1966 - LAMBORGHINI 4000 GT FLYING STAR II
O Lamborghini 4000 GT Flying Star II é um protótipo único, construído em 1966 pela Carrozzeria Touring Superleggera, uma renomada empresa italiana de carrocerias, que já havia colaborado com a Lamborghini na criação do 350 GT, o primeiro modelo de produção da marca. Este carro foi projetado como um conceito inovador para a época, sendo apresentado no Salão de Turin, em novembro de 1966, marcando uma das últimas criações da Touring antes de sua falência no final daquele ano.
A Carrozzeria Touring, enfrentando dificuldades financeiras, buscava com o Flying Star II atrair a atenção da Lamborghini e garantir novos contratos. O projeto foi liderado por Carlo Felice Bianchi Anderloni, filho do fundador da Touring, Felice Bianchi Anderloni. O nome Flying Star II fazia referência às carrocerias Flying Star da Touring na era pré-guerra, construídas sobre chassis de marcas como Alfa Romeo e Isotta Fraschini. No entanto, o Flying Star II era um conceito completamente novo, baseado em um chassi encurtado do Lamborghini 400 GT, com 10 cm a menos que o original, para criar um perfil mais compacto.
Design e Características
O Flying Star II era um automóvel de dois lugares com uma carroceria no estilo shooting brake, caracterizada por uma traseira hatchback que dava acesso a um compartimento de carga, ideal para bagagens, tornando-o um grand tourer funcional. Suas linhas angulares e o design do teto, que lembrava vagamente um carro familiar, eram considerados ousados e controversos para a época. O carro apresentava faróis duplos na frente e uma estética que antecipava tendências de design dos anos 1970, mas que não agradou a todos na época de seu lançamento. Apesar disso, era um protótipo totalmente funcional, equipado com o motor V12 de 3.9 litros do 400 GT, produzindo 320 cv de potência a 6.500 rpm, com uma transmissão manual de 5 velocidades, suspensão independente nas quatro rodas e freios a disco. Sua velocidade máxima era estimada em cerca de 240-250 km/h, com um peso total de 1.320 kg.
Recepção e Destino
Apesar de seu design inovador, o Flying Star II não conquistou o público nem a Lamborghini, que optou por continuar produzindo os modelos 350 GT e 400 GT, mais convencionais e alinhados com as expectativas do mercado. O tamanho relativamente grande para um carro de dois lugares e o design pouco usual do teto contribuíram para a falta de interesse. Após a apresentação no Salão de Turin, onde foi exibido com rodas de liga leve Campagnolo (substituindo as originais Borrani de raios), o protótipo foi vendido a um cliente francês, Jacques Quoirez, irmão da escritora Françoise Sagan, por meio do importador francês da Lamborghini, Ciclet. Durante sua posse, o carro teve o interior renovado, mas Quoirez acabou abandonando-o na oficina da Ciclet.
O Flying Star II permaneceu relativamente obscurecido até ser redescoberto e restaurado no final dos anos 1990. Em 1999, foi colocado à venda e, após a restauração pela própria Carrozzeria Touring Superleggera (que foi revivida em 2006), o carro foi exibido em eventos de prestígio, como o Rétromobile de 2013 e o Concorso d’Eleganza Villa d’Este, celebrando o 50º aniversário da Lamborghini.
Legado
O Lamborghini 4000 GT Flying Star II é lembrado como um marco na história da Lamborghini e da Carrozzeria Touring, sendo o último projeto da empresa antes de sua dissolução em 1966. Embora não tenha entrado em produção, sua estética ousada e o conceito de shooting brake influenciaram designs posteriores, como o Bentley Continental Flying Star de 2010, também da Touring Superleggera. Hoje, o Flying Star II é uma peça de colecionador, valorizada por sua singularidade e por representar um capítulo audacioso na trajetória da Lamborghini, uma marca que sempre buscou desafiar convenções.