1973 - DE TOMASO PANTERA RED
Na Itália do início dos anos 1970, surge um dos automóveis mais fascinantes e improváveis da história da indústria automobilística. Trata-se do lendário De Tomaso Pantera, apresentado no início da década e que, em 1973, já se consolidava como um dos superesportivos mais desejados de sua geração.
A história do Pantera começa com um personagem igualmente carismático: Alejandro de Tomaso. Nascido na Argentina e radicado na Itália, De Tomaso fundou em Modena o fabricante De Tomaso Automobili no final dos anos 1950. A marca rapidamente ganhou reputação por produzir esportivos exóticos e agressivos, como o Vallelunga e o Mangusta, mas o grande salto viria com um projeto muito mais ambicioso.
Esse projeto surgiu de uma parceria inesperada com a gigante americana Ford Motor Company. No final dos anos 1960, a Ford buscava um esportivo de motor central capaz de competir com os modelos europeus, enquanto De Tomaso precisava de uma rede de distribuição internacional. A união dessas duas necessidades deu origem ao Pantera, um carro que combinava design italiano com força mecânica americana.
O design da carroceria ficou a cargo do famoso estúdio Ghia, responsável por criar uma silhueta baixa, larga e extremamente agressiva. As linhas eram angulosas e modernas, com faróis escamoteáveis, entradas de ar pronunciadas e uma traseira musculosa que deixava claro onde estava o coração do carro. Era um típico supercarro da década de 1970, com presença visual capaz de parar o trânsito em qualquer avenida europeia.
Debaixo da carroceria estava um dos segredos do sucesso do Pantera: o robusto motor Ford V8 Cleveland de 5.8 litros. Montado em posição central-traseira, o propulsor entregava cerca de 330 cv de potência nas primeiras versões europeias. Combinado a uma transmissão manual ZF de 5 velocidades, o conjunto permitia ao carro alcançar velocidades superiores a 250 km/h, números impressionantes para a época.
Em 1973, o Pantera já havia evoluído e aparecia em diferentes versões e configurações, cada uma refletindo as mudanças técnicas e estéticas que o modelo recebia ao longo de sua carreira.
A primeira grande versão foi o Pantera L (Lusso), introduzido em 1972 e ainda presente em 1973. Esse modelo trouxe melhorias importantes em acabamento, ergonomia e confiabilidade. O interior foi refinado, com melhor isolamento acústico, novos bancos e materiais de qualidade superior, tornando o carro mais confortável para uso cotidiano.
Outra variante importante foi o Pantera destinado ao mercado americano, vendido por meio da rede de concessionárias da Ford e da Lincoln-Mercury nos Estados Unidos. Para atender às exigentes normas de emissões e segurança daquele país, esses modelos receberam algumas alterações mecânicas e visuais, incluindo para-choques mais robustos e ajustes no motor.
Além dessas versões de produção, também começaram a surgir interpretações mais radicais do Pantera voltadas para o alto desempenho. Entre elas estavam preparações especiais que aumentavam a potência do motor V8 e modificavam a suspensão e a aerodinâmica, transformando o carro em uma verdadeira máquina de pista.
Visualmente, o Pantera de 1973 mantinha todos os elementos que o tornaram icônico: carroceria baixa e larga, rodas esportivas de grande diâmetro, entradas de ar laterais e a impressionante tampa traseira ventilada que deixava escapar o calor do poderoso V8 central. Era um automóvel que transmitia velocidade mesmo quando estava parado.
No interior, o ambiente era típico dos supercarros italianos da época: instrumentos numerosos, volante esportivo e posição de condução baixa, quase como em um carro de corrida. Ao mesmo tempo, o motor americano oferecia uma vantagem importante em relação a muitos rivais italianos - robustez e relativa facilidade de manutenção, algo que agradava especialmente aos compradores norte-americanos.
Graças a essa combinação única de estilo italiano e mecânica americana, o Pantera tornou-se um sucesso internacional e permaneceu em produção por mais de duas décadas, algo bastante raro para um superesportivo.
Existe também uma curiosidade fascinante sobre esse carro: um dos proprietários mais famosos de um Pantera foi o lendário músico Elvis Presley. Diz a história que, em um momento de frustração quando o carro se recusou a dar partida, Elvis teria sacado um revólver e disparado contra o veículo - um episódio que acabou se tornando parte do folclore automotivo do modelo.
Assim, o De Tomaso Pantera de 1973 permanece como um dos supercarros mais emblemáticos de sua era: um automóvel que uniu duas culturas automobilísticas distintas - a paixão italiana pelo design e a força bruta americana - criando uma máquina que ainda hoje desperta admiração e respeito entre entusiastas do mundo inteiro.