2021 - FERRARI ROMA ROSSO FIORANO
Há cidades que não precisam se impor para serem eternas. Elas simplesmente são. E foi justamente essa aura de elegância discreta, sofisticação atemporal e prazer despreocupado que a Ferrari buscou capturar ao apresentar, em 2019, o Ferrari Roma. Não se tratava apenas de lançar mais um modelo; era uma declaração estética e filosófica.
Para compreender o Roma, é preciso lembrar que Maranello construiu sua reputação tanto com máquinas brutais de pista quanto com gran turismos refinados. Desde os anos 1950 e 1960, a Ferrari sabia produzir carros capazes de cruzar a Itália em alta velocidade com conforto e charme. O Roma surge justamente como herdeiro espiritual dessa tradição - mas reinterpretado para o século XXI.
Ao nos aproximarmos do carro, o impacto é imediato, embora não agressivo. Diferente de outros modelos contemporâneos da marca, repletos de entradas de ar dramáticas e superfícies esculpidas como lâminas, o Roma aposta na pureza das formas. A dianteira é limpa, quase minimalista, com uma grade integrada à carroceria que parece flutuar sob uma faixa horizontal sutil. Os faróis afilados completam o olhar moderno e sofisticado.
O perfil é um espetáculo de proporções clássicas: capô longo, cabine recuada, traseira compacta. A linha de cintura é fluida, contínua, e a superfície lateral parece esticada com precisão matemática. Na traseira, as lanternas duplas remetem discretamente aos Ferrari clássicos, mas reinterpretadas com tecnologia LED e um desenho contemporâneo.
Debaixo do capô encontra-se um motor V8 biturbo de 3.9 litros, membro da premiada família F154 da Ferrari. São 620 cv de potência enviados às rodas traseiras por meio de uma transmissão de dupla embreagem com 8 velocidades - a mesma arquitetura básica introduzida no SF90 Stradale, porém adaptada ao caráter do Roma. O resultado? Aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 3.4 segundos e velocidade máxima superior a 320 km/h.
Mas números frios não contam a história completa.
Ao volante, o Roma não é um superesportivo nervoso; ele é um gran turismo moderno. A entrega de potência é progressiva, envolvente, quase sedutora. A direção é precisa, o chassi responde com equilíbrio e a eletrônica trabalha de forma quase invisível para garantir que o prazer esteja sempre acima da tensão. É um carro que convida a longas viagens pela costa amalfitana tanto quanto a um sprint em uma autostrada vazia ao amanhecer.
O interior marca uma nova fase no design da Ferrari. O painel envolve condutor e passageiro em duas células quase simétricas, criando uma sensação de cockpit duplo. A instrumentação é totalmente digital, dominada por uma grande tela curva diante do condutor, enquanto o console central elevado abriga comandos sensíveis ao toque. Couro de altíssima qualidade, acabamentos metálicos e um cuidado obsessivo com detalhes reforçam a atmosfera de luxo contemporâneo.
O nome ‘Roma’ não foi escolhido por acaso. Ele evoca a ‘dolce vita’ dos anos 1950 e 1960 - uma época em que elegância e prazer caminhavam lado a lado. O carro não é sobre excessos visuais ou radicalismo técnico; é sobre equilíbrio, beleza e desempenho utilizável.
Com o Roma, a Ferrari provou que ainda sabe sussurrar quando todos esperam que ela grite. Embora compartilhe a base mecânica com outros V8 modernos da marca, o Roma foi calibrado especificamente para priorizar fluidez e refinamento, sendo considerado por muitos como um dos Ferrari mais ‘civilizados’ das últimas décadas - uma verdadeira ponte entre o passado clássico e o presente tecnológico de Maranello.