1924 - NASH SERIES 696 ROADSTER
Em 1924, a Nash Motors Company, de Kenosha, Wisconsin, era um dos fabricantes independentes mais bem-sucedidos dos Estados Unidos. Fundada em 1916 por Charles W. Nash, ex-presidente da General Motors, a empresa havia conquistado sólida reputação por construir automóveis robustos, confiáveis e tecnicamente avançados. Entre os modelos que melhor representavam essa filosofia encontrava-se o Nash Series 696 Roadster, um elegante esportivo de dois lugares que combinava desempenho, qualidade de construção e preço competitivo.
Lançado como integrante da linha Nash Six, o Series 696 compartilhava a moderna plataforma dos demais modelos de 6 cilindros da marca, diferenciando-se pela carroceria Roadster, destinada aos condutores que valorizavam uma condução esportiva e o prazer das viagens ao ar livre. Enquanto os sedans e touring cars privilegiavam o transporte familiar, o 696 oferecia uma proposta mais pessoal e dinâmica, sem abrir mão da reconhecida robustez característica da Nash.
Seu design era tipicamente americano, elegante e funcional. O longo capô, o radiador vertical niquelado com o tradicional emblema da Nash, os amplos para-lamas de curvas suaves e os estribos largos conferiam ao automóvel uma aparência refinada. A carroceria de dois lugares era complementada por um compartimento traseiro para bagagens, bastante útil para viagens, além de uma capota de lona dobrável e cortinas laterais removíveis para proteção contra as intempéries.
O interior seguia o padrão de qualidade da marca. Os bancos eram revestidos em couro, o painel reunia os principais instrumentos de controle e os comandos estavam dispostos de forma ergonômica para os padrões da época. O volante de grande diâmetro, a alavanca de câmbio central e os controles manuais de avanço da ignição e do acelerador no volante refletiam as características típicas dos automóveis norte-americanos do início da década de 1920.
Sob o capô encontrava-se um dos maiores atrativos do Series 696: um moderno motor de 6 cilindros em linha com válvulas no cabeçote (OHV), de 4.1 litros, que desenvolvia 55 cv de potência a 2.400 rpm. Esse propulsor era reconhecido pela excelente elasticidade, funcionamento suave e elevada confiabilidade, características que diferenciavam a Nash de muitos concorrentes que ainda utilizavam motores de concepção mais antiga.
A potência era enviada às rodas traseiras por meio de uma transmissão manual de 3 velocidades, sem sincronizadores, exigindo do condutor o domínio da técnica da dupla embreagem. Em compensação, o elevado torque do motor permitia conduzir o automóvel com poucas trocas de marcha, tornando-o especialmente agradável nas longas estradas americanas. Em velocidade de cruzeiro, o Roadster mantinha com facilidade ritmos entre 65 e 75 km/h, desempenho bastante respeitável para sua época.
O chassi possuía 3.07 metros de entre-eixos e utilizava estrutura convencional de longarinas em aço, complementada por suspensão com eixos rígidos e molas semi-elípticas. Os freios mecânicos atuavam apenas sobre as rodas traseiras por meio de tambores externos, configuração ainda comum em 1924, embora começasse a ser superada por sistemas de frenagem nas quatro rodas.
Um dos pontos fortes da Nash era a qualidade de fabricação. Charles Nash insistia que seus automóveis deveriam oferecer durabilidade superior e acabamento impecável. As carrocerias eram cuidadosamente montadas, os ajustes mecânicos recebiam atenção especial e os materiais empregados estavam entre os melhores disponíveis no mercado. Essa filosofia ajudou a consolidar a excelente reputação da marca junto aos consumidores americanos.
Outro aspecto importante era o posicionamento comercial do Series 696. Com preço de 1.240 dólares, ele era um dos modelos de 6 cilindros mais acessíveis da Nash, oferecendo desempenho e refinamento superiores aos automóveis populares de 4 cilindros, mas custando significativamente menos do que os grandes modelos de luxo da época. Essa excelente relação entre preço, qualidade e desempenho tornou-se um dos principais fatores para o crescimento da Nash durante a década de 1920.
Em 1924, a Nash viveu um dos períodos mais sólidos de sua história, produzindo mais de 53 mil automóveis, um volume expressivo para um fabricante independente e que confirmava o sucesso da estratégia adotada por Charles Nash de oferecer veículos tecnicamente avançados, porém acessíveis a uma parcela maior do público.
O Series 696 também marcou o encerramento de uma geração de automóveis Nash. No ano seguinte, a empresa lançou as novas linhas Advanced Six e Special Six, que introduziram importantes aperfeiçoamentos mecânicos e estilísticos, substituindo definitivamente a família 690/696.
Hoje, o Nash Series 696 Roadster de 1924 é um dos modelos mais apreciados pelos colecionadores de automóveis norte-americanos da chamada Nickel Era. Sua carroceria esportiva, a robustez do motor de 6 cilindros, a excelente qualidade de construção e sua relativa raridade fazem dele presença frequente em concursos de elegância e encontros de veículos históricos. Mais do que um belo roadster, o 696 representa uma fase em que a Nash consolidou sua reputação como um dos fabricantes mais inovadores e respeitados dos Estados Unidos, oferecendo automóveis que combinavam engenharia moderna, confiabilidade e elegância em um conjunto admirado até os dias atuais.