1967 - GINETTA G12
A história do Ginetta G12 de 1967 é uma fascinante narrativa de inovação e desempenho no automobilismo britânico. Lançado em 1966 pela Ginetta Cars, um fabricante fundado em 1958 pelos irmãos Walklett (Bob, Ivor, Douglas e Trevers) em Woodbridge, Suffolk, Inglaterra, o G12 foi um marco como o primeiro carro britânico de motor central a ser produzido, destacando-se como um ‘matador de gigantes’ nas pistas de corrida.
Origem e Desenvolvimento
O Ginetta G12 foi concebido como uma evolução do bem-sucedido G4 GT, mas com uma abordagem radical para a época: um chassi tubular de aço com motor montado atrás do condutor, à frente do eixo traseiro, uma configuração inovadora que antecipou modelos como o Lotus 47 e o Chevron B8. Essa arquitetura de motor central proporcionava um equilíbrio excepcional, ideal para competições de GT. O carro apresentava uma carroceria leve de fibra de vidro, pesando cerca de 544 kg, o que, combinado com sua estrutura robusta, garantia agilidade e resistência.
O G12 foi projetado para ser versátil, vendido sem motor e caixa de câmbio, permitindo que os proprietários escolhessem propulsores de 997 cc até 2.000 cc. O motor mais popular era o Lotus Twin-Cam de 1.558 cc ou 1.600 cc com carburadores Weber duplos, acoplado a uma transmissão Hewland de 5 velocidades com diferencial de deslizamento limitado. A suspensão dianteira utilizava braços duplos derivados da Triumph, enquanto a traseira contava com braços de raio, elos transversais superiores e molas helicoidais. Freios a disco Girling nas quatro rodas garantiam uma frenagem eficiente.
Desempenho e Sucesso nas Pistas
O G12 estreou com grande impacto em julho de 1966, quando o piloto Chris Meek levou o protótipo à vitória em sua primeira corrida em Mallory Park. No mesmo ano, Willie Green, pilotando um G12 equipado com um motor Cosworth SCA de 997 cc, conquistou vitórias de classe em quase todas as corridas da temporada. Em 1967, o G12 continuou a dominar, superando adversários formidáveis como Shelby Cobra, Lotus Elan, Lotus Europa e até Ford GT40, especialmente na série MN de 1.150 cc. Sua leveza e agilidade também o tornaram competitivo em eventos de subida de montanha (hill climbs).
Apenas cerca de 28 a 33 unidades do G12 foram produzidas entre 1966 e 1968, com algumas fontes sugerindo até 50 exemplares, o que reforça sua exclusividade. Um dos exemplares notáveis, o chassi G12-15, foi o primeiro G12 exportado para os Estados Unidos, vendido em 7 de abril de 1967 para Arthur E. Allen, da Competition Car Imports, em Los Angeles. Este carro, equipado com um motor Lotus Twin-Cam de 1.600 cc, foi restaurado duas vezes (1990 e 2013/2014) e possui um Passaporte Técnico Histórico da FIA, sendo apto para corridas históricas.
Legado e Continuidade
O sucesso do G12 consolidou a reputação da Ginetta como um fabricante de carros de corrida acessíveis, confiáveis e de alto desempenho. Apesar de sua produção ter cessado em 1968, substituído pelo G16, que aceitava motores maiores, o G12 influenciou modelos subsequentes, como os monopostos G17 e G18. Após a aposentadoria dos irmãos Walklett em 1989, a Ginetta passou por mudanças de propriedade, mas o G12 continuou sendo reverenciado, com algumas unidades sendo reproduzidas no Japão na década de 1990 pela Wary House, sob supervisão da Dare Ltd., dos irmãos Walklett.
Hoje, o Ginetta G12 é um clássico cobiçado, especialmente em corridas históricas, com exemplares como o chassi 12/12 avaliados entre 55.000 e 60.000 libras esterlinas (404.000 e 440.000 reais). Sua combinação de design inovador, desempenho excepcional e história vitoriosa nas pistas o torna um ícone do automobilismo britânico, celebrando a paixão e a engenhosidade dos irmãos Walklett.