1969 - LOLA T70 MK3B CHEVROLET
No final dos anos 1960, quando os protótipos de resistência se tornavam cada vez mais velozes e sofisticados, o britânico Lola T70 Mk3B Chevrolet representava uma combinação particularmente eficaz entre engenharia europeia e força bruta norte-americana. Evolução do T70 Mk3, concebido por Eric Broadley, com contribuições de engenharia de Tony Southgate, a versão Mk3B chegou em 1969 com mudanças profundas na estrutura, na aerodinâmica e na transmissão. Embora mantivesse a aparência baixa e musculosa que havia consagrado a família T70, era, na prática, uma máquina amplamente revisada para continuar competitiva diante de adversários cada vez mais avançados.
A carroceria fechada, construída em fibra de vidro, recebeu uma dianteira mais baixa e limpa, com dois faróis de cada lado protegidos por uma cobertura transparente. O trabalho aerodinâmico buscava aumentar a pressão sobre o carro em alta velocidade, enquanto a estrutura passou a utilizar um monocoque de alumínio, solução que contribuía para reduzir o peso e melhorar a rigidez. Sob a carroceria, a suspensão independente nas quatro rodas e os freios a disco completavam um conjunto concebido para suportar o esforço das provas de longa duração. A transmissão Hewland LG600 também foi revisada e passou a oferecer 5 velocidades, ampliando as possibilidades de aproveitamento do motor em diferentes circuitos.
O grande protagonista, entretanto, continuava sendo o V8 Chevrolet de aproximadamente 5.0 litros, naturalmente aspirado. Dependendo da preparação e da especificação de corrida, sua potência ficava na faixa de 450 a 500 cv, entregando a força necessária para impulsionar o protótipo nas longas retas sem comprometer sua competitividade nas curvas. Essa combinação de motor norte-americano, chassi britânico e componentes de competição tornou o T70 Mk3B uma das máquinas mais características da época, capaz de oferecer desempenho elevado sem depender da complexidade de soluções mais exóticas. A produção da versão Mk3B foi limitada: estima-se que 16 exemplares tenham sido construídos.
O momento mais marcante do T70 Mk3B aconteceu em fevereiro de 1969, nas 24 Horas de Daytona. Preparado pela equipe de Roger Penske e pilotado por Mark Donohue e Chuck Parsons, o Lola venceu a prova, derrotando os Ford GT40 da equipe de John Wyer e os Porsche 908 inscritos pela fábrica. O resultado confirmou que a evolução desenvolvida por Broadley ainda podia enfrentar os melhores protótipos internacionais. A vitória, contudo, não inaugurou um longo período de domínio: a chegada de carros como o Porsche 917 mudaria rapidamente o equilíbrio técnico das corridas de resistência.
Mesmo com a ascensão de uma nova geração de protótipos, o Lola T70 Mk3B permaneceu competitiva em provas nacionais e internacionais, conquistando vitórias e bons resultados com equipes particulares. Sua história também se espalhou por diferentes continentes, e vários exemplares sobreviveram até hoje, restaurados e utilizados em competições históricas. Mais do que uma evolução de um modelo bem-sucedido, o Mk3B simboliza o momento em que a Lola procurou extrair o máximo de uma fórmula já consagrada: baixo peso, aerodinâmica eficiente, chassi sofisticado e um poderoso V8 Chevrolet.
O Lola T70 Mk3B Chevrolet de 1969 permanece como um dos grandes símbolos da resistência esportiva dos anos 1960, uma máquina que combinava a precisão da engenharia britânica com o caráter vigoroso dos motores americanos e que teve seu nome eternizado pela vitória em Daytona.