2027 - McLAREN 788HS SPIDER
Poucos dias após apresentar o revolucionário hipercarro W1, a McLaren voltou a surpreender o mundo ao revelar os novos 788HS e 788HS Spider. Embora não ocupem o posto de modelo mais potente da marca, os dois esportivos carregam um significado especial para o fabricante de Woking: representam a evolução máxima dos supercarros da família iniciada com o 720S em 2017 e continuada pelo 750S e pelo 765LT. Mais do que versões de desempenho elevado, eles constituem o capítulo final da linhagem 7XX equipada exclusivamente com o lendário V8 biturbo, antes da chegada de uma nova geração eletrificada de superesportivos.
A sigla HS, de High Sport, possui uma história própria dentro da McLaren. Ela apareceu pela primeira vez em projetos extremamente exclusivos preparados pela divisão McLaren Special Operations (MSO), como o 12C HS e o raríssimo 688HS. Agora, o nome retorna em um modelo desenvolvido desde o início como a interpretação definitiva da plataforma Super Series, combinando redução de peso, refinamentos aerodinâmicos e uma calibração mecânica voltada para os condutores mais exigentes.
Visualmente, tanto o 788HS Coupé quanto o 788HS Spider adotam uma linguagem muito mais agressiva que a do 750S. A dianteira recebe um novo capô com S-Duct, solução inspirada diretamente na Fórmula 1 para otimizar o fluxo de ar e aumentar a estabilidade do eixo dianteiro. O splitter frontal foi redesenhado, enquanto novos defletores laterais e tomadas de ar ampliadas trabalham em conjunto com um assoalho profundamente revisado.
Na traseira encontra-se a principal assinatura visual do modelo: uma enorme asa ativa de novo desenho, posicionada mais alta e integrada a um difusor traseiro completamente reformulado. O conjunto aumenta significativamente a eficiência aerodinâmica e gera cerca de 10% mais downforce que o já extremo 765LT, proporcionando maior estabilidade nas curvas de alta velocidade e durante frenagens intensas. O escapamento quádruplo em titânio, posicionado na parte superior da traseira, reforça o caráter claramente voltado para as pistas.
Apesar de compartilharem a mesma mecânica, Coupé e Spider apresentam personalidades distintas. O 788HS Coupé privilegia a máxima rigidez estrutural e incorpora um exclusivo roof scoop integrado ao teto, responsável por alimentar diretamente o motor com ar frio. Já o 788HS Spider preserva a tradicional capota rígida retrátil da McLaren, oferecendo a experiência de condução a céu aberto sem comprometer significativamente a rigidez do conjunto graças ao monocasco de fibra de carbono, cuja arquitetura dispensa reforços estruturais adicionais. Essa característica permite que o Spider mantenha um comportamento dinâmico extremamente próximo ao da versão fechada.
No interior, a filosofia permanece totalmente centrada no condutor. O console central foi redesenhado utilizando fibra de carbono aparente, enquanto os bancos concha ultraleves recebem uma padronagem exclusiva de perfurações e bordados HS. Cada exemplar traz ainda uma placa numerada, reforçando sua condição de série limitada. A instrumentação digital e a central multimídia preservam a ergonomia característica da McLaren, privilegiando simplicidade e rapidez de operação mesmo durante uso intenso em circuito.
Sob a cobertura traseira permanece um dos motores mais celebrados da engenharia britânica moderna. Trata-se do conhecido V8 M840T de 4.0 litros biturbo, profundamente recalibrado para esta aplicação. A potência atinge 788 cv, enquanto o torque máximo chega a 800 Nm, disponíveis em uma ampla faixa de rotações. O motor continua associado à transmissão automatizada de dupla embreagem e 7 velocidades, enviando toda a potência exclusivamente às rodas traseiras - uma escolha que reforça o compromisso da McLaren com uma condução pura e altamente comunicativa.
O desempenho coloca o 788HS entre os supercarros mais rápidos equipados apenas com motor a combustão. A aceleração de 0 a 100 km/h ocorre em apenas 2.8 segundos, enquanto os 200 km/h são alcançados em cerca de 7.0 segundos. A velocidade máxima chega a 330 km/h, números obtidos graças não apenas ao aumento de potência, mas também ao cuidadoso trabalho de redução de peso.
Nesse aspecto, a McLaren levou sua obsessão por leveza ainda mais longe. O 788HS pesa apenas 1.265 kg em ordem seca, alcançando uma extraordinária relação peso-potência de 623 cv por tonelada, a melhor já registrada entre todos os modelos das famílias 720S, 750S e 765LT. Painéis de carroceria em fibra de carbono, rodas forjadas ultraleves com fixação central - uma novidade para esta plataforma - e inúmeros componentes produzidos em materiais compostos contribuíram para esse resultado. Como opcional, praticamente toda a carroceria pode ser especificada em fibra de carbono aparente, reduzindo ainda mais a massa e destacando o trabalho artesanal da MSO.
O comportamento dinâmico também recebeu atenção especial. A suspensão Proactive Chassis Control III, com seu consagrado sistema hidráulico interligado, foi recalibrada especificamente para o 788HS. A altura dianteira foi reduzida em 5 mm, a geometria foi revista e os amortecedores receberam novos acertos para aumentar a precisão nas mudanças rápidas de direção. O sistema de freios emprega discos carbono-cerâmicos derivados do McLaren Senna, acompanhados por pinças monobloco de seis pistões e um sistema de refrigeração aprimorado para uso intenso em pista.
Como acontece com os modelos mais exclusivos da marca, a produção será extremamente limitada. A McLaren fabricará apenas 200 exemplares, divididos igualmente entre 100 Coupés e 100 Spiders, todos personalizados individualmente pela McLaren Special Operations. Antes mesmo da apresentação oficial, praticamente toda a produção já havia sido destinada a clientes selecionados, reforçando o caráter altamente exclusivo do projeto.
Os novos McLaren 788HS e 788HS Spider 2027 encerram com brilhantismo uma das mais bem-sucedidas linhagens da história recente do fabricante britânico. Mais leves, mais potentes, mais rápidos e aerodinamicamente mais sofisticados do que qualquer outro representante da família 7XX, eles sintetizam tudo o que a McLaren aprendeu ao longo de quase uma década de evolução contínua. Em um momento em que a eletrificação passa a dominar o futuro dos superesportivos, os 788HS surgem como uma homenagem definitiva ao extraordinário V8 biturbo de Woking - um adeus em grande estilo à era dos supercarros McLaren movidos exclusivamente por combustão interna.