1997 - MERCEDES-BENZ S 600 BY VILNER
Nossa primeira parada de hoje nos leva à Bulgária, aonde a Vilner voltou sua atenção para um dos Mercedes-Benz mais emblemáticos da década de 1990: o gigantesco S 600 da geração W140, um automóvel que já nasceu com a missão de representar o máximo em luxo, tecnologia e engenharia da marca alemã.
Quando a Mercedes-Benz apresentou a geração W140 do S Class, em 1991, o objetivo era praticamente estabelecer uma nova referência entre os sedans de luxo. O projeto foi desenvolvido sem grandes concessões e acabou se tornando famoso pelo tamanho, pelo peso, pelo impressionante isolamento acústico e pela quantidade de equipamentos tecnológicos. Não por acaso, ganhou o popular apelido de ‘Baleia’, especialmente em alguns mercados. A versão S 600 ocupava o topo da gama convencional e utilizava o monumental M120, um V12 naturalmente aspirado de 5.987 cm³, que após a atualização passou a entregar cerca de 394 cv a 5.200 rpm e 570 Nm a 3.800 rpm. Associado a uma transmissão automática de 5 velocidades nas versões posteriores, esse conjunto era capaz de levar um automóvel que ultrapassava facilmente duas toneladas de 0 a 100 km/h em aproximadamente 6.5-6.6 segundos, enquanto a velocidade máxima era eletronicamente limitada a 250 km/h.
É justamente essa combinação entre imponência e sofisticação que a Vilner procurou preservar. O preparador búlgaro não transformou o W140 em um esportivo extravagante; ao contrário, a proposta foi reinterpretar sua personalidade original para o século XXI. O exemplar recebeu uma nova pintura branca, inclusive na tradicional grade dianteira, acompanhada por elementos cromados que reforçam suas formas retangulares e a aparência monumental da carroceria. Para-choques, rodas e ponteiras do escapamento também receberam tratamento personalizado. O resultado é curioso: de longe, continua sendo imediatamente reconhecível como um W140, mas alguns detalhes deixam claro que não estamos diante de um exemplar simplesmente restaurado.
Mas é no habitáculo que a intervenção da Vilner realmente ganha personalidade. Praticamente todo o interior foi revestido com couro e Alcantara em um tom azul, batizado pela empresa de ‘Cobalt Blue’. Os bancos receberam um padrão artesanal próprio, com desenho exclusivo e acabamento em relevo, enquanto elementos em fibra de carbono forjada foram incorporados à cabine. A ideia é estabelecer um contraste deliberado entre a arquitetura clássica e quase monumental do W140 e materiais contemporâneos normalmente associados a automóveis esportivos de alto desempenho.
Interessantemente, a Vilner parece ter sido bastante cuidadosa com aquilo que talvez seja o componente mais sagrado desse automóvel: seu V12. Não há indicação de alterações significativas no motor, que permanece essencialmente original. Sob o capô continua o M120 de 6.0 litros, um dos motores mais sofisticados produzidos pela Mercedes-Benz naquela época e que, posteriormente, encontraria uma nova vida ainda mais famosa ao equipar o Pagani Zonda. O projeto búlgaro concentrou-se, portanto, muito mais na restauração, personalização e apresentação do automóvel do que em aumentar sua potência.
E talvez seja justamente essa escolha que torne o trabalho interessante. O W140 já era um automóvel extraordinário quando saiu de Sindelfingen: enorme, pesado, extremamente bem construído e movido por um V12 que representava o ápice da engenharia Mercedes-Benz dos anos 1990. Três décadas depois, a Vilner não tentou apagar essa identidade. Em vez disso, acrescentou materiais modernos, novos acabamentos e uma dose de exclusividade, transformando o antigo sedan de representação em uma espécie de restomod de luxo, mantendo intacta a essência da ‘Baleia’. É uma interpretação que preserva a majestade do original e, ao mesmo tempo, mostra como um automóvel dos anos 1990 ainda pode ganhar uma presença surpreendentemente contemporânea.