1970 - FORD MUSTANG SHELBY GT350
Vamos lembrar agora de um dos nomes mais célebres da história automotiva: Carroll Shelby. E ao chegarmos ao ano de 1970, encontramos um carro que carrega tanto brilho quanto melancolia. O Ford Mustang Shelby GT350 de 1970 não é apenas mais um esportivo - é o último suspiro de uma parceria que redefiniu o conceito americano de desempenho.
A história dessa linhagem começa, claro, em 1965, quando Shelby transformou o Mustang em um verdadeiro carro de competição. Os primeiros GT350 eram ágeis, nervosos, quase rústicos - pura essência racing. Porém, conforme a década avançava, o público pedia mais conforto, mais equipamentos, mais presença visual. E assim, ano após ano, os Shelbys tornaram-se mais civilizados, mais potentes, mais luxuosos - e também mais sofisticados.
Quando chegamos ao GT350 de 1970, chegamos ao fim dessa trilha. Tecnicamente, ele era uma continuação do modelo 1969, e isso não diminui seu charme; ao contrário, torna-o ainda mais especial. Por questões de mercado, vários exemplares produzidos em 1969 foram reclassificados como 1970, recebendo novos números de série e detalhes cosméticos. Isso faz do GT350 1970 um dos Shelbys mais raros e curiosos da história.
Visualmente, ele incorporava o espírito ousado da época: frente alongada, entradas de ar agressivas, capô com tomadas funcionais, faixas decorativas precisas e um conjunto que parecia - e era - musculoso. As rodas de cinco raios específicos Shelby completavam o visual, ao mesmo tempo elegante e feroz.
Sob o capô estava o conhecido V8 351 Windsor, uma fábrica de torque que entregava força ampla e imediata. Não era tão brutal quanto o 428 Cobra Jet do GT500, mas trazia um equilíbrio singular entre potência e direção, algo mais próximo da filosofia inicial de Carroll Shelby: leve, rápido e comunicativo. Ao volante, o GT350 1970 oferecia acelerações cheias de vigor, som encorpado e aquela sensação irresistível de que tudo respondia na hora certa, do jeito certo.
Por dentro, ele já refletia o refinamento crescente: painel bem-acabado, instrumentos claros, bancos confortáveis e toda a aura de um esportivo que queria agradar civicamente sem perder seu espírito selvagem. Era o Shelby mais maduro - e isso tinha seu charme.
Mas a história cobra sua conta. Em 1970, a parceria entre Shelby e Ford chegava ao fim. Mudanças no mercado, pressões regulatórias e rumos diferentes dentro da própria Ford tornaram inviável a continuidade do projeto. Assim, o GT350 1970 tornou-se o último da linhagem clássica, o fechamento da porta de uma era que jamais se repetiria.
Hoje, esse modelo é visto quase como uma peça de transição: ainda carregava o DNA dos primeiros GT350, mas já trazia o requinte e o tamanho dos Shelbys posteriores. Uma síntese elegante, poderosa e historicamente importante.
O GT350 de 1970 podia ser identificado facilmente por um detalhe exclusivo: faixas laterais posicionadas mais baixas e a presença de emblemas ‘SHELBY’ colocados na frente e nas laterais a pedido da própria Ford - mudanças feitas justamente para diferenciá-lo oficialmente do modelo 1969 reaproveitado.