carroceria - agora moldadas em aço em vez de fibra - abraçavam pneus enormes, enquanto a dianteira afilada e o para-brisa inclinado reforçavam sua postura agressiva. Atrás, o amplo vidro do motor revelava discretamente o coração mecânico que fazia desse carro algo especial.
Caminhar ao redor do Pantera GT5-S era como observar um predador pronto para saltar. A carroceria larga e musculosa parecia colar o carro ao asfalto. As rodas de liga leve profundas preenchiam completamente os para-lamas alargados, enquanto as entradas de ar laterais alimentavam o motor com a mesma naturalidade com que um atleta inspira antes de uma corrida.
Abrindo a porta, o ambiente interno revelava um contraste interessante entre esportividade e luxo típico dos esportivos italianos da época. O interior era revestido em couro macio, muitas vezes em cores vibrantes que contrastavam com o exterior. O painel, anguloso e repleto de instrumentos analógicos, colocava o condutor no centro da experiência. Cada mostrador parecia lembrar que aquele não era apenas um carro bonito - era uma máquina construída para ser conduzida com entusiasmo.
Atrás dos bancos, montado em posição central-traseira, repousava um velho conhecido da engenharia americana: o robusto V8 5.8 litros da Ford Motor Company. Derivado da família Cleveland, esse motor entregava cerca de 330 cv em algumas configurações europeias da época. Mais do que os números absolutos, era o caráter que impressionava. Ao girar a chave, o V8 despertava com um som grave e encorpado, um rugido metálico que ecoava pelo compartimento do motor e invadia a cabine. A combinação com a transmissão manual de 5 velocidades transformava cada aceleração em uma experiência intensa, quase mecânica em sua pureza.
Na estrada, o GT5-S era um carro que exigia respeito, mas também recompensava o condutor com uma sensação de conexão direta com a máquina. A direção pesada, o ronco constante do V8 e a posição de dirigir baixa criavam uma atmosfera que poucos esportivos modernos conseguem reproduzir. Era o tipo de carro que transformava qualquer túnel em um palco para seu som inconfundível.
Quando o Pantera GT5-S de 1988 chegou ao mercado, ele já representava o capítulo final de uma história iniciada quase duas décadas antes. Ainda assim, sua presença era tão marcante que parecia desafiar o tempo, provando que um design forte e uma mecânica carismática podem atravessar gerações sem perder o fascínio.
Lembrando que, apesar de ser um supercarro italiano, muitos Panteras foram vendidos originalmente nos Estados Unidos através da rede da Ford Motor Company durante os primeiros anos de produção. Essa parceria incomum transformou o Pantera em um dos raros exóticos europeus que podiam ser comprados diretamente em concessionárias americanas no início da década de 1970 - uma combinação perfeita de estilo italiano e músculo americano que ajudou a eternizar sua lenda.