1972 - FERRARI F365 GTC/4 VERDE NIJINSKY
Visitando a Itália dos anos 1970, em Maranello a Ferrari atravessava um momento de transição silenciosa, porém decisivo. A marca fundada por Enzo Ferrari já era sinônimo de competição e exclusividade, mas começava a compreender que o futuro também passava pelos gran turismos refinados, capazes de unir desempenho elevado, conforto e usabilidade cotidiana. É nesse contexto que surge o Ferrari F365 GTC/4, apresentado no início da década como uma resposta elegante às novas demandas do mercado.
Derivado tecnicamente do F365 GT 2/2, o GTC/4 assumia uma personalidade distinta. Seu design, assinado pela Pininfarina, abandonava o excesso de cromados e as curvas clássicas em favor de linhas mais limpas e modernas, perfeitamente alinhadas ao espírito dos anos 1970. A frente baixa, os faróis escamoteáveis e o perfil fluido conferiam ao carro uma presença discreta, quase contida - uma Ferrari que preferia impressionar pelo equilíbrio e pela sofisticação, não pela ostentação.
Sob o capô encontrava-se o tradicional V12 Colombo de 4.4 litros, alimentado por seis carburadores Weber, capaz de produzir cerca de 340 cv. Montado à frente, mas recuado para melhor distribuição de peso, o motor trabalhava em conjunto com uma transmissão manual de 5 velocidades, oferecendo ao GTC/4 um comportamento surpreendentemente equilibrado para um carro de sua categoria. Não era um esportivo radical, mas um gran turismo rápido, estável e extremamente agradável para longas viagens em alta velocidade - exatamente o que muitos clientes da Ferrari buscavam naquele período.
O interior reforçava essa proposta. O acabamento era luxuoso, com couro abundante e materiais de alta qualidade, enquanto o painel de instrumentos, repleto de mostradores circulares, mantinha o ambiente típico de Maranello. A configuração 2/2 tornava o carro mais versátil do que as berlinettas de dois lugares, sem comprometer sua elegância ou desempenho.
Produzido entre 1971 e 1972, o Ferrari F365 GTC/4 teve uma vida relativamente curta, com cerca de 500 unidades fabricadas. Essa brevidade, aliada ao seu posicionamento discreto dentro da gama Ferrari, fez com que o modelo permanecesse por muitos anos à sombra de ícones mais chamativos. No entanto, com o passar do tempo, ele passou a ser reconhecido como um dos gran turismos mais equilibrados e refinados já produzidos pela marca.
O F365 GTC/4 marcou uma das últimas aparições do motor V12 Colombo em configuração clássica antes das mudanças profundas que a Ferrari adotaria nos anos seguintes. Hoje, muitos colecionadores veem o modelo como uma joia escondida - uma Ferrari para conhecedores, mais apreciada pela harmonia do conjunto do que pela busca por protagonismo.