1991 - FORD SIERRA RS SAPPHIRE COSWORTH 4X4
No início da década de 1990, a Ford demonstrava que um sedan familiar podia oferecer desempenho digno de um esportivo de competição. O Ford Sierra RS Sapphire Cosworth 4x4, modelo de 1991, representava a evolução de uma das mais respeitadas linhagens de automóveis esportivos da indústria britânica, reunindo um motor turboalimentado desenvolvido com a Cosworth, tração integral e uma carroceria de quatro portas que conciliava desempenho e praticidade. Mais refinado do que o Sierra RS Cosworth original, o Sapphire 4x4 preservava o espírito competitivo da família, mas acrescentava maior estabilidade e facilidade de condução em diferentes condições de piso.
A história dessa linhagem começou em 1986, quando a Ford lançou o Sierra RS Cosworth de três portas, desenvolvido com o objetivo de conquistar protagonismo nas competições de turismo sob os regulamentos do Grupo A. O projeto recebeu um motor de 2.0 litros preparado pela Cosworth, além de modificações no chassi, na suspensão e na aerodinâmica. Em 1988, a versão esportiva passou a utilizar a carroceria sedan de quatro portas, comercializada no Reino Unido como Sierra Sapphire RS Cosworth. Inicialmente equipada com tração traseira, essa variante ganhou em janeiro de 1990 uma importante evolução: um sistema de tração integral derivado da experiência da Ford com o Sierra XR 4x4, acompanhado de melhorias no motor, na transmissão e nos freios.
Visualmente, o Sapphire Cosworth 4x4 apresentava uma interpretação mais discreta do conceito de sedan esportivo. A carroceria de quatro portas preservava as linhas aerodinâmicas do Sierra Sapphire convencional, mas recebia para-choques específicos, saias laterais, entradas de ar no capô e um aerofólio traseiro que ajudava a identificar sua vocação esportiva. As rodas de liga leve de desenho característico, os emblemas Cosworth e os detalhes exclusivos completavam o conjunto. Em 1991, o modelo recebeu atualizações visuais e de acabamento, incluindo novas rodas, painel de instrumentos modernizado e mudanças nos revestimentos internos. A combinação entre aparência relativamente sóbria e desempenho elevado fazia do Sierra um dos representantes mais interessantes dos sedans esportivos europeus daquela época.
O principal destaque mecânico estava sob o capô: o Cosworth YB, um quatro-cilindros de 1.993 cm³, com duplo comando de válvulas no cabeçote, 16 válvulas e turbocompressor Garrett T03. Na versão com tração integral, o motor recebeu um bloco de ferro fundido reforçado, cabeçote revisado e intercooler ampliado, aprimoramentos destinados a aumentar a resistência e melhorar o controle da temperatura do ar admitido. A alimentação utilizava injeção eletrônica multiponto Weber-Marelli, gerenciada pelo sistema Ford EEC-IV. Na configuração de rua, a potência alcançava 220 cv a 6.000 rpm, enquanto o torque máximo chegava a aproximadamente 290 Nm a 3.500 rpm, números expressivos para um sedan esportivo de 2.0 litros no início dos anos 1990.
A grande novidade, entretanto, estava na transmissão. O sistema de tração integral permanente, desenvolvido a partir da arquitetura utilizada no Sierra XR 4x4, empregava uma caixa manual de 5 marchas MT75, diferencial central com acoplamento viscoso e diferencial traseiro autoblocante também com acoplamento viscoso. A distribuição nominal de torque favorecia o eixo traseiro, com aproximadamente 34% da força enviada às rodas dianteiras e 66% às traseiras, preservando boa parte do comportamento dinâmico característico dos Sierra Cosworth de tração traseira, mas acrescentando maior capacidade de tração em pisos molhados ou escorregadios. O conjunto tornava o Sapphire Cosworth 4x4 mais previsível na aceleração e particularmente eficiente ao transmitir sua potência ao asfalto.
O chassi recebeu modificações para acompanhar o aumento de desempenho e a complexidade do sistema de transmissão. A suspensão dianteira utilizava colunas MacPherson, molas helicoidais, amortecedores pressurizados a gás e barra estabilizadora, enquanto a traseira independente recorria a braços semitrailing, molas helicoidais e amortecedores telescópicos. A direção hidráulica de pinhão e cremalheira proporcionava respostas rápidas, e os freios a disco ventilados nas quatro rodas trabalhavam em conjunto com o sistema antitravamento ABS. As rodas de liga leve de 15 polegadas, calçadas com pneus 205/50 ZR15, completavam o conjunto. Com aproximadamente 1.280 kg em ordem de marcha, o sedan apresentava um equilíbrio interessante entre estabilidade, aderência e utilização cotidiana.
No interior, a proposta combinava esportividade e conforto. Os bancos dianteiros Recaro ofereciam apoio lateral adequado à condução vigorosa, enquanto o acabamento, o painel de instrumentos e os equipamentos de conveniência preservavam o caráter de um sedan familiar de categoria superior. Dependendo da configuração, havia revestimento dos bancos em tecido ou couro, ar-condicionado, vidros elétricos e teto solar. Em agosto de 1991, o modelo recebeu uma atualização que incluiu rodas de desenho renovado, painel modernizado, novos revestimentos e catalisador em determinadas versões, alterações que ajudaram a adequá-lo às exigências de emissões e ao gosto dos consumidores do início da década.
Os números de desempenho confirmavam a eficácia do conjunto. O Sierra Sapphire RS Cosworth 4x4 acelerava de 0 a 96 km/h em cerca de 6.6 segundos e alcançava velocidade máxima próxima de 235 a 240 km/h, dependendo da especificação e das condições de medição. Embora a carroceria de quatro portas e o equipamento adicional tornassem o modelo mais pesado do que o Sierra Cosworth original, a tração integral permitia aproveitar melhor a potência disponível, sobretudo em arrancadas e superfícies de baixa aderência. A produção foi encerrada em dezembro de 1992, após aproximadamente 12.250 unidades da versão 4x4, montadas na fábrica da Ford em Genk, na Bélgica.
O legado do Ford Sierra RS Sapphire Cosworth 4x4 de 1991 vai além de seus números de desempenho. Ele representou uma etapa importante na evolução dos esportivos da Ford, aproximando a experiência das competições de rally de um sedan que podia ser utilizado diariamente. Sua combinação de motor turboalimentado, transmissão integral sofisticada e carroceria discreta antecipou uma fórmula que ganharia ainda mais importância entre os esportivos europeus nas décadas seguintes. Hoje, é reconhecido como um dos grandes representantes da era de ouro dos sedans turboalimentados, especialmente valorizado por entusiastas da linhagem Cosworth.








































